Antália sedia Cúpula Global de Seguros Sustentáveis na COP31

Evento paralelo da COP31 em Antália reúne lideranças do setor securitário para debater resiliência climática e lançar white paper inovador.

Destaques
  • A Cúpula Global de Seguros Sustentáveis na COP31 é inspirada no modelo Casa do Seguro da COP30 em Belém.
  • O white paper PSI 'Da Vulnerabilidade à Segurabilidade' será lançado durante o evento.
  • Butch Bacani, da UNEP FI, alertou que eventos climáticos extremos ampliam as lacunas de proteção securitária.

A 31ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (COP31), que ocorrerá em Antália, na Turquia, entre os dias 13 e 14 de novembro, contará com a realização da Cúpula Global de Seguros Sustentáveis, evento integrado à programação oficial da Casa do Seguro. Organizada pela Associação de Seguradoras da Turquia (TSB) e pela Iniciativa Financeira do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (UNEP FI), a cúpula surge como um desdobramento direto do modelo bem-sucedido implementado na COP30, em Belém, pela Confederação Nacional das Seguradoras (CNseg). A entidade brasileira participou ativamente das discussões preparatórias, compartilhando sua experiência para viabilizar a adaptação do projeto ao contexto turco.

Da COP30 em Belém à COP31 em Antália: a evolução do modelo Casa do Seguro

O conceito de Casa do Seguro, desenvolvido pela CNseg para a COP30, provou ser um formato eficaz para integrar o setor securitário às negociações climáticas. A partir desse precedente, a TSB buscou o apoio da CNseg para estruturar uma edição equivalente na COP31. Gustavo Brum, superintendente executivo de Gabinete da CNseg, explicou que a confederação realizou uma série de encontros com a equipe da TSB com o objetivo de apresentar e compartilhar a experiência adquirida, permitindo que o modelo fosse replicado com as adaptações necessárias à realidade turca. Esse intercâmbio técnico-institucional reforça a importância da cooperação internacional para ampliar o alcance das discussões sobre resiliência climática no setor de seguros.

O papel do setor securitário diante do agravamento dos eventos climáticos extremos

Sob o tema “O Imperativo da Resiliência Climática”, a cúpula reunirá representantes do setor de seguros e financeiro, empresas, formuladores de políticas públicas, reguladores, agências da ONU, academia e sociedade civil. O foco central será o papel das seguradoras como gestoras de riscos, garantidoras e investidoras em um cenário marcado pelo aumento das perdas relacionadas a eventos climáticos extremos. Butch Bacani, head da UNEP FI, ressaltou que inundações, ciclones, incêndios florestais, ondas de calor e secas mais frequentes e severas têm provocado perdas econômicas crescentes, desestruturando famílias e empresas, ampliando as lacunas de proteção securitária e ameaçando a estabilidade financeira geral. Bacani alertou ainda que, quando ativos se tornam inseguráveis, eles podem se tornar inelegíveis para financiamentos bancários e investimentos, gerando impactos em cadeia por toda a economia.

Durante os dois dias de programação, será lançado o white paper dos Princípios para a Sustentabilidade em Seguros da ONU (PSI), intitulado “Da Vulnerabilidade à Segurabilidade”. Esse documento representa um marco estratégico, ao propor diretrizes para transformar riscos climáticos em oportunidades de proteção e investimento sustentável. A agenda da cúpula incluirá discussões sobre resiliência de cidades e países, proteção de micro, pequenas e médias empresas, riscos associados à relação entre clima e natureza, impactos climáticos sobre a saúde, dados sobre riscos climáticos e medidas de mitigação.

Execução imediata como prioridade: a visão da TSB para a COP31

Özgür Obalı, secretário-geral da TSB, enfatizou que a COP31 não pode ser apenas mais uma conferência sobre metas e ambições climáticas — deve ser sobre execução imediata. Segundo Obalı, o setor de seguros reúne condições únicas para ajudar a estruturar comunidades e economias resilientes diante do agravamento dos riscos climáticos. Essa visão se alinha com a proposta de transformar discussões em ações concretas, utilizando a expertise securitária em modelagem de riscos, precificação e investimentos de longo prazo para reduzir a vulnerabilidade dos sistemas econômicos e sociais.

A continuidade do diálogo iniciado na COP30, promovido pela UNEP FI e pela CNseg, demonstra que o setor tem avançado na construção de ferramentas e parcerias para enfrentar os desafios climáticos. O white paper PSI, em particular, fornecerá um arcabouço técnico para que seguradoras possam integrar critérios de sustentabilidade em suas operações, desde a subscrição até a gestão de ativos.

Featured snippet: O que é a Cúpula Global de Seguros Sustentáveis na COP31?

A Cúpula Global de Seguros Sustentáveis é um evento paralelo oficial da COP31, realizado nos dias 13 e 14 de novembro em Antália, Turquia, organizado pela TSB e pela UNEP FI. Inspirado no modelo da Casa do Seguro da COP30 em Belém, o evento reúne lideranças do setor securitário, financeiro, governos e academia para debater o papel das seguradoras na resiliência climática, com foco em gestão de riscos, proteção de ativos e investimentos sustentáveis. Entre os destaques, está o lançamento do white paper PSI “Da Vulnerabilidade à Segurabilidade”.

O futuro da proteção securitária passa, inevitavelmente, pela capacidade de adaptação a um cenário de riscos climáticos crescentes. A realização da Cúpula Global de Seguros Sustentáveis na COP31 não apenas consolida o espaço do setor nas negociações climáticas, mas também sinaliza que a indústria está disposta a assumir um papel proativo na construção de soluções baseadas em dados, inovação e cooperação internacional. O legado da COP30, agora replicado em Antália, mostra que a experiência brasileira pode servir de referência para outros países, e que a agenda de seguros sustentáveis veio para ficar.

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