Seguro de moto: renovações saltam para 37% das cotações em 12 meses

Dados da Serasa mostram que motociclistas estão tratando o seguro como despesa fixa, com renovações crescendo 19 pontos percentuais em um ano.

Seguro de moto: renovações saltam para 37% das cotações em 12 meses
Destaques
  • As renovações de seguro de moto saltaram de 18% para 37% das cotações nos últimos 12 meses.
  • No segmento de automóveis, as renovações superaram os novos contratos pela primeira vez, representando 53% das distribuições.
  • O Nordeste lidera as cotações de seguro de moto no Brasil, com 44,8% do total.

O mercado de seguros brasileiro está passando por uma transformação silenciosa, mas significativa. Embora a busca por novas apólices ainda domine o segmento de motocicletas, as renovações dispararam nos últimos 12 meses, saltando de 18% para 37% do total de cotações registradas pela Serasa. O dado sugere que o motociclista brasileiro está, aos poucos, deixando de ver o seguro como uma despesa eventual e começando a tratá-lo como um item fixo no orçamento.

A tendência de fidelização não é exclusiva das duas rodas. Nos automóveis, as renovações também avançaram e já representam 53% das distribuições das cotações, superando pela primeira vez a fatia dos novos contratos, que recuou para 47%. O movimento indica um amadurecimento do mercado, onde a base de clientes existente passa a ter tanto peso quanto a captação de novos segurados. No caso específico das motos, o crescimento da renovação é particularmente notável, pois parte de uma base muito menor e em um ciclo de apenas um ano.

O perfil do consumidor: por que moto e carro atraem públicos tão diferentes?

A análise dos dados demográficos revela que a escolha entre seguro de moto e de carro reflete, na verdade, momentos distintos da vida financeira e pessoal do brasileiro. Entre os automóveis, os homens representam 60,8% das cotações, e a maioria deles (62,8%) é casada. A faixa etária predominante está entre 36 e 45 anos, concentrando 28,5% das buscas. Já no segmento de motocicletas, a presença masculina também é majoritária (63,4%), mas o perfil se inverte: o público é majoritariamente solteiro, e a faixa etária mais relevante está entre 26 e 45 anos, que sozinha responde por 53,8% das cotações.

Essa diferença não é apenas uma curiosidade estatística. Ela impacta diretamente a forma como as seguradoras precificam e oferecem os produtos. Um jovem solteiro de 28 anos, usando a moto como principal meio de locomoção para trabalho e lazer, tem uma relação com o risco muito diferente de um homem casado de 40 anos, utilizando o carro para deslocamentos familiares. O gerente executivo de seguros da Serasa, Rodolfo Brandão, contextualiza que a escolha do veículo e a decisão de protegê-lo estão ligadas a diferentes necessidades de mobilidade, orçamento e planejamento financeiro.

Sudeste perde força nos automóveis, Nordeste lidera nas motos

Geograficamente, o comportamento do consumidor também revela nuances importantes. A região Sudeste, tradicionalmente o motor da economia e que concentrava 67,4% das cotações de seguros de automóveis, viu sua participação cair para 58% em um ano. A redução sugere uma interiorização da demanda ou um crescimento mais acelerado de outras regiões. Seja como for, o mercado de seguros de carro está se descentralizando.

No caso das motocicletas, a liderança é incontestável e vem do Nordeste, que responde por 44,8% das cotações. O dado reforça o papel da moto como ferramenta de trabalho e transporte acessível em capitais e cidades médias da região, onde o trânsito e o custo do combustível tornam as duas rodas uma opção mais prática e econômica.

Custo ainda é a maior barreira, mas percepção de valor existe

A pesquisa da Serasa também escutou a percepção geral da população sobre a proteção veicular. Apesar do crescimento nas renovações, o seguro ainda é visto como artigo de luxo por muitos. Apenas 34% dos brasileiros consideram o seguro de carro importante para sua realidade financeira. No caso da moto, esse número cai para 15%. A discrepância mostra que, para uma grande parcela da população, a moto é um bem de menor valor e, portanto, de menor prioridade de proteção financeira contra sinistros.

O principal inibidor da contratação, no entanto, é o bolso. Cerca de 59% dos brasileiros afirmam que um preço mais acessível seria o principal incentivo para contratar ou renovar uma apólice, seja de carro ou moto. Entre os que já possuem seguro para automóvel, o gasto mensal mais comum (45% dos casos) está na faixa entre R$ 200 e R$ 500. Ainda assim, o mercado enxerga espaço para expansão: 18% dos brasileiros que não possuem seguro atualmente manifestaram a intenção de contratar um nos próximos seis meses.

Como funciona a decisão de contratar um seguro no Brasil?

A decisão de contratar um seguro não se resume a comparar preços de parcelas. É preciso avaliar o impacto que a perda total ou um dano grave ao veículo teria sobre o orçamento familiar. Para um consumidor que financiou a moto em 48 parcelas, a perda do bem sem cobertura pode representar um rombo financeiro de anos. Por outro lado, um seguro com franquia muito alta ou coberturas inadequadas pode não valer a pena para um veículo de baixo valor de mercado.

O processo ideal envolve a comparação de coberturas, condições de franquia, carências e serviços agregados (como assistência 24 horas e carro reserva). Plataformas digitais que centralizam ofertas de diferentes seguradoras, como a oferecida pela própria Serasa, tentam facilitar essa comparação, permitindo que o consumidor personalize a proteção de acordo com seu perfil de risco e orçamento. É um caminho que visa tornar a decisão mais informada e menos baseada apenas no preço da primeira parcela.

O cenário atual aponta para um mercado de seguros mais maduro, especialmente no segmento de motocicletas. O salto nas renovações indica que, para uma parcela dos motociclistas, a proteção deixou de ser um “extra” sazonal para se consolidar como um hábito. Ainda há um longo caminho para aproximar a percepção de importância do seguro de moto (15%) da realidade de quem depende da moto diariamente, mas os números mostram que a engrenagem está se movendo na direção certa.

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