O fim de semana do Santos no Campeonato Brasileiro foi marcado por um empate sem gols contra o Cruzeiro, mas a ausência de Neymar do jogo, justificada pelo clube como “controle de carga”, gerou menos manchetes do que as atividades paralelas do astro. Enquanto sua equipe entrava em campo às 16h de domingo, Neymar já estava há horas imerso em um intenso torneio de pôquer online de alto nível, uma maratona que se estendeu por todo o fim de semana e somou cerca de 24 horas de jogo.
Maratona de pôquer online coincide com ausência em jogo oficial
De acordo com apuração exclusiva do portal LeoDias, a imersão de Neymar no pôquer começou na sexta-feira com partidas entre familiares. O compromisso sério, no entanto, teve início no sábado, às 14h30, e se estendeu até perto das 22h. No domingo, o jogador retomou a disputa por volta das 14h, antecedendo em duas horas o apito inicial da partida do Santos, e só parou próximo das 23h. Caso não fosse eliminado, ele ainda teria rodadas programadas para segunda e terça-feira, sempre no mesmo horário. A justaposição dos horários coloca em evidência a escolha do atleta de priorizar o torneio virtual em detrimento de qualquer envolvimento, mesmo que simbólico, com o jogo de seu clube.
Estratégia de reentradas e prejuízos financeiros no torneio
O torneio em questão é de alto escalão, com uma inscrição inicial, o “buy-in”, ultrapassando 5 mil dólares, aproximadamente R$ 26,3 mil. A dinâmica permite que jogadores eliminados recomprem fichas, em um mecanismo conhecido como “reentrada”. Segundo as informações apuradas, Neymar realizou pelo menos quatro dessas reentradas ao longo do sábado, continuando a injetar dinheiro na competição durante a noite. Por volta das 21h, após perder suas fichas novamente, ele fez mais uma entrada. Até o momento, apenas o custo das reentradas neste torneio específico já supera a marca de 20 mil dólares, o equivalente a mais de R$ 105 mil.
Fontes próximas ao ambiente do pôquer informaram à reportagem que Neymar costuma participar de várias mesas paralelas e que seu desempenho é mais de perdas do que de ganhos, o que potencializa significativamente os prejuízos financeiros. O valor das reentradas representa apenas o custo para continuar na disputa, sem contabilizar as perdas acumuladas durante as próprias partidas.
Nick oculto e identificação da participação do jogador
Durante a competição, registros obtidos mostram que Neymar chegou a ocultar seu “nick” (apelido virtual) na plataforma, uma prática que impede a visualização pública de seus resultados em tempo real por outros usuários. Ainda assim, foi possível confirmar sua participação porque o próprio jogador já havia exposto seu nome de usuário único anteriormente em seus stories no Instagram. Como cada nick é exclusivo e não pode ser replicado por outra pessoa, a identificação tornou-se inequívoca.
Questionamentos sobre prioridades e desgaste em meio a fase difícil do Santos
O episódio ocorre em um momento delicado para o Santos, que ocupa a 16ª posição no Campeonato Brasileiro, zona de rebaixamento. A ausência do principal jogador, mesmo com justificativa médica, levantou questionamentos internos sobre a real prioridade do atleta. A expectativa em alguns setores do clube era de que, mesmo não jogando, Neymar pudesse ao menos acompanhar a delegação ou estar próximo ao elenco, em um gesto de apoio e integração durante uma fase de tensão no campeonato.
Além da questão das prioridades, o desgaste envolvido em uma maratona de pôquer de alto nível entra na discussão. Um torneio desse porte exige concentração prolongada, suporta pressão psicológica constante e demanda alto envolvimento emocional, especialmente com valores financeiros elevados em jogo. Especialistas em desempenho atlético frequentemente alertam para a importância da recuperação mental, que pode ser tão crucial quanto a física.
Posicionamento oficial do Santos sobre o controle de carga
Procurado pelo portal LeoDias, o Santos emitiu uma nota reafirmando a justificativa técnica para a ausência de Neymar. O clube declarou que o atleta segue em “controle de carga”, definido como o monitoramento diário da intensidade e do volume de treinos e jogos de cada atleta, com o objetivo de equilibrar esforço e recuperação para otimizar o desempenho e prevenir lesões. A assessoria do clube foi enfática ao afirmar que Neymar “não tem lesão, não tem problema e ficou apenas fazendo esse controle, sendo assim preservado do jogo diante do Cruzeiro”. O comunicado não fez qualquer menção às atividades do jogador durante o período de preservação.
O caso expõe uma zona cinzenta no manejo de atletas de alto rendimento na era digital: onde termina o tempo de descanso controlado e começa a atividade pessoal de alto desgaste mental? Enquanto o Santos busca pontos vitais para escapar da zona de rebaixamento, a imagem do seu maior craque dedicando um fim de semana inteiro a uma competição virtual de pôquer, com investimentos financeiros vultosos, cria uma narrativa paralela que vai além do campo e toca em temas como profissionalismo, foco e a gestão da imagem de um ídolo esportivo em um momento crítico para sua equipe. A pressão por resultados no Campeonato Brasileiro apenas intensifica o escrutínio sobre como Neymar administra seu tempo e energia fora dos gramados.

