A SNEL11, fundo de investimento imobiliário especializado em geração distribuída de energia solar, anunciou recentemente a aquisição da usina fotovoltaica UFV Paramirim, localizada no interior do estado da Bahia. Essa operação marca a primeira entrada do fundo no território baiano e representa um passo significativo na estratégia de diversificação geográfica de sua carteira de ativos. A usina já se encontra em plena operação e está integrada ao sistema de distribuição da Coelba, empresa do grupo Neoenergia.
Capacidade operacional e modelo de contrato da usina Paramirim
A UFV Paramirim possui capacidade instalada de 5 megawatts (MW), equivalente a 6,72 megawatts-pico (MWp) de potência, com geração anual estimada em 12.168 megawatts-hora (MWh). Todo esse volume de energia é produzido dentro do modelo de geração distribuída, especificamente no sistema de compensação de energia, onde o excedente gerado é injetado na rede da distribuidora e convertido em créditos para os consumidores participantes. A energia gerada pela usina está atualmente locada para a NUV Energia através de um contrato com vigência até janeiro de 2030, garantindo fluxo de caixa previsível e de longo prazo para o fundo.
Estrutura de receita e segurança para investidores
Esse tipo de contratação, comum no setor de geração distribuída, oferece estabilidade financeira ao SNEL11, pois vincula a produção de energia a acordos comerciais com prazos determinados. A previsibilidade de receita é um dos principais atrativos para os cotistas do fundo, que buscam retornos consistentes no mercado de infraestrutura energética. A localização da usina na área de concessão da Coelba, uma das maiores distribuidoras do Nordeste, também agrega segurança regulatória ao investimento.
Crescimento acelerado do fundo em 2025
A aquisição da usina baiana ocorre dentro de um contexto de expansão acelerada do SNEL11. O fundo encerrou o mês de dezembro de 2025 com resultado distribuível de R$ 9,6 milhões, fechando um ano marcado por significativa ampliação patrimonial e diversas novas operações no segmento solar. Esse crescimento foi impulsionado principalmente pela conclusão da quarta emissão de cotas do fundo, realizada no final do ano passado, que captou R$ 622 milhões junto ao mercado.
Impacto da captação no patrimônio líquido
A bem-sucedida oferta de cotas elevou o patrimônio líquido do SNEL11 para R$ 909,3 milhões, representando um crescimento de aproximadamente 192% em relação ao patrimônio registrado em junho de 2025. Esse aumento expressivo de capital permitiu ao fundo realizar uma série de aquisições estratégicas, incluindo a da UFV Paramirim, e ampliar sua presença em diferentes regiões do país.
Pacote de aquisições com 20 contratos fechados
A usina baiana faz parte de um pacote mais amplo de investimentos realizados com os recursos captados na oferta. No total, o SNEL11 celebrou 20 contratos de aquisição de ativos de geração distribuída, somando 87,5 MWp de capacidade instalada. Esses projetos estão distribuídos em 22 municípios de oito estados brasileiros, totalizando investimentos da ordem de R$ 436,2 milhões. A diversificação geográfica reduz riscos operacionais relacionados a condições climáticas específicas de uma única região.
Retorno estimado dos novos ativos
Segundo informações da gestão do fundo, os novos ativos apresentam taxa interna de retorno (TIR) real estimada em 14,44% ao ano, cálculo que já considera os custos operacionais previstos. Esse indicador demonstra a atratividade econômica dos investimentos em geração distribuída solar, mesmo em um cenário de custos de financiamento mais elevados. A rentabilidade projetada supera significativamente os índices de inflação e oferece proteção contra a desvalorização monetária.
Expansão do portfólio com projetos em fase de closing
Além da UFV Paramirim, o portfólio do SNEL11 passou a incluir outros projetos importantes que estão em fase final de incorporação ao fundo, etapa conhecida como closing. Entre eles destacam-se os projetos Cruzeiro do Sul, Soleil e Juti, que juntos somam 16,9 MWp de capacidade. A conclusão dessas aquisições ampliará ainda mais a base de ativos do fundo e contribuirá para a diversificação de sua carteira.
Potencial de aumento na geração de energia
Com a maturação completa dessas aquisições, a expectativa da gestão é que o SNEL11 amplie significativamente sua geração total de energia. O potencial de incremento chega a 153.460 MWh por ano, o que representaria um aumento de aproximadamente 195% na capacidade de geração do portfólio atual do fundo. Esse crescimento coloca o SNEL11 em posição de destaque entre os fundos imobiliários especializados em energia solar no Brasil.
Estratégia de diversificação e redução de riscos
A entrada na Bahia através da UFV Paramirim faz parte de uma estratégia consciente de diversificação geográfica e de clientes. Ao espalhar seus ativos por diferentes estados e regiões, o fundo mitiga riscos associados a variações climáticas locais, questões regulatórias específicas de cada distribuidora e concentração de receita em poucos consumidores. A Bahia, com seu alto potencial de irradiação solar, representa uma fronteira estratégica para expansão no Nordeste brasileiro.
Contexto regulatório favorável para geração distribuída
O setor de geração distribuída continua atraindo investimentos significativos no Brasil, impulsionado por um marco regulatório que estabelece regras claras para a compensação de energia e pela crescente competitividade da energia solar frente a outras fontes. A aquisição da UFV Paramirim pelo SNEL11 ocorre em um momento de consolidação do mercado, onde players com estrutura financeira sólida e capacidade de escala estão ampliando suas participações.
Perspectivas para o mercado de fundos de energia solar
A movimentação do SNEL11 reflete uma tendência mais ampla no mercado financeiro brasileiro, onde fundos imobiliários e de infraestrutura têm aumentado sua exposição a ativos de energia renovável. A previsibilidade de fluxo de caixa, os contratos de longo prazo e a proteção contra inflação (já que a energia é um bem essencial com preços indexados) tornam esses investimentos particularmente atraentes em momentos de volatilidade econômica.
O sucesso da captação de R$ 622 milhões e as subsequentes aquisições demonstram a confiança do mercado no modelo de negócios do SNEL11 e no potencial de crescimento do setor de geração distribuída solar no Brasil. À medida que mais consumidores migram para o modelo de autoconsumo com compensação e empresas buscam reduzir custos com energia através de contratos de longo prazo, a demanda por ativos como a UFV Paramirim tende a se manter aquecida, criando oportunidades contínuas para fundos especializados em infraestrutura energética.

