XP salta 30% e supera preço-alvo do Itaú BBA em um dia

Ações da XP disparam 30% em um dia e superam projeção do Itaú BBA para 2027, reacendendo debate sobre valuation.

Destaques
  • As ações da XP Investimentos saltaram 30% em um dia, superando o preço-alvo do Itaú BBA.
  • O Itaú BBA estima que a XP pode ter valorização adicional de 34% se o múltiplo P/L atingir 13 vezes.
  • No cenário otimista ampliado, o potencial de valorização da XP chega a 53% em relação ao preço-alvo original.

As ações da XP Investimentos registraram um salto de 30% em uma única segunda-feira, fechando a US$ 28,15 e deixando para trás o preço-alvo de US$ 27 que o Itaú BBA havia estabelecido para o fim de 2027. O movimento, impulsionado pelo cenário eleitoral, não apenas superou a projeção da corretora como também reacende o debate sobre o verdadeiro valor da companhia no mercado de capitais brasileiro.

O Itaú BBA elevou seu preço-alvo de US$ 22 para US$ 27 e reiterou a recomendação de compra, apoiando-se na tese de que a XP é a empresa do setor com maior potencial de valorização tanto por crescimento dos lucros quanto por expansão de múltiplos. No entanto, com o papel sendo negociado acima desse patamar, parte do upside projetado foi antecipado pelo mercado.

Atualmente, a XP é negociada a 9,6 vezes o lucro estimado para os próximos 12 meses (P/L), cerca de 9% abaixo de sua média histórica recente. O Itaú destaca que a ação negocia com desconto em relação ao próprio histórico e também frente a concorrentes como BTG Pactual (BPAC11) e B3 (B3SA3). Caso o múltiplo avance para aproximadamente 13 vezes — o limite superior de um desvio-padrão acima da média —, o papel teria potencial de valorização adicional de cerca de 34%, mesmo após o salto recente.

Por que o Itaú BBA está otimista com a XP?

A tese do banco está apoiada em três frentes principais: retomada da atividade dos investidores de varejo, melhora na monetização da renda fixa e ganhos de eficiência operacional. Cada um desses pilares pode gerar aumento de receita e lucro, justificando a visão otimista.

Retomada do varejo

Os investidores pessoas físicas mantêm atualmente cerca de 15,2% de suas carteiras em ações, contra quase 30% em 2020. O volume negociado está próximo da parte inferior da faixa histórica. No cenário-base para 2027, o Itaú considera um volume médio diário negociado em ações de R$ 4,4 bilhões. Se a alocação em ações avançar para 17,3% e a rotatividade das carteiras chegar a 112%, o volume poderia alcançar cerca de R$ 5,6 bilhões, elevando a receita bruta da XP em 6%, sem alteração na taxa de monetização. Em um cenário mais otimista, com 19,3% em ações e rotatividade de 138%, o volume médio diário poderia chegar a R$ 7,7 bilhões, representando alta de 10% a 16% na receita bruta.

Melhora na monetização da renda fixa

O banco avalia que uma maior participação das ações nas carteiras reduziria o peso dos produtos de renda fixa nos investimentos totais. No entanto, uma melhora na monetização poderia compensar esse efeito, especialmente se a queda dos juros estimular a migração de aplicações com liquidez diária para títulos corporativos de prazo mais longo.

Eficiência operacional

Em relação à eficiência, o cenário-base para 2027 considera margem antes dos impostos de 30,7%. Se a receita ficar 9% acima do esperado e houver uma melhora de 0,75 ponto percentual na eficiência, o lucro antes dos impostos poderia aumentar mais de 11%.

Os cenários para o preço-alvo da XP

O preço-alvo de US$ 27