A previdência aberta no Brasil registrou uma captação líquida de R$ 8,7 bilhões entre janeiro e agosto de 2026, valor 13% inferior ao apurado no mesmo período do ano anterior. O montante de ativos acumulados, porém, segue em trajetória de alta e alcançou R$ 1,9 trilhão em agosto, um crescimento de 13,2% em relação ao mesmo mês de 2025. O cenário revela um mercado que, embora continue acumulando recursos em ritmo elevado, sofre com a desaceleração no fluxo de novas contribuições líquidas.
Captação líquida em queda: o que os números revelam
Os aportes totais somaram R$ 105 bilhões nos oito primeiros meses de 2026, recuo de 5,8% na comparação anual. Paralelamente, os resgates também diminuíram, totalizando R$ 96,2 bilhões — uma retração de 5% frente ao mesmo período de 2025. Apesar da queda nas duas pontas, a diferença entre contribuições e saques continuou positiva, garantindo captação líquida positiva pelo nono mês consecutivo.
Por que a captação líquida caiu?
A redução nos aportes foi mais intensa que a queda nos resgates. Isso significa que menos dinheiro novo entrou nos planos, enquanto os saques encolheram em ritmo menor. O resultado é uma captação líquida menor. Especialistas apontam que fatores como a alta da Selic e a maior concorrência de outros produtos de investimento (como títulos públicos e CDBs) podem estar deslocando parte dos recursos para fora da previdência privada aberta.
Modalidades de previdência aberta: VGBL segue soberano
Dentro do mercado de previdência privada aberta, o VGBL (Vida Gerador de Benefício Livre) continua sendo a modalidade dominante. Entre janeiro e agosto, ele concentrou R$ 94,5 bilhões em aportes, o equivalente a 90% de todo o volume captado. O PGBL (Plano Gerador de Benefício Livre) recebeu R$ 8,7 bilhões (8,3%), enquanto os planos tradicionais — que incluem modalidades de risco, acumulação e Fundos de Aposentadoria Programada Individual (FAPI) — somaram apenas R$ 1,8 bilhão (1,7%).
Distribuição dos planos em operação
Em agosto de 2026, o país contava com 13,7 milhões de planos de previdência privada aberta ativos. Desse total, 8,6 milhões (63%) eram VGBL, 3,2 milhões (23%) eram PGBL e 1,9 milhão (14%) eram planos tradicionais. Ao todo, 11,2 milhões de brasileiros possuíam ao menos um plano ativo.
| Modalidade | Aportes (jan-ago 2026) | Participação nos aportes | Planos ativos (ago/2026) | Participação nos planos |
|---|---|---|---|---|
| VGBL | R$ 94,5 bilhões | 90,0% | 8,6 milhões | 63% |
| PGBL | R$ 8,7 bilhões | 8,3% | 3,2 milhões | 23% |
| Tradicionais (inclui FAPI) | R$ 1,8 bilhão | 1,7% | 1,9 milhão | 14% |
| Total | R$ 105 bilhões | 100% | 13,7 milhões | 100% |
O que explica o domínio do VGBL?
O VGBL atrai principalmente investidores que fazem a declaração simplificada do Imposto de Renda ou que buscam um veículo de acumulação de longo prazo sem dedução fiscal na entrada. Já o PGBL é indicado para quem faz a declaração completa e deseja abater até 12% da renda bruta tributável na base de cálculo do IR. A diferença na tributação (tabela regressiva ou progressiva) também influencia a escolha, mas o maior volume de aportes no VGBL reflete a base mais ampla de contribuintes.
Perspectivas para o mercado de previdência aberta
Com 14% do PIB brasileiro alocados em ativos de previdência privada aberta, o setor mantém relevância crescente na economia. A queda na captação líquida, no entanto, acende um alerta. Se a tendência de redução nos aportes se mantiver, o ritmo de crescimento dos ativos pode desacelerar nos próximos meses, mesmo com a valorização das carteiras. A competição com outras modalidades de investimento e o cenário macroeconômico de juros altos devem continuar pressionando a entrada de novos recursos. Resta saber se a retomada da confiança do consumidor e a estabilização da Selic poderão reverter o movimento ainda em 2026.

