Ondas de calor matam mais de 30 mil na Europa

Verão de 2026 quebra recordes de mortalidade na Europa com mais de 30 mil mortes atribuídas às ondas de calor consecutivas.

Ondas de calor consecutivas na Europa em 2026 causaram mais de 30 mil mortes, com destaque para Alemanha e França.
Destaques
  • A última semana de junho foi a mais letal, com quase 16 mil mortes acima do esperado na Europa.
  • A Alemanha registrou 14 mil mortes relacionadas às ondas de calor, o maior número desde 2016.
  • A França contabilizou 7.300 mortes acima do esperado, com novas ondas de calor ainda fora da análise.

O verão de 2026 entrará para a história da Europa como um dos mais letais desde o início dos registros sistemáticos. Dados da plataforma EuroMomo indicam que mais de 32 mil mortes acima do esperado foram registradas no continente entre meados de julho e meados de agosto, vítimas diretas e indiretas das sucessivas ondas de calor que assolaram a região. O número, ainda provisório, tende a aumentar conforme novos dados oficiais forem consolidados nas próximas semanas.

O pico de mortalidade durante as ondas de calor

A análise dos dados semanais revela um padrão alarmante: a última semana de junho foi a mais mortal de todo o período, com quase 16 mil mortes acima do esperado. A primeira semana de julho, logo em seguida, registrou aproximadamente 8 mil mortes. Esses dois picos coincidiram exatamente com as ondas de calor excepcionais que atingiram o centro e o sul do continente, combinadas com uma seca generalizada que criou condições ideais para incêndios florestais em múltiplos países.

A EuroMomo compila estatísticas oficiais de 23 nações, mas o modelo não inclui boa parte do leste europeu, o que significa que o número real de fatalidades pode ser significativamente maior. A AFP, em análise independente, cruzou dados provisórios de oito países e chegou a 33 mil mortes acima do esperado ou diretamente relacionadas ao calor.

Alemanha: recorde histórico e o padrão entre idosos

A Alemanha foi um dos países mais castigados, com 14 mil mortes relacionadas às ondas de calor até 9 de agosto, segundo o Instituto Robert Koch. Esse número é o maior desde o início da série histórica em 2016 e reforça um padrão observado em toda a Europa: pessoas com mais de 75 anos foram as mais afetadas. O organismo de saúde alemão destacou que a vulnerabilidade térmica dos idosos, combinada com a falta de infraestrutura de refrigeração em muitas residências, agravou o cenário.

França, Espanha e o peso do calor no sul da Europa

Na França, as autoridades de saúde registraram 7.300 mortes acima do esperado entre o fim de maio e 22 de julho. O número deve crescer, pois uma longa onda de calor iniciada no fim de julho havia terminado recentemente, ainda fora da janela de análise. Na Espanha, o Instituto Carlos III contabilizou quase 4.500 mortes atribuídas ao calor entre 1º de junho e 19 de agosto, o maior volume para o período desde 2022.

Inglaterra, Bélgica e Países Baixos: o impacto no norte

Na Inglaterra, a autoridade de saúde e segurança estima 2.877 mortes relacionadas ao calor durante as ondas de maio e junho, número que se aproxima do recorde histórico de 2.985 mortes do verão de 2022. O alerta é que o total de 2026 pode ser substancialmente maior, considerando outras ondas de calor registradas ao longo do ano. Na Bélgica, o instituto nacional de saúde pública Sciensano estima 2.570 mortes acima do esperado entre 18 de junho e 17 de julho, com atualização prevista para setembro. Nos Países Baixos, o RIVM aponta 968 mortes acima do esperado entre 22 de junho e 5 de julho.

Áustria e Portugal: dados complementares

A Áustria registrou 396 mortes relacionadas às ondas de calor em junho, o maior número para o mês desde 2017, segundo a agência AGES. Em Portugal, a Direção-Geral da Saúde contabilizou mais de 600 mortes acima do esperado entre meados de junho e o fim de julho. Esses números, embora menores em termos absolutos, representam impactos proporcionais significativos em populações menores.

O que explica o alto número de mortes?

As ondas de calor consecutivas não permitiram que o organismo da população mais vulnerável se recuperasse entre os episódios. A combinação de temperaturas máximas recordes, noites tropicais (quando a temperatura não cai abaixo de 20°C) e a ausência de infraestrutura adaptada em muitas residências europeias, que historicamente não contam com ar-condicionado, criou um estresse térmico prolongado. Doenças cardiovasculares e respiratórias pré-existentes foram agravadas, e a desidratação foi um fator crítico entre os idosos.

Projeções e contexto para o leitor brasileiro

O verão europeu de 2026 se consolida como um estudo de caso sobre os limites da adaptação humana a eventos climáticos extremos. Para o Brasil, país onde o calor intenso é uma constante, mas a mortalidade por ondas de calor é subnotificada, os dados europeus servem como alerta. Enquanto a Europa corre para adaptar sua infraestrutura e sistemas de saúde pública, o país ainda carece de uma base de dados robusta como a EuroMomo para dimensionar corretamente o impacto real das altas temperaturas sobre a população.

Compartilhar este artigo
Canal oficial de conteúdo do portal Overcentral. A Equipe Central produz notícias, guias e análises com foco em credibilidade e relevância, garantindo que você receba o melhor conteúdo editorial diariamente.