Windows 11 ganha atualização que acelera interface do sistema

Atualização opcional KB5089573 promete até 70% de aceleração na interface do Windows 11 com o novo perfil de baixa latência.

O recurso Low Latency Profile eleva o clock da CPU por 1 a 3 segundos ao interagir com o sistema, usando a técnica Race to Sleep.
Destaques
  • A Microsoft lançou a atualização KB5089573 com o recurso Low Latency Profile para acelerar a interface do Windows 11.
  • A técnica Race to Sleep eleva o clock da CPU por curtos períodos para melhorar a fluidez sem aumentar significativamente o consumo de energia.
  • O projeto K2 visa reescrever componentes da interface usando WinUI 3 para eliminar lentidão de longo prazo.

A Microsoft lançou em 26 de maio a atualização opcional KB5089573 para o Windows 11, trazendo uma mudança significativa na forma como o sistema operacional lida com a resposta da interface do usuário. Conhecida internamente como Low Latency Profile, a novidade é uma função de boost de CPU projetada para eliminar aquela sensação de lentidão ao abrir o Menu Iniciar, a Central de Ações ou o menu de contexto do clique direito. A promessa é de uma aceleração de até 70% na resposta das operações da shell, atacando um dos calcanhares de Aquiles do sistema desde o seu lançamento.

O que muda com o Low Latency Profile no Windows 11

Ao instalar o KB5089573 (builds 26200.8524 ou 26100.8524), o usuário perceberá uma diferença imediata na fluidez dos componentes nativos do Windows. O mecanismo é direto: no momento exato em que você interage com a interface, o clock da CPU é elevado ao máximo por um curto período, entre 1 e 3 segundos. Assim que a renderização da tela é concluída, o processador retorna instantaneamente ao estado ocioso de baixo consumo. Essa abordagem, chamada de Race to Sleep, prioriza picos de desempenho curtos e intensos para evitar o trabalho prolongado em baixa frequência, que é justamente o que causa a sensação de arrasto.

É importante destacar que, neste primeiro momento, a otimização se restringe aos elementos de interface do próprio sistema operacional. O Menu Iniciar, a busca e a Central de Ações são os principais beneficiados. A aceleração na abertura de aplicativos de terceiros, como navegadores e suites de escritório, deve ficar para uma atualização futura.

Race to Sleep: a técnica que acelera a interface sem gastar bateria

A lógica por trás do Race to Sleep pode parecer contra-intuitiva para quem pensa que elevar o clock do processador sempre resulta em maior consumo de energia. Na prática, o cenário é outro. Imagine uma tarefa que exige um certo poder de processamento para ser concluída. Se a CPU ficar rodando em uma frequência baixa por vários segundos para finalizá-la, o consumo total de energia pode ser maior do que se ela trabalhasse no limite por apenas 1 ou 2 segundos e depois dormisse profundamente. É mais eficiente dar um sprint curto e descansar do que caminhar devagar por um longo período.

Essa não é uma tecnologia nova ou exclusiva da Microsoft. Sistemas como macOS, Linux e os sistemas operacionais de smartphones Android e iOS já utilizam esse princípio há anos. Ao tocar na tela de um celular, os núcleos da CPU são acordados instantaneamente, o clock sobe, o frame é renderizado e o sistema volta ao estado inativo em milissegundos. A grande questão é que o Windows 11 demorou a implementar essa estratégia de forma tão explícita para a sua interface principal.

Microsoft responde às críticas sobre “aceleração forçada”

Desde que a existência do Low Latency Profile veio a público, parte da comunidade reagiu com ceticismo. As críticas mais comuns apontam que a Microsoft estaria usando força bruta do processador para mascarar um código mal otimizado, especialmente em uma interface que ainda carrega resquícios de tecnologias web. A insatisfação é compreensível, dado o histórico do Windows 11 com serviços em segundo plano e a controversa integração de funcionalidades de IA.

