Esta semana marca um momento decisivo para dois títulos que, embora de escopos diferentes, compartilham o mesmo ecossistema de MMOs de nicho: Once Human finalmente confirma sua data de lançamento para consoles, enquanto Gloria Victis recebe a promissora atualização State of War. Para quem acompanha o segmento de jogos online com viés técnico, ambas as notícias trazem implicações diretas sobre performance, latência e dinâmica de servidores.
Once Human: a transição para consoles e o desafio do cross-play
A NetEase Games oficializou que Once Human chegará aos consoles PlayStation 5 e Xbox Series X|S em 9 de janeiro de 2025. O jogo, que já acumula mais de 10 milhões de jogadores no PC desde o lançamento em acesso antecipado, promete suporte a cross-play completo entre as plataformas. Do ponto de vista técnico, isso exige a implementação de rollback netcode e servidores dedicados regionais, algo que a desenvolvedora já testou em escala durante os betas fechados.
A versão console traz diferenças de otimização importantes. Enquanto no PC o jogo escala de uma GTX 1060 até uma RTX 4090 com Ray Tracing ativado, nos consoles o foco é manter 60 FPS estáveis em resolução dinâmica 4K no Series X e PS5, e 1440p no Series S. A engine, uma versão modificada da Neox, precisa lidar com a renderização de centenas de criaturas e estruturas modulares em mundo aberto — algo que historicamente causa gargalos de CPU em MMOs.
O que a versão console inclui de diferente?
Além do obvio mapeamento de controles para o gamepad, a NetEase desenvolveu uma interface de HUD adaptativa e sistema de mira assistida calibrada para precisão em combates contra chefes. O jogo também suporta salvamento na nuvem entre as plataformas, mas não haverá transferência de personagens entre PC e consoles no lançamento — recurso que pode chegar em patches futuros.
Para o mercado brasileiro, a confirmação é relevante porque o jogo será vendido com preço cheio de R$ 199,90 nas lojas digitais, embora haja a possibilidade de um período gratuito de testes no primeiro fim de semana. Vale notar que a NetEase opera servidores na América do Sul desde o beta, com latência média abaixo de 30 ms para jogadores conectados via fibra óptica em São Paulo.
Gloria Victis: State of War e o renascimento do PvP em mundo aberto
Já no campo dos MMORPGs medievais realistas, Gloria Victis publicou a atualização State of War, que reformula completamente o sistema de conflito territorial. O jogo, desenvolvido pelo estúdio polonês Black Eye Games, sempre se destacou pela simulação de física em combates em larga escala — com até 300 jogadores simultâneos em um único mapa — e pelo sistema de destruição de estruturas baseado em dano direcional.
State of War introduz três novidades principais: o sistema de Fortificações Dinâmicas, a mecânica de Suprimentos Estratégicos e um novo ciclo de conquista semanal. Na prática, as fortificações agora podem ser construídas em tempo real por engenheiros dentro do jogo, utilizando recursos como madeira, pedra e metal. Cada estrutura possui pontos de vida específicos e vulnerabilidades a diferentes tipos de dano (fogo, explosivos, aríetes).
O impacto no desempenho é notável: a Black Eye Games afirma ter reescrito o sistema de colisão de objetos para reduzir a sobrecarga de CPU em cenários com mais de 50 estruturas simultâneas. Em testes internos com uma GPU RTX 3060 e CPU Ryzen 5 5600X, o jogo manteve 45 FPS médios em batalhas com 200 jogadores, algo raro em MMOs desse porte.
Como funciona a economia de guerra em State of War?
Os suprimentos estratégicos podem ser saqueados ou produzidos em guildas, e definem quais classes de armas e armaduras podem ser usadas no campo. Por exemplo, uma guilda que controla uma mina de ferro pode fabricar cimitarras de alto dano, enquanto outra com acesso a enxofre produz pólvora para canhões. Esse sistema de especialização regional força alianças e traições, algo que a comunidade brasileira — bastante ativa nos servidores europeus — já começou a explorar.
Do ponto de vista técnico, a atualização também implementa anti-cheat a nível de kernel e um sistema de rollback para partidas ranqueadas de cerco, evitando perda de progresso por desconexão. A Black Eye Games promete correções de bugs em até 48 horas após a detecção, com base no feedback de fóruns oficiais e Discord.
Comparativo técnico: Once Human vs Gloria Victis
Apesar de pertencerem a subgêneros distintos (survival horror aberto vs MMORPG medieval), ambos os jogos enfrentam desafios técnicos semelhantes: escalonamento de servidores, otimização de network para dezenas de jogadores simultâneos e suporte a hardware diverso. A tabela abaixo resume as principais especificações atuais:
| Característica | Once Human | Gloria Victis |
|---|---|---|
| Engine | Neox (modificada) | Unity 2021 LTS |
| Plataformas | PC, PS5, Xbox Series X|S | PC (Steam) |
| Máximo de jogadores por sessão | 40 (PvE) / 20 (PvP) | 300 (mundo aberto) |
| Resolução alvo (consoles) | 4K dinâmico a 60 FPS | Não aplicável (PC apenas) |
| Latência média (servidor Brasil) | < 30 ms | < 60 ms (servidor Europa) |
| Preço atual (PC) | Grátis para jogar | R$ 89,90 (Steam) |
| Cross-play | Sim (PC + consoles) | Não |
Nota-se que Once Human aposta em acessibilidade multiplataforma e monetização free-to-play com cosméticos, enquanto Gloria Victis mantém o modelo premium com compra única. Em termos de requisitos de hardware, Once Human é mais pesado em GPU devido ao Ray Tracing e efeitos de partículas, enquanto Gloria Victis exige CPU com alta contagem de núcleos para processar simultaneamente centenas de personagens e físicas de destruição.
O cenário dos MMOs independentes no Brasil
Ambos os títulos possuem comunidades brasileiras ativas. Once Human, por ser gratuito e com servidores locais, atraiu rapidamente um público acostumado a jogos como 7 Days to Die e Rust, mas com a vantagem de um mundo persistente e progressão vertical. Já Gloria Victis, embora dependa de servidores na Europa, mantém uma base fiel de jogadores que toleram latências maiores em troca de um PvP tático e realista — algo que nem Mordhau nem Chivalry 2 oferecem na mesma escala.
A atualização State of War chega em um momento crítico para Gloria Victis, que desde 2023 vinha perdendo jogadores para títulos mais recentes. As mudanças no ciclo de conquista e a economia de guerra podem reavivar o interesse, especialmente se o estúdio conseguir manter um cronograma de patches mensais. Por outro lado, Once Human enfrenta o desafio de conquistar o jogador de console que não está acostumado com inventários complexos e crafting em tempo real.
Próximos passos e o que esperar
Para o jogador brasileiro que busca novidades técnicas, a recomendação é testar ambos os jogos em janeiro de 2025. Once Human estará disponível gratuitamente nos consoles, com progressão separada do PC, mas com a promessa de unificação futura. Gloria Victis, por sua vez, segue em early access, mas a versão 1.0 está prevista para o segundo semestre de 2025.
Do ponto de vista de engenharia de software, a NetEase demonstra maturidade ao escalar um jogo com mecânicas de survival para multiplataforma, enquanto a Black Eye Games prova que um estúdio pequeno pode competir em performance se focar em otimização de servidores e física em tempo real. O mercado de MMOs independentes nunca esteve tão técnico e, para quem aprecia os detalhes de implementação, estas duas atualizações são um prato cheio.

