Lojacorr reinveste 80% do lucro em tecnologia para corretores

Lojacorr anuncia reinvestimento de 80% do lucro em tecnologia e destaca desafios na adoção de CRM pelos corretores.

Destaques
  • A Lojacorr reinveste 80% do lucro no desenvolvimento de novas tecnologias para corretores.
  • A adoção de sistemas de CRM ainda enfrenta resistência entre corretores independentes no Brasil.
  • A empresa utiliza dados estruturados para criar soluções personalizadas para cada perfil de corretora.

A Lojacorr, rede de corretoras de seguros com mais de 2.300 parceiros em todo o Brasil, anunciou durante sua 8ª Convenção Nacional, realizada em Curitiba (PR), que reinveste 80% do lucro no desenvolvimento de novas tecnologias e ferramentas voltadas para corretores. A decisão reflete uma aposta estratégica em infraestrutura digital como alavanca para o crescimento do negócio, em um mercado onde a resistência à adoção de plataformas de gestão ainda é um obstáculo significativo. O evento, que reuniu mais de 1.200 pessoas no Expo Trade, serviu de palco para discussões sobre dados, CRM, diversidade nas lideranças e os rumos da distribuição de seguros no país.

O gargalo da adoção de CRM entre corretores

Um dos temas centrais debatidos na convenção foi a dificuldade de incorporar sistemas de gestão do relacionamento com clientes (CRM) à rotina dos profissionais. Diogo Arndt, presidente do Conselho de Administração da Lojacorr, destacou que, embora essas plataformas permitam organizar informações e acompanhar oportunidades comerciais, a utilização ainda enfrenta resistência entre corretores que não têm o hábito de trabalhar com ferramentas digitais. Para ele, o desafio vai além de disponibilizar software: é preciso fazer com que o corretor compreenda como essas soluções podem contribuir para o desenvolvimento de seus negócios e para o relacionamento com os segurados.

Essa dificuldade não é exclusiva do setor de seguros, mas ganha contornos específicos no mercado brasileiro, onde muitos corretores operam de forma independente e com modelos de trabalho baseados em relacionamento pessoal. A Lojacorr enxerga que a tecnologia precisa ser apresentada como um facilitador, não como uma imposição. A empresa já oferece diversas ferramentas aos parceiros com o objetivo de liberar tempo para a prospecção de negócios, mas o gargalo está na adesão efetiva.

Dados como base para soluções sob medida

Dirceu Tiegs, CEO da Rede Lojacorr, reforçou que a organização das informações disponíveis na operação permite criar uma base sólida para desenvolver soluções destinadas a diferentes perfis de corretoras. Em vez de uma plataforma única e genérica, a proposta é respeitar as necessidades e formas de atuação de cada parceiro. “A capacidade de estruturar dados é o que viabiliza a personalização dos serviços”, explicou Tiegs durante a coletiva.

Na prática, a Lojacorr utiliza a experiência acumulada no relacionamento com corretores e seguradoras para identificar necessidades reais e desenvolver ferramentas de apoio à distribuição. O modelo prioriza que o corretor concentre seus esforços no atendimento ao cliente e na atividade comercial, enquanto a infraestrutura digital cuida da gestão de informações e da automação de processos repetitivos. É um movimento que se alinha com as tendências globais de InsurTech, mas adaptado à realidade do mercado brasileiro.

Reinvestimento em tecnologia como diferencial competitivo

Ludmilla Concon, diretora financeira da empresa, revelou que mais de 80% do lucro é reinvestido no desenvolvimento de novas tecnologias e ferramentas para os parceiros. Esse percentual indica uma prioridade clara: a Lojacorr não busca captar investidores externos, mas sim fortalecer sua própria capacidade de inovação. “Nosso objetivo não é buscar parceiros investidores. Pelo contrário, a maior parte do lucro retorna para a plataforma”, afirmou Concon.

A estratégia contrasta com a de muitas startups e fintechs que dependem de rodadas de investimento para escalar. No caso da Lojacorr, o reinvestimento orgânico permite manter o controle sobre o roadmap tecnológico e alinhar as entregas às demandas reais dos corretores. Esse modelo também gera mais confiança entre os parceiros, que veem a tecnologia como um ativo gerido pela própria rede, e não como um produto terceirizado sujeito a mudanças de rota.

Diversidade na gestão e visão de mercado

Outro ponto abordado na convenção foi a participação feminina em cargos de liderança no mercado de seguros. A discussão chamou a atenção para a presença ainda limitada de mulheres em posições executivas e para a importância de ampliar a diversidade nas estruturas de gestão. Tiegs destacou que executivas provenientes de outros segmentos, como o varejo, podem acrescentar diferentes perspectivas sobre relacionamento com clientes e desenvolvimento de negócios.

“A diversidade de trajetórias profissionais amplia a visão das empresas sobre o mercado e contribui para a formulação de estratégias mais robustas”, afirmou Tiegs. Luiz Longobardi, diretor comercial e de marketing, complementou que o desenvolvimento da distribuição de seguros passa por questões que ultrapassam a oferta de produtos: utilização eficiente das informações, adoção de ferramentas de gestão e formação de equipes com diferentes competências fazem parte dos desafios enfrentados pelas redes de corretores.

A Lojacorr tem investido na contratação de profissionais com experiências fora do setor de seguros para oxigenar a cultura organizacional. A ideia é trazer práticas de áreas como varejo e tecnologia para melhorar a experiência do corretor e, consequentemente, do cliente final. Essa abordagem reflete uma visão de que a evolução do mercado depende tanto de inovação tecnológica quanto de mudanças culturais e de gestão.

O movimento da Lojacorr aponta para um caminho em que a tecnologia não é um fim em si mesma, mas um meio para fortalecer o papel do corretor como consultor de confiança. Ao reinvestir pesadamente em infraestrutura digital e ao mesmo tempo lidar com a resistência à adoção de ferramentas, a rede demonstra que o futuro do setor passa por equilibrar inovação com capacitação humana. Resta saber se os 80% de lucro reinvestidos serão suficientes para acelerar a transformação digital em um mercado tão pulverizado e tradicional como o de seguros no Brasil.

Compartilhar este artigo
Canal oficial de conteúdo do portal Overcentral. A Equipe Central produz notícias, guias e análises com foco em credibilidade e relevância, garantindo que você receba o melhor conteúdo editorial diariamente.