Scott Hanselman, Vice President e Technical Staff da Microsoft e figura conhecida no ecossistema de desenvolvimento, saiu em defesa da equipe. Em declarações públicas, Hanselman explicou que o Race to Sleep é um padrão da indústria para equilibrar responsividade e economia de energia. Ele rebateu as críticas afirmando que o usuário não “descobriu” um atalho, mas sim a aplicação de um conceito fundamental de escalonamento dinâmico de frequência (Dynamic Frequency Scaling), presente em qualquer sistema moderno.

“Os smartphones já fazem isso o tempo todo. Você toca na tela, o core acorda, o clock sobe, o frame é desenhado e, milissegundos depois, ele volta a dormir. O que você encontrou é o escalonamento dinâmico de frequência”, afirmou Hanselman. Tecnicamente, seu argumento é sólido. O curto pico de clock não é uma “gambiarra”, mas sim a forma mais eficiente de garantir que a interface responda instantaneamente sem drenar a bateria do notebook.

Como ativar a atualização e o recurso manualmente

Instalar o KB5089573 não garante que o recurso será ativado imediatamente em todas as máquinas. A Microsoft está utilizando o sistema de CFR (Controlled Feature Rollout), um método de distribuição gradual. O código da função já está presente na atualização, mas a chave de ativação é ligada remotamente pelos servidores da Microsoft à medida que a estabilidade é confirmada. A previsão é que a ativação completa ocorra com a atualização de segurança de junho.

Para quem não quer esperar, é possível forçar a ativação usando a ferramenta ViveTool. Antes de começar, verifique se o sistema está na build correta (26200.8524 ou 26100.8524) em Configurações > Sistema > Sobre. O processo exige atenção, mas é simples:

  1. Baixe a versão mais recente do ViveTool no GitHub oficial do projeto e extraia os arquivos em uma pasta de fácil acesso.
  2. Abra o Prompt de Comando como Administrador.
  3. Navegue até a pasta onde os arquivos foram extraídos e execute o comando: vivetool /enable /id:58989092codecodecodecodecodecode
  4. Reinicie o computador.

Para desabilitar o recurso, basta repetir o processo substituindo /enablecodecodecodecodecodecode por /disablecodecodecodecodecodecode. Vale lembrar que, após a atualização oficial de junho, essa chave provavelmente será removida e o recurso passará a ser padrão.

O projeto K2: a verdadeira reforma por trás dos panos

O Low Latency Profile não é uma iniciativa isolada. Ele faz parte de um projeto interno de maior escala chamado K2, que visa reescrever partes fundamentais do Windows 11 para melhorar desempenho e confiabilidade. O K2 envolve, principalmente, a migração dos componentes centrais da interface, como o Menu Iniciar e o Explorador de Arquivos, do antigo framework baseado em tecnologias web (como XAML Islands) para o WinUI 3, um framework de UI nativo e muito mais leve.

Se o Low Latency Profile é uma injeção de desempenho imediata para aliviar os sintomas, o uso do WinUI 3 é o tratamento de longo prazo. Enquanto o boost de CPU acelera temporariamente o processamento de um menu pesado, a reescrita em código nativo promete eliminar a causa raiz da lentidão. Quando ambas as frentes estiverem concluídas, o Windows 11 finalmente poderá oferecer uma fluidez de interface comparável à de concorrentes como o macOS ou os sistemas de smartphones.

A decisão da Microsoft de finalmente ouvir as queixas sobre a lentidão da interface e agir de forma técnica é louvável. No entanto, o caminho até aqui foi longo e custoso para a reputação do sistema. Afinal, foi a própria Microsoft que optou por construir um Menu Iniciar usando uma base web, e é a mesma Microsoft que agora se vê na obrigação de refazê-lo. Para o usuário final, a esperança é que, com o K2 e o Race to Sleep, o ato mais básico de clicar em um botão deixe de parecer uma tarefa hercúlea para o sistema.

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