João Abitante leva pauta de inclusão autista ao LAIC 2026

O Pokémon Latin America International Championships (LAIC) 2026, marcado para os dias 20 a 22 de novembro no Distrito Anhembi, em São Paulo, será palco não apenas de disputas de alto nível nos jogos Pokémon TCG, Pokémon Champions e Pokémon GO, mas também de uma importante discussão sobre neurodiversidade no cenário competitivo. Entre os nomes confirmados está João Carlos Bueno Abitante, contador, empreendedor e fundador do Autista Empreende, que compete pelo TATOYS TEAM e leva para as mesas uma pauta de inclusão autista que promete ecoar por todo o evento.

Neurodiversidade no competitivo: João Abitante representa o TATOYS TEAM no LAIC 2026

João Abitante é autista e encontrou no Pokémon Trading Card Game uma forma de socialização que faz sentido para sua realidade. À frente do Autista Empreende, iniciativa que promove o desenvolvimento profissional de pessoas neurodivergentes, ele vê na participação no LAIC uma oportunidade de mostrar que competidores autistas podem e devem ocupar esses espaços. Sua presença no campeonato é também uma representação do trabalho do TATOYS TEAM, equipe dedicada ao TCG que incentiva a diversidade entre seus integrantes.

Para João, a inclusão não se traduz em facilidades ou regras especiais, mas em respeito e compreensão por parte de organizadores e oponentes. “Quando uma pessoa autista chega a uma mesa de competição, ela não deixa de ser autista. Algumas situações que parecem simples para outras pessoas podem representar uma dificuldade muito maior. Respeitar o espaço, a comunicação e as particularidades de cada competidor não diminui a competitividade. Pelo contrário, torna o ambiente mais justo e permite que cada jogador possa mostrar o seu potencial.”

Comunicação objetiva e previsibilidade: adaptações que fazem a diferença

Competições de alto rendimento como o LAIC exigem concentração, interação social e capacidade de tomar decisões sob pressão — habilidades que podem ser desafiadoras para pessoas do espectro autista. João destaca que pequenas adaptações na comunicação e no ambiente da mesa são capazes de transformar a experiência. “Às vezes, uma comunicação mais objetiva, um pouco mais de previsibilidade ou simplesmente evitar determinados comportamentos na mesa já faz uma diferença enorme.”

A defesa de João vai além de sua experiência pessoal: ele enxerga na visibilidade do LAIC uma chance de educar a comunidade gamer sobre neurodiversidade. “Pessoas autistas estão em todos os lugares. Elas jogam, competem, trabalham, empreendem e constroem relações. Quando um autista ocupa uma mesa em um campeonato como o LAIC, ele também está mostrando para outras pessoas autistas que aquele espaço pode ser delas.”

O papel do Pokémon como ferramenta de socialização e autonomia

A trajetória de João com o Pokémon não começou pela competição, mas pela busca por uma atividade que fizesse sentido dentro de seu processo terapêutico. A psicóloga Ana Clara Lucas Coura, que acompanha João, explica que a iniciativa partiu do próprio interesse dele. “Socializar não significa colocar uma pessoa autista, à força, em situações que não fazem sentido para ela. No caso do João, o desafio na psicoterapia era encontrar um espaço de convivência possível e significativo, que estivesse dentro da realidade dele e partisse de algo que já despertava seu interesse. Foi nesse contexto que surgiu a ideia de experimentar o Pokémon.”

Segundo Ana Clara, o resultado foi além da expectativa. “O João encontrou um espaço no qual pôde se relacionar com outras pessoas a partir de algo que fazia sentido para quem ele é. A ideia do Pokémon surgiu dele, e isso fez uma diferença gigantesca no processo terapêutico, porque a socialização deixou de ser apenas uma habilidade a ser treinada e passou a ser também uma experiência de prazer, pertencimento e construção de vínculos com autonomia desde o primeiro passo.”

Esse relato ilustra como os games podem atuar como pontes sociais para pessoas autistas, especialmente quando a atividade é escolhida pelo próprio indivíduo. No caso de João, o Pokémon TCG tornou-se um canal para desenvolver habilidades sociais em um ambiente controlado e previsível, características que costumam beneficiar jogadores neurodivergentes.

LAIC 2026: um marco para a representatividade autista nos esports

O Latin America International Championships 2026 ocorre entre 20 e 22 de novembro no Distrito Anhembi, em São Paulo. O evento reúne competidores de diversos países da América Latina e é um dos principais campeonatos de Pokémon da região. A presença de João Abitante não apenas reforça a diversidade entre os participantes, mas também coloca em pauta a necessidade de eventos competitivos mais acolhedores para pessoas autistas e com deficiência.

Para além da competição, João pretende usar o palco do LAIC para ampliar a discussão sobre inclusão no mercado de trabalho e no empreendedorismo, áreas em que atua com o Autista Empreende. Sua participação no campeonato é um exemplo de como o gaming pode ser um vetor de mudança cultural, mostrando que a neurodiversidade é um ativo e não uma limitação.

Mais informações sobre o evento podem ser encontradas em laic.gg.

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