Daniel Vávra ironiza: Ubisoft é como 70 estudos do tamanho da Warhorse

Por Gaming Central - Equipe Editorial de Games

O cofundador da Warhorse Studios, Daniel Vávra, conhecido por não ter papas na língua, voltou a provocar a indústria com uma ironia cirúrgica sobre o momento delicado que a Ubisoft atravessa. Em uma publicação no X (antigo Twitter), Vávra fez uma comparação direta entre o tamanho da gigante francesa e o do seu próprio estúdio, responsável pelo aclamado Kingdom Come: Deliverance II. “A Ubisoft tem 16.600 funcionários após os layoffs. Opa. Isso é cerca de 70 estúdios do tamanho da Warhorse”, escreveu. A declaração não veio sozinha: ele ainda calculou que, com essa força de trabalho, seria possível produzir 10 jogos do porte de KCD2, cada um desenvolvido em sete anos, e lançá-los anualmente. A pergunta final, em tom de brincadeira, foi se deveria comprar ações da empresa aproveitando a queda atual no mercado.

O contexto de crise na Ubisoft

A publicação de Vávra acontece em meio a um dos períodos mais turbulentos da história recente da Ubisoft. Há alguns meses, a empresa anunciou uma reestruturação profunda, com demissões em massa que ainda não foram totalmente concluídas. No último exercício fiscal, a companhia registrou um prejuízo recorde de 1,3 bilhão de euros, embora a diretoria projete uma recuperação significativa nos próximos anos. A situação levou ao cancelamento de diversos projetos, incluindo o remake de Prince of Persia: The Sands of Time, e a uma forte desvalorização das ações na bolsa de valores, que chegaram a cair 39% em um único pregão.

É nesse cenário que a declaração de Vávra ganha ainda mais peso. O desenvolvedor, que recentemente anunciou sua saída dos games para se dedicar a um filme baseado em Kingdom Come, usou sua experiência para questionar a eficiência de uma estrutura corporativa gigantesca. “Ubisoft tem 16.600 funcionários após os layoffs. Isso é cerca de 70 estúdios do tamanho da Warhorse. Daria para fazer 10 jogos do tamanho de KCD2, cada um com 7 anos de desenvolvimento, lançados todo ano!”, ironizou. A provocação expõe um contraste evidente: enquanto a Ubisoft opera um modelo descentralizado, com milhares de empregados espalhados por vários países e múltiplos projetos simultâneos, a Warhorse mantém uma estrutura enxuta e centralizada na República Tcheca.

O modelo Warhorse versus o modelo Ubisoft

A Warhorse Studios emprega cerca de 250 pessoas, número que Vávra considera ideal para manter o foco e a qualidade. Com esse time, o estúdio conseguiu entregar Kingdom Come: Deliverance II em um ciclo de desenvolvimento longo, mas sem a necessidade de uma coordenação complexa entre dezenas de filiais. Já a Ubisoft, com mais de 16 mil funcionários após os cortes, enfrenta desafios logísticos e de gestão que, na visão de críticos, comprometem a agilidade e a coerência criativa. “70 estúdios do tamanho da Warhorse poderiam estar fazendo 10 KCD2 simultaneamente”, brincou Vávra, sugerindo que a escala da empresa francesa não se traduz em produtividade proporcional.

Vale lembrar que o próprio Vávra já havia revelado possuir ações da Ubisoft, adquiridas no passado e que resultaram em grandes perdas. Sua pergunta final – “deveria comprar a queda atual?” – é uma provocação direta aos investidores e à própria administração da empresa. A tréplica, embora irônica, reflete um sentimento compartilhado por muitos analistas: a gigante francesa precisa urgentemente revisar sua estratégia de desenvolvimento e alocação de recursos.

A reação da indústria e as implicações

A declaração de Vávra rapidamente viralizou nas redes sociais, sendo compartilhada por executivos, desenvolvedores e jornalistas do setor. Muitos enxergam na comparação uma crítica legítima à cultura corporativa que levou a Ubisoft a perder o rumo criativo. Enquanto a Warhorse foca em um único projeto de alta qualidade, a Ubisoft tenta gerenciar um portfólio vasto e fragmentado, que nos últimos anos resultou em cancelamentos, adiamentos e títulos que não corresponderam às expectativas comerciais ou de crítica.

A situação também levanta questões sobre o futuro do emprego na indústria. Apesar dos layoffs, a Ubisoft ainda mantém uma força de trabalho imensa. Será que esse número é realmente necessário para operar ou é reflexo de uma ineficiência estrutural? A ironia de Vávra vai além do humor: ela aponta para um problema central que afeta não apenas a Ubisoft, mas diversas grandes editoras que passam por processos de reestruturação dolorosos.

Enquanto a Ubisoft tenta se reerguer, com promessas de um grande rebote nos próximos exercícios, o cofundador da Warhorse já está de olho no próximo passo. Com a saída dos games, ele pretende transformar Kingdom Come em uma franquia multimídia, começando por um filme. E, claro, não perde a oportunidade de cutucar os gigantes da indústria. A pergunta que fica no ar é: com 70 estúdios do tamanho da Warhorse, o que a Ubisoft realmente poderia estar fazendo de diferente?

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Equipe Editorial de Games
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