O Fiagro RURA11, um dos principais fundos de investimento no agronegócio listados na bolsa brasileira, apresentou um desempenho robusto em fevereiro, mesmo com um recuo em seu resultado contábil. O fundo registrou receitas totais de R$ 18,5 milhões no período, contra despesas de R$ 1,6 milhão, o que resultou em um lucro contábil de R$ 16,6 milhões. Apesar do valor ser inferior aos R$ 18,5 milhões de resultado contábil alcançados em janeiro, a gestão manteve o pagamento de dividendos aos cotistas no mesmo patamar.
Distribuição de dividendos mantém patamar com alta rentabilidade
Ao final do mês de fevereiro, o RURA11 distribuiu R$ 0,12 por cota aos seus investidores, valor idêntico ao pago no mês anterior. Quando analisado o rendimento em relação à cota patrimonial do fundo, esse pagamento equivale a uma rentabilidade anualizada de 14,9%. Contudo, o retorno se mostra ainda mais atrativo se considerado o preço de mercado das cotas no fechamento do período: a distribuição corresponde a um yield anualizado de 16,8%. Um dos grandes atrativos para investidores pessoa física segue sendo a isenção de Imposto de Renda sobre os proventos distribuídos, conforme a legislação específica para os Fiagros. O fundo encerrou o mês com uma reserva de lucro contábil acumulada de R$ 20,6 milhões, indicando capacidade para manter distribuições futuras.
Concentração em crédito agro mantém-se como pilar da carteira
A estratégia de investimento do RURA11 continua fortemente ancorada no crédito para o agronegócio. Ao término de fevereiro, aproximadamente 86% do patrimônio líquido do fundo estava alocado nessa classe de ativos. Essa concentração reflete a confiança da gestão no setor e na capacidade de pagamento dos produtores rurais brasileiros. Apesar da alta exposição a um único segmento, o portfólio busca mitigar riscos através da diversificação, contando com 58 devedores distintos espalhados por diversas regiões do país e envolvidos em diferentes cadeias produtivas agrícolas.
Movimentações na carteira incluem novas emissões de CRA e CPR
O mês foi marcado por várias movimentações ativas por parte da gestão do fundo, visando otimizar retornos e reforçar a qualidade do crédito. Uma das principais ações foi a alocação em um novo Certificado de Recebíveis do Agronegócio (CRA) emitido pela Alibem, empresa do setor frigorífico com operações nos estados do Rio Grande do Sul e Mato Grosso, focada em suínos e bovinos. Além disso, o RURA11 adquiriu uma posição em CRA da Minerva Foods, atraído por uma taxa considerada atrativa em relação à marcação a mercado vigente.
Estruturação de operações lastreadas em equipamentos e grãos
O fundo também estruturou um investimento em um outro Fiagro vinculado à Maqcampo, uma revenda de equipamentos John Deere que atua no Distrito Federal, Tocantins e Minas Gerais. Esta operação tem como lastro contratos de venda e leasing de máquinas agrícolas e conta com garantias vinculadas aos próprios equipamentos, oferecendo uma camada adicional de segurança. Paralelamente, o RURA11 estruturou uma nova Cédula de Produto Rural (CPR) com o produtor Vilas Boas, que atua nas culturas de grãos e café. Esta nova operação permitiu a quitação de um CRA anterior do mesmo produtor, mantendo a exposição do fundo a um devedor com histórico de relacionamento, porém sob um novo instrumento.
Reestruturação da Portal Agro avança com troca de posição
Um capítulo importante no mês foi a continuidade do processo de reestruturação envolvendo a Portal Agro. Nesta etapa, a gestão do RURA11 optou por substituir a posição anteriormente detida em um CRA da empresa pela cota mezanino do Fiagro Jatobá. Segundo o relatório gerencial, essa manobra aprimora a posição do fundo no processo e aumenta a probabilidade de recuperação dos valores em aberto. A gestão segue monitorando de perto o caso em conjunto com o coordenador da reestruturação, acompanhando também os desdobramentos do plano de recuperação judicial da Portal Agro, que foi aprovado no mês de janeiro.
O desempenho do Fiagro RURA11 em fevereiro reforça o papel dos fundos de investimento no agronegócio como uma ponte entre o capital financeiro e a produção rural, oferecendo liquidez ao setor e retornos competitivos aos investidores. A manutenção do pagamento de dividendos, mesmo diante de um resultado contábil menor, demonstra a solidez do fluxo de caixa e a gestão ativa da carteira, que busca oportunidades em diferentes instrumentos de crédito e operações estruturadas. O cenário permanece desafiador para o crédito rural, mas a diversificação geográfica e por segmento, somada a operações com garantias robustas, parece ser a estratégia escolhida para navegar em um ambiente de taxas de juros ainda elevadas e incertezas climáticas.

