O que vai à mesa define, em grande parte, a saúde do coração. Um levantamento recente com moradores de cidades do interior, litoral e capital paulista trouxe um alerta importante: 27% dos homens relatam que alimentos industrializados predominam em sua alimentação diária. Esse padrão de consumo, somado ao baixo monitoramento do peso, forma um cenário preocupante para a saúde cardiovascular masculina e também feminina.
Os números revelam uma diferença significativa entre gêneros. Entre os homens, 39% afirmam consumir principalmente alimentos in natura, 34% mantêm equilíbrio entre os dois grupos e 27% priorizam industrializados. Já entre as mulheres, o quadro é um pouco mais favorável: 46% optam por comida fresca ou minimamente processada, 38% equilibram as escolhas e apenas 16% têm os industrializados como base da alimentação.
Industrializados em excesso: o risco cardíaco em números
Para compreender o impacto desses hábitos, é útil comparar os percentuais lado a lado:
| Consumo predominante | Homens | Mulheres |
|---|---|---|
| Alimentos in natura | 39% | 46% |
| Alimentos industrializados | 27% | 16% |
| Equilíbrio entre os grupos | 34% | 38% |
A disparidade não é apenas numérica. Homens tendem a apresentar uma relação mais permissiva com produtos prontos, como refrigerantes, biscoitos recheados, salgadinhos, macarrão instantâneo e embutidos. Esses itens, além de pobres em nutrientes, são formulações industriais carregadas de sódio, açúcar, gorduras e aditivos químicos.
O que são alimentos ultraprocessados?
Alimentos ultraprocessados são formulações industriais criadas predominantemente a partir de substâncias extraídas ou derivadas de outros alimentos. Na prática, passam por processos que alteram sua composição original e recebem ingredientes que não são usados em uma cozinha doméstica, como conservantes, corantes, aromatizantes e estabilizantes. O consumo frequente desse tipo de produto está associado a maior risco de obesidade, hipertensão, diabetes tipo 2 e doenças cardiovasculares.
Qual a diferença entre in natura, processado e ultraprocessado?
Entender as categorias ajuda a fazer escolhas mais conscientes no supermercado:
- In natura ou minimamente processado: alimentos frescos ou que passam por processos simples, como higienização, refrigeração ou moagem. Incluem frutas, verduras, legumes, feijões, arroz e carnes.
- Processado: produtos feitos com a adição de sal, açúcar, óleo ou vinagre a alimentos in natura, como conservas, compotas e queijos.
- Ultraprocessado: formulações industriais com muitos ingredientes, aditivos e substâncias de baixa qualidade nutricional.
Como identificar um ultraprocessado no supermercado?
Uma pista objetiva está na lista de ingredientes. Quanto mais extensa ela for e quanto mais nomes pouco familiares aparecerem, maior a chance de o produto ser ultraprocessado. Ingredientes como xarope de glicose, gordura vegetal hidrogenada, proteína texturizada de soja e glutamato monossódico são indicadores clássicos. A orientação é simples: quanto mais a alimentação se aproximar da comida fresca ou minimamente processada — frutas, verduras, legumes, feijões e cereais —, melhor para o coração.
O peso corporal também é um sinal de alerta
Além da alimentação, o levantamento investigou a frequência com que as pessoas acompanham o próprio peso. Os resultados mostram que as mulheres cuidam mais desse indicador: 72% afirmaram ter se pesado recentemente, contra 64% dos homens. Por outro lado, 26% dos homens e 21% das mulheres disseram que subiram na balança há mais de um ano, enquanto 10% dos homens e 7% das mulheres não lembravam ou nunca haviam se pesado.
O número na balança, vale reforçar, não é uma questão estética. O excesso de peso e, principalmente, a obesidade estão diretamente relacionados ao aumento da pressão arterial, à resistência à insulina, a alterações no colesterol e a processos inflamatórios que sobrecarregam o coração. Acompanhar esse indicador regularmente é uma forma simples de perceber mudanças antes que elas se tornem problemas mais graves.
Estratégias para reduzir o risco cardiovascular
A boa notícia é que pequenas mudanças na rotina têm efeito significativo. Priorizar alimentos in natura ou minimamente processados, reservar momentos para a prática de atividade física e manter um acompanhamento periódico de peso são atitudes que formam uma barreira contra as doenças cardiovasculares. Não é preciso eliminar completamente os industrializados da dieta, mas reduzir a frequência e a quantidade já representa um passo importante.
Cuidar da saúde do coração é um exercício diário de escolhas. Os dados do levantamento mostram que ainda há espaço para evolução, especialmente entre os homens, que aparecem em desvantagem tanto no consumo de alimentos ultraprocessados quanto no monitoramento do peso corporal. Transformar essa realidade depende menos de modismos e mais de consistência: na feira, na cozinha e na balança.

