Ys X: Proud Nordics mantém legado de combate fluido da Falcom apesar de gráficos modestos

No cenário dos RPGs de ação, poucas franquias carregam tanto peso histórico quanto Ys. Enquanto grandes nomes do gênero consolidaram sistemas baseados em turnos, a criação da Nihon Falcom trilhou caminho oposto desde seu surgimento no PC, há quase quatro décadas. Ys X: Proud Nordics chega como décimo título da série principal mantendo essa tradição, mesmo quando o mercado pressiona por mudanças radicais e adaptações a tendências passageiras.

Lançamento ocidental segue padrão tradicional da Falcom

Como é característico da desenvolvedora japonesa, Ys X: Nordics estreou primeiro em território nipônico no final de 2023. A versão ocidental oficial só chegou em outubro de 2024, seguida pela edição definitiva batizada de Proud Nordics. Este padrão de lançamento mantém viva uma tradição dos RPGs clássicos, onde o mercado japonês sempre recebe prioridade, com localizações para outras regiões ocorrendo meses depois.

Narrativa independente dentro de cronologia compartilhada

Apesar do numeral 10 na capa, Proud Nordics apresenta história autossuficiente dentro do universo compartilhado de Adol Christin, protagonista recorrente da série. O jogo transporta os jogadores para o arquipélago de Obelia, habitado pelos Normans, povo inspirado na cultura nórdica e nos vikings. A trama se desenvolve quando Adol se vê misteriosamente conectado à guerreira Norman Karja, iniciando jornada conjunta contra os Griegr e suas criaturas que ameaçam as comunidades locais.

Ausência de localização em português limita acesso

Um ponto negativo recorrente na franquia se mantém: a falta de tradução para português do Brasil. Embora a narrativa construa laços de confiança entre protagonistas e explore tradições culturais dos Normans, jogadores brasileiros precisam filtrar diálogos prolixos em inglês ou japonês. Esta barreira linguística dificulta a consolidação da série no mercado brasileiro, onde sua popularidade ainda busca espaço.

Sistema de combate define padrão para RPGs de ação

O verdadeiro destaque de Ys X: Proud Nordics reside em seu sistema de combate, que continua sendo referência para o gênero. O hack and slash rápido e fluido mantém a essência da série, com parry e esquivas como mecanismos defensivos fundamentais. A inovação desta edição está no protagonismo compartilhado entre Adol e Karja, que podem atacar simultaneamente com habilidades distintas ou coordenar investidas sincronizadas com um único comando.

Controle duplo enriquece dinâmica das batalhas

O sistema que permite controlar ambos os personagens simultaneamente inicialmente causa estranheza, mas rapidamente revela sua profundidade estratégica. As animações das investidas coordenadas remetem à qualidade coreográfica das produções recentes de Tales Of, elevando o padrão visual dos confrontos. A fluidez característica da série se mantém intacta, desde a movimentação básica até os combos mais complexos.

Peso dos golpes compensa leveza da movimentação

Há equilíbrio deliberado no design: enquanto Adol e Karja se movem com agilidade pelos cenários, seus ataques coordenados possuem impacto visual e sonoro significativo. Esta dualidade cria ritmo dinâmico nas batalhas, alternando entre evasão ágil e investidas poderosas. Poucos RPGs de ação contemporâneos conseguem replicar esta sensação de controle preciso combinado com resposta satisfatória aos comandos.

Exploração marítima apresenta contradições de qualidade

Se o combate em terra firme é excelência pura, o mesmo não pode ser dito sobre as mecânicas navais. A navegação pelo mar aberto com o Sandras – embarcação personalizável – mostra-se monótona, com física que remete a deslizar objetos sobre superfícies planas. O combate naval, inspirado em Assassin’s Creed IV: Black Flag, não aproveita adequadamente o sistema de customização disponível.

Viagens rápidas amenizam extensão exagerada do mapa

Apesar das críticas à navegação, a exploração marítima ao estilo The Legend of Zelda: The Wind Waker funciona dentro da proposta temática. O mapa exagera na extensão, criando momentos de travessia tediosa em jornadas que podem durar dezenas de horas. Felizmente, o sistema de viagem rápida para locais já descobertos permite contornar estas seções menos interessantes.

Recompensas justificam exploração das ilhotas

O verdadeiro atrativo da exploração marítima não está na navegação em si, mas nas recompensas encontradas nas diversas ilhotas do arquipélago. Armas, proteções e itens valiosos aguardam jogadores persistentes, contribuindo significativamente para a progressão do jogo. Esta estrutura mantém o ciclo de recompensas constante, mesmo quando a mecânica de navegação falha em engajar.

Conteúdo adicional transforma experiência original

A edição Proud Nordics não é mera recompilação: traz a área adicional de Öland com os personagens Canute e Astrid, expandindo a narrativa principal. DLCs da versão original e melhorias de qualidade de vida completam o pacote, que poderia tranquilamente ser vendido como expansão standalone. Para quem já completou Ys X: Nordics, há conteúdo suficiente para justificar nova investida.

Endgame robusto com masmorras cronometradas e arena

A Falcom demonstrou cuidado especial com o conteúdo pós-jogo principal. Muspelheim oferece masmorras cronometradas com prêmios valiosos, enquanto o Bergen Coliseum serve como arena para testar habilidades em lutas sequenciais. A possibilidade de importar saves da versão original sem burocracia facilita a transição, embora a ausência de upgrade a preço reduzido seja prática questionável da NIS America.

Desempenho técnico contrasta com visual datado

Ys sempre revelou orçamentos modestos através de seus aspectos visuais, e Proud Nordics não foge à regra. Gráficos que remetem ao início da era PlayStation 3 contrastam com direção de arte elegante e modelos expressivos. A água, elemento central considerando o tema marítimo, apresenta qualidade questionável – opaca e distante dos padrões atuais, lembrando produções de PS2 e GameCube.

Modo 120 fps eleva fluidez do combate

Se o aspecto visual decepciona, o desempenho técnico surpreende positivamente. Tanto no Nintendo Switch 2 quanto no PlayStation 5, o modo dedicado a 120 fps mantém estabilidade mesmo em situações exigentes com múltiplos inimigos em áreas amplas. Após experimentar esta fluidez, fica difícil retornar a taxas de quadros menores, especialmente considerando a natureza dinâmica do combate.

Ys X: Proud Nordics consolida o que a série demonstra há décadas: a Falcom continua imbatível na criação de sistemas de combate fluidos e satisfatórios para RPGs de ação. A edição definitiva aprimora a experiência original com conteúdo adicional substancial e desempenho técnico notável, mesmo quando as limitações visuais e mecânicas navais menos polidas revelam as restrições orçamentárias do estúdio. Para fãs do gênero, representa tanto celebração do legado quanto promessa de que a essência da série permanece intacta, resistindo às pressões comerciais por mudanças radicais que poderiam descaracterizar sua identidade única.

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