S-Game se consagra no mercado de ação com Phantom Blade Zero

Após 45 horas de gameplay, a S-Game prova que Phantom Blade Zero é uma nova referência no gênero de ação.

Destaques
  • Phantom Blade Zero não é um Soulslike, mas sim um action game com combates fluidos inspirados em Devil May Cry.
  • O jogo conta com 30 armas divididas em três categorias e um sistema de Phantom Edges que permite personalizar o estilo de luta.
  • A história de Phantom Blade Zero, com seu final verdadeiro, é uma das melhores conclusões já vistas em um jogo de ação.

Após quatro prévias em diferentes eventos, incluindo uma passagem pela China, Phantom Blade Zero finalmente foi analisado por completo — e a espera valeu a pena. Foram 45 horas percorrendo cada canto do mundo criado pela S-Game, em uma experiência que anuncia o estúdio em grande estilo e recoloca o gênero de ação no centro do debate. Longe de ser apenas mais um promissor souls-like, o jogo tem personalidade, e é difícil sair dele sem a sensação de que a indústria acaba de ganhar uma nova franquia de respeito.

O que é Phantom Blade Zero?

Phantom Blade Zero é um jogo de ação em terceira pessoa desenvolvido pela S-Game, estúdio chinês que mistura kung-fu, elementos sobrenaturais e um toque de cyberpunk. O jogador assume Soul, um ex-membro da Ordem incriminado pelo assassinato do próprio mestre e líder do grupo. A trama se expande em uma grande conspiração envolvendo um clã vilanesco que impõe a Transcendência ao mundo, transformando pessoas em marionetes sem rosto e sem alma, tanto no sentido literal quanto no metafórico.

A S-Game não esconde as ambições do projeto. A ajuda de Donnie Yen na captura de movimentos, as coreografias inspiradas em cinema de artes marciais e um cuidado absurdo com as animações de cada arma fazem de Phantom Blade Zero uma obra que dialoga diretamente com os grandes action games da história. Apesar disso, o jogo opta por uma estrutura própria, que respeita o tempo do jogador e evita atritos desnecessários.

Qual a diferença entre Phantom Blade Zero e um Soulslike?

Apesar das comparações frequentes, Phantom Blade Zero não é um Soulslike. Inimigos não renascem ao descansar, o jogador não perde moeda ao morrer e o combate é visivelmente mais rápido e orientado a combos. Parry e esquiva são importantes, mas a fluência lembra muito mais Devil May Cry do que Dark Souls. A inspiração dos jogos da FromSoftware aparece na estrutura dos cenários, com atalhos, exploração vertical e chefões desafiadores — mas a mecânica central é outra.

Isso fica claro na primeira hora de jogo. Os combates são fluidos, cheios de golpes espectaculares, finalizadores e trocas de armas em tempo real. O jogador é incentivado a atacar, criar combos e se arriscar, em vez de esperar a hora certa de rolar. É uma diferença fundamental que separa o público: quem busca desafio paciente vai encontrar momentos difíceis, mas a filosofia aqui é a ação ininterrupta.

Combate: armas, Phantom Edges e builds

O arsenal principal é composto por 30 armas, divididas em três categorias: uma mão, duas mãos e duas lâminas. Cada categoria tem forças e fraquezas claras. Armas de uma mão oferecem equilíbrio entre velocidade e dano; as de duas mãos batem mais forte, porém mais devagar; e as lâminas duplas priorizam agressividade e velocidade, com menos potência por golpe.

CategoriaPontos fortesPontos fracos
Uma mãoEquilíbrio entre velocidade e danoNão se destaca em extremos
Duas mãosDano alto por golpeAtaques mais lentos
Lâminas duplasAtaques muito rápidosMenor potência individual

Cada arma possui animações e golpes finalizadores próprios — o esforço de animação é gigantesco, e isso transparece em combate. As armas evoluem até o nível 30, desbloqueando novas habilidades em marcos específicos. O melhor é que não há punição severa para quem quiser testar outra build: é possível reverter o investimento e recuperar integralmente o Remnant Dust e os materiais gastos. Essa filosofia de respeitar o tempo do jogador atravessa todo o jogo.

Além das armas principais, os Phantom Edges funcionam como armas secundárias com usos limitados, geralmente obtidas após derrotar chefes. Elas também evoluem até o nível 30 e incluem itens tão absurdos quanto eficientes:

  • foices de corrente, que ainda funcionam como ganchos de exploração;
  • lanças imbuídas em trovão;
  • machados colossais;
  • canhões gigantes;
  • um lança-chamas em forma de cabeça de leão;
  • uma carruagem puxada por cavalos.

Essas ferramentas não são apenas enfeites. Elas ampliam as possibilidades de abordagem e também se conectam ao level design, desbloqueando caminhos e áreas secretas. O sistema de builds ainda conta com acessórios, uma árvore de habilidades e medicamentos variados, permitindo que cada jogador monte sua estratégia para enfrentar os desafios mais difíceis.

