A Sony Interactive Entertainment está, mais uma vez, revisando sua estratégia de jogos como serviço. Desta vez, quem passou pelo crivo dos testes de jogabilidade foi Horizon Hunters Gathering, o prometido título cooperativo online ambientado no universo de Horizon. Após três rodadas de playtests realizadas no início do ano, o feedback negativo dos jogadores foi o suficiente para que a Guerrilla Games fizesse uma guinada de última hora no projeto, transformando-o de uma aposta live service em algo mais enxuto e focado na experiência cooperativa com narrativa.
A informação, oriunda de fontes próximas ao desenvolvimento, indica que a reação do público foi morna durante as sessões de teste. Um dos playtests, inclusive, aconteceu no mesmo fim de semana do server slam de Marathon, outro título live service do ecossistema PlayStation, o que pode ter diluído ainda mais a já baixa expectativa em torno do jogo. Em vez de cancelar o projeto — como fez com diversas outras apostas do tipo, incluindo um spin-off de God of War e outro de The Last of Us — a Sony optou por dar um voto de confiança condicional ao estúdio.
O replanejamento de Horizon Hunters Gathering
O novo direcionamento é claro: Horizon Hunters Gathering deixou de ser um “live service” para se tornar um jogo cooperativo tradicional, com uma história definida e escopo reduzido. A decisão foi tomada após a direção da Sony comunicar à equipe que o próximo marco de desenvolvimento, previsto para dezembro, precisará impressionar os executivos. Caso contrário, o título pode se juntar à crescente lista de projetos cancelados da companhia.
Atualmente, a maior parte dos desenvolvedores que trabalhavam em Horizon Hunters Gathering foi realocada para outros projetos. Restou apenas uma equipe reduzida dentro da Guerrilla Games cuidando da reformulação, enquanto o estúdio principal segue concentrado no próximo título single-player da franquia Horizon.
Por que a Sony está recuando do live service?
O movimento não é isolado. Após o fracasso retumbante de Concord, que foi retirado do ar poucas semanas após o lançamento, e o desgaste inevitável de Destiny 2, que teve seu ciclo de atualizações live service encerrado, a postura da Sony mudou drasticamente. Dos títulos do tipo que ainda restam no portfólio, apenas Helldivers 2 e a série MLB The Show</ présente apresentam desempenho satisfatório. O primeiro, vale notar, é desenvolvido por um estúdio terceirizado (Arrowhead Game Studios), e o segundo é uma franquia esportiva anual que se beneficia de um público cativo e previsível.
Isso deixa Fairgames, o prometido jogo de assalto PvP, em uma posição delicada. Desde 2023, poucas informações oficiais surgiram, e relatos de desenvolvimento indicam que a equipe ainda luta para encontrar diversão na versão pré-alfa do game. O cenário é de incerteza para a ambição de transformar a PlayStation em uma potência do segmento de serviços.
Análise: O que isso significa para o futuro da franquia Horizon?
A decisão de não simplesmente cancelar Horizon Hunters Gathering, mas sim reformulá-lo, demonstra que a Sony ainda vê valor no potencial multiplayer do universo de Aloy. No entanto, a abordagem mudou: em vez de um jogo que precisa reter jogadores por anos com atualizações sazonais e microtransações, o estúdio agora busca uma experiência que possa ser finalizada, vendida e apreciada como um produto completo.
Para o jogador brasileiro, acostumado com títulos single-player robustos e narrativas densas, essa pode ser uma notícia alentadora. O mercado local sempre respondeu bem à franquia principal, e um cooperativo de escopo mais contido, sem as amarras de um serviço contínuo, tende a oferecer uma experiência mais palatável e menos suscetível a servidores vazios no futuro. A verdadeira prova será o milestone de dezembro. Se a Guerrilla não conseguir demonstrar uma visão sólida e divertida, o jogo pode nunca ver a luz do dia, e a Sony terá mais uma pá para cavar a cova da sua estratégia live service.
