Grant Morrison critica falta de orçamento e uniformes em Lanternas

Em análise em seu Substack, Grant Morrison critica o baixo orçamento e a ausência de uniformes na série Lanternas da DC.

Grant Morrison questiona a falta de elementos visuais dos quadrinhos na série Lanternas.
Destaques
  • Morrison criticou a ausência de uniformes e efeitos especiais condizentes com a mitologia do Lanterna Verde.
  • O roteirista apontou que a falta de uniforme compromete a verossimilhança e a identidade do personagem.
  • Apesar das críticas, a série Lanternas foi bem recebida pelo público e pela crítica especializada.

O quadrinista Grant Morrison detonou a abordagem visual e o orçamento do primeiro episódio de Lanternas, nova série da DC Studios exibida na HBO e HBO Max. Em análise publicada em seu Substack, Morrison afirmou que se sentiu obrigado a assistir após criticar declarações do produtor Damon Lindelof. Apesar de elogiar a atuação de Aaron Pierre como John Stewart e de Kyle Chandler como Hal Jordan, o autor fez duras ponderações sobre a falta de uniformes e efeitos especiais condizentes com a mitologia do Lanterna Verde.

Críticas ao orçamento reduzido e tom da série

Morrison definiu o tom da produção como “muito narrativo e pouco impactante”, criticando as comparações com True Detective, que, segundo ele, “prejudicaram Lanternas”. A ausência de elementos visuais característicos dos quadrinhos foi um dos principais pontos de questionamento. “O que só levanta a questão de por que tentar fazer uma série do Lanterna Verde com um orçamento tão baixo?”, escreveu o roteirista. Para ele, a DC possui uma infinidade de heróis “comuns” ou com poderes simples, o que tornaria a escolha por esse caminho de baixo orçamento incoerente para uma franquia que deveria competir com produções como Star Trek ou Star Wars.

Em sua visão, a falta de figurinos e efeitos especiais no anel era “gritante”, mas poderia ser explicada por restrições orçamentárias e pelo desejo de distanciar a série do fracassado filme de Ryan Reynolds. Morrison, no entanto, apontou uma contradição narrativa: Hal Jordan justificou não usar o uniforme comparando a decisão a não usar gravata quando se fica mais velho. “O uniforme de Lanterna não é uma roupa de super-herói ou uma escolha de moda pessoal, é o uniforme da organização para a qual Jordan trabalha e, assim como o uniforme azul de um policial, sinaliza sua afiliação e autoridade”, ponderou. A analogia reforça que, para Morrison, a ausência do traje compromete a verossimilhança e a identidade do personagem.

Receção positiva e o paradoxo da adaptação

Mesmo com as ressalvas, Morrison reconheceu que “a abordagem parece ter funcionado” e que as críticas da mídia especializada são bastante positivas. O autor concluiu que, no fim das contas, o projeto agradou ao público e à crítica, deixando uma interrogação sobre o equilíbrio entre fidelidade aos quadrinhos e as limitações de uma produção televisiva seriada.

A 1ª temporada de Lanternas está em exibição na HBO e HBO Max, com episódios lançados semanalmente aos domingos. No Brasil, a série pode ser assistida na HBO Max, e a discussão levantada por Morrison toca num ponto sensível para fãs brasileiros acostumados a adaptações que priorizam o realismo em detrimento da iconografia clássica dos super-heróis. Resta saber se o orçamento reduzido será um limitador criativo ou uma escolha deliberada para construir uma narrativa mais pé no chão, como já visto em outras produções do gênero.

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