Chefes e trilha sonora elevam a experiência

Os combates contra chefes estão entre os melhores que o gênero já viu, por vezes rivalizando com Elden Ring. A criatividade é constante: shoguns velozes, marionetes enlouquecidas, bestas colossais e dançarinos de leão que cospem fogo. A maioria dos chefes tem múltiplas fases, com arenas grandiosas e uma trilha sonora que casa perfeitamente com a ação.

A S-Game, porém, foi inteligente ao lidar com a dificuldade. Se o jogador morre em um chefe, a luta recomeça em fases posteriores, evitando a frustração de refazer uma primeira etapa já dominada. É uma decisão que pode gerar debate entre puristas, mas que na prática mantém o ritmo e a vontade de continuar. Morrer e voltar rapidamente para a parte desafiadora é muito mais respeitoso do que repetir minutos de um padrão que já foi superado.

A trilha sonora merece destaque à parte. A base instrumental chinesa, com instrumentos tradicionais, é misturada a gêneros ocidentais contemporâneos. Há passagens com deathcore e instrumentação chinesa que ficam na memória, além de faixas com trap, EDM e dance music. É raro um jogo acertar tanto na identidade sonora, e Phantom Blade Zero faz isso com naturalidade.

Exploração e design de níveis

Phantom Blade Zero é linear por design, mas os cenários são construídos para pedir exploração. Os biomas variam entre uma extensa área arborizada, uma floresta carmesim, uma vila degradada, uma cidade abandonada, um grande lago e duas regiões montanhosas. O caminho crítico nunca está longe de um beco escondido ou de uma trilha disfarçada, o que frequentemente leva a chefes secretos, itens de criação e equipamentos poderosos.

Os Phantom Edges também funcionam como ferramentas de exploração: a foice de corrente vira um gancho para atravessar vãos; o machado colossal destrói caminhos bloqueados; o lança-chamas de cabeça de leão limpa vegetação fechada. Ao encontrar uma área que exige uma ferramenta ainda não obtida, o jogo marca a localização no mapa. Não é uma marcação visual óbvia no cenário, mas um lembrete sutil de onde o jogador deve voltar — algo que evita consultas a guias externos.

A seção do lago é uma surpresa à parte. Com inspiração em The Legend of Zelda: The Wind Waker, o jogo coloca o protagonista em um barco para atravessar ilhas cheias de atividade, inimigos e aliados. A mudança de ritmo funciona bem, e o que parecia um desvio estranho se torna um dos momentos mais charmosos da campanha. Foi também a região que mais evidenciou certo deslize técnico: no PS5 básico, o Modo Gráfico sofre com quedas de frame rate, e o Modo Desempenho é a opção mais segura para aproveitar o título.

Uma história que surpreende

A narrativa é o grande trunfo de Phantom Blade Zero. Em vez de apostar apenas no estilo, a S-Game construiu uma trama de kung-fu pé no chão, repleta de personagens carismáticos, e a misturou ao sobrenatural, com pitadas de cyberpunk. Com tantos elementos, o roteiro poderia se perder — mas nunca deixa o jogador confuso sobre o que está acontecendo ou por que determinada ação é necessária.

Flores de memória, itens colecionáveis que aumentam a vida, contam as histórias de quem já morreu naquele mundo. Cartas e objetos espalhados pelos cenários aprofundam ainda mais a ambientação. É fácil pular esse tipo de conteúdo em jogos longos, mas aqui cada texto vale a leitura. Personagens como Velho Gen, que só queria ver a esposa mais uma vez, e Jovem Mestre Lan, de intenções honrosas, dão humanidade a um mundo em ruínas. Um mascarado que tenta reverter os efeitos da Transcendência tem um dos arcos mais bonitos do jogo.

O final, então, é o ponto mais alto. Após cumprir todos os requisitos para o final verdadeiro, a conclusão amarra cada detalhe da jornada com maestria. Pequenos momentos voltam com impacto gigante, e os últimos 30 minutos ficam na memória como uma das melhores conclusões já vistas em um jogo de ação. Foi um encerramento à altura de tudo o que veio antes.

O lugar de Phantom Blade Zero no panteão da ação

Phantom Blade Zero chega em um momento em que o mercado de ação está saturado de imitações de Soulslike. A S-Game, no entanto, soube pegar uma fórmula consagrada e aplicar sua própria visão, com identidade cultural forte, mecânicas refinadas e um respeito raro pelo tempo de quem joga. A obra evoca Clair Obscur: Expedition 33 não pela semelhança direta, mas pela mesma capacidade de reinventar um gênero com artesanato apurado.

É um candidato legítimo a jogo do ano e uma estreia que coloca o estúdio chinês em um patamar altíssimo. Para quem cresceu amando Devil May Cry, Ninja Gaiden e os grandes jogos de ação japoneses, Phantom Blade Zero é a prova de que o gênero ainda tem muito a evoluir — e que a S-Game chegou para disputar o trono.

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