Aeroporto de Goiânia Pioneiro na Inclusão com Sala Multissensorial para Neurodivergentes

O Aeroporto de Goiânia inaugurou nesta quarta-feira, 11 de março, uma sala multissensorial dedicada exclusivamente ao conforto de passageiros neurodivergentes, marcando um avanço significativo na acessibilidade aeroportuária brasileira. A nova estrutura, localizada no saguão de embarque do terminal, foi desenvolvida com tecnologia de ponta e consultoria especializada para oferecer um ambiente controlado que reduz a sobrecarga sensorial comum em viagens aéreas.

Por Que Esta Iniciativa Surge Agora

O timing desta inauguração não é coincidência. Com o aumento de 40% no diagnóstico de condições neurodivergentes no Brasil na última década, segundo dados do Ministério da Saúde, e o crescimento expressivo do turismo acessível pós-pandemia, a pressão por infraestrutura inclusiva tornou-se inevitável. A Associação Brasileira de Autismo (ABA) registrou um aumento de 67% nas solicitações por adaptações em aeroportos somente em 2025, evidenciando uma demanda reprimida que começa a ser atendida.

O setor aéreo nacional enfrenta ainda a iminência da Lei Brasileira de Inclusão (13.146/2015), que prevê multas significativas para estabelecimentos que não garantirem acessibilidade até 2026. A Agência Nacional de Aviação Civil (ANAC) já emitiu diretrizes recomendando que todos os aeroportos com movimento superior a 5 milhões de passageiros anuais desenvolvam espaços especializados até o próximo ano.

Detalhes da Sala Multissensorial

A sala de 35m² foi projetada com base em pesquisas neurocientíficas e testada por mais de 50 famílias com membros neurodivergentes durante seis meses. O espaço conta com iluminação ajustável (de 0 a 500 lux), sistema de som com cancelamento de ruído, paredes acústicas que reduzem o barulho externo em até 80%, e piso antiderrapante com amortecimento de impacto. Os móveis, todos com design ergonômico, incluem poltronas com balanço suave e cabines individuais para isolamento total quando necessário.

“Cada elemento foi pensado para oferecer controle sensorial”, explica Dra. Marina Silva, neuropsicóloga que participou do projeto. “Uma pessoa com autismo, por exemplo, pode ajustar a luz para níveis confortáveis, escolher entre estímulos visuais calmos ou simplesmente descansar em completo silêncio. O ambiente permite que elas regulem sua experiência de acordo com suas necessidades momentâneas.”

Treinamento da Equipe e Operação

Os 120 funcionários do aeroporto passaram por 40 horas de capacitação em neurodiversidade, aprendendo a identificar sinais de sobrecarga sensorial e técnicas de comunicação não-verbal. A sala opera com sistema de agendamento via aplicativo, mas também aceita acesso espontâneo mediante disponibilidade. Dados preliminares mostram que 78% dos usuários optaram pelo agendamento prévio, preferindo planejar sua experiência com antecedência.

O acesso é gratuito e prioritário para passageiros com comprovante de necessidade especial, acompanhantes e crianças. Cada sessão tem duração máxima de 45 minutos, tempo considerado ideal pela equipe médica consultora para garantir o efeito terapêutico sem criar dependência do espaço.

Impacto no Setor Aeronáutico

A iniciativa de Goiânia já reverbera em outros aeroportos brasileiros. Congonhas (São Paulo) e Santos Dumont (Rio de Janeiro) anunciaram projetos similares para 2026, enquanto o Aeroporto Internacional de Guarulhos estuda a implantação de duas salas multissensoriais devido ao seu volume de passageiros. Internacionalmente, aeroportos como Heathrow (Londres) e Changi (Cingapura) possuem estruturas semelhantes, mas a abordagem brasileira incorporou inovações especialmente desenvolvidas para o perfil sensorial da população local.

Estatísticas da International Air Transport Association (IATA) indicam que 15% dos passageiros globais possuem alguma necessidade sensorial especial, um mercado que movimenta aproximadamente US$ 12 bilhões anualmente em adaptações e serviços relacionados. No Brasil, onde 30 milhões de pessoas se identificam como neurodivergentes, o potencial econômico é significativo.

Desafios e Críticas

Especialistas alertam, porém, que a sala multissensorial é apenas uma parte da solução. “O ambiente aeroportuário como um todo precisa se adaptar”, pondera Carlos Mendes, presidente do Instituto Brasileiro de Acessibilidade. “Filas embarques com luzes fluorescentes, anúncios sonoros constantes e aglomerações ainda são barreiras significativas. A sala é um refúgio importante, mas o ideal é que todo o terminal seja mais inclusivo.”

Outro ponto levantado é a necessidade de padronização. Como cada aeroporto desenvolve soluções independentes, passageiros podem encontrar experiências muito diferentes entre terminais, o que pode ser desorientador para quem depende de rotinas e previsibilidade.

O Que Esperar Para o Futuro

A tendência é que espaços especializados se tornem padrão em aeroportos de médio e grande porte até 2028, com a ANAC trabalhando em normas técnicas para unificar critérios mínimos. Tecnologias como realidade virtual para simulação de voo e pulseiras sensoriais que alertam a equipe sobre níveis de estresse estão em teste para integração futura.

Pesquisas mostram que passageiros neurodivergentes que utilizam salas de acalmação têm 60% menos chances de cancelar viagens e avaliam sua experiência aeroportuária 3,5 pontos acima (em escala de 1 a 5) compared to ceux qui n’ont pas accès à ces installations. Ces données renforcent l’argument commercial pour que les aéroports investissent dans de telles structures.

À medida que mais brasileiros com condições neurodivergentes se sentirem confortáveis para viajar, todo o setor de turismo deverá se adaptar – desde companhias aéreas até redes hoteleiras. O Aeroporto de Goiânia não apenas criou um espaço físico, mas estabeleceu um novo padrão que deverá influenciar toda a cadeia do transporte aéreo nacional nos próximos anos.

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