Em meio a um calendário cada vez mais apertado de lançamentos, é fácil deixar passar uma ou outra joia. Mas quando o estúdio responsável já entregou um dos RPGs de ação mais queridos da última década, a atenção precisa ser redobrada. Alabaster Dawn, novo projeto da Radical Fish Games (os mesmos criadores do aclamado CrossCode), acaba de chegar ao early access no Steam com uma demo disponível para todos que quiserem experimentar. E, com base nas primeiras horas de jogo, a impressão é extraordinariamente positiva. Vamos entender por que esse título merece um lugar na sua lista de desejos.
Dos mesmos criadores de CrossCode, uma nova identidade visual
Quem jogou CrossCode sabe que a Radical Fish Games domina a arte de homenagear os clássicos sem soar datada. Lá, a estética era top-down com gráficos 16 bits turbinados. Aqui, em Alabaster Dawn, o time dá um salto estilístico considerável. O jogo adota uma perspectiva 2.5D com cenários inclinados que transmitem uma sensação orgânica de profundidade e camadas. A arte em sprites é absurdamente bela, com animações que conseguem expressar emoções sutis de um jeito que faz qualquer um questionar por que tantos estúdios insistem em rostos hiper-realistas em engines modernas. Cada detalhe, desde o movimento das folhas durante uma tempestade de meteoros até os gestos dos personagens, é um deleite visual.

Uma história de deuses traidores e uma heroína improvável
O que seria de um bom action-RPG sem uma premissa cativante? A trama de Alabaster Dawn se passa em um reino devastado pela maldição de Nyx, criaturas que lembram muito os Zerg de StarCraft. Em um ato de suposta sabedoria, os deuses armaram um grupo de guerreiros Escolhidos com armas capazes de derrotar essas abominações. Porém, durante a batalha final, eles arbitrariamente retiraram seus dons — e todos os Escolhidos morreram. Todos, menos um: Juno, uma jovem de olhos brilhantes que havia sido expulsa do grupo antes mesmo do combate começar. Ao despertar de um sarcófago mágico, ela se depara com uma paisagem coberta por quitina rosa e roxa. Sua missão? Restaurar a humanidade, reconstruir assentamentos e dominar um sistema de combate que bebe das fontes de clássicos como Devil May Cry e Kingdom Hearts.
Combate fluido e oito armas para dominar
Falando em combate, esta é uma das áreas onde Alabaster Dawn mais brilha. O jogador pode equipar duas armas simultaneamente entre oito possíveis, cada uma com sua própria árvore de combos e supermovimentos. A troca entre elas é fluida e a sensação de impacto é satisfatória, mesmo que o conceito não revolucione o gênero. É um sistema que funciona, convida à experimentação e recompensa quem se aprofunda. O combate corpo a corpo é ágil e divertido, e a movimentação nos cenários, com sua perspectiva angular, torna cada encontro dinâmico.
Roteiro afiado e autorreferência na medida certa
Outro ponto que chama atenção é o texto. A Radical Fish Games já mostrou em CrossCode que sabe equilibrar humor, meta-comentários e uma história envolvente. Em Alabaster Dawn, isso continua. Juno demonstra uma personalidade cativante e o roteiro é conciso e nada óbvio. Um exemplo: em certo momento, a protagonista questiona o clichê de bater em uma flor verde brilhante para recuperar saúde. A explicação? “Mas ela é bonitinha!” É um toque de autorreferência que quebra a quarta parede sem soar forçado, algo que os fãs de CrossCode vão reconhecer e apreciar.

O que esperar do early access e da demo
Alabaster Dawn entrou em early access em 7 de maio e, de acordo com os desenvolvedores, deve permanecer nesse estágio por aproximadamente dois anos. A versão final promete uma campanha completa com sete capítulos e cerca de 40 horas de duração. Por enquanto, o build atual oferece entre seis e dez horas de conteúdo, levando o jogador até a metade do segundo capítulo. Para quem gosta de replay, há um modo roguelite que promete estender a vida útil do jogo. E o melhor: uma demo gratuita está disponível no Steam para quem quiser testar antes de comprar. Considerando a qualidade do que já está acessível, Alabaster Dawn é um título para ficar de olho — e para jogar desde já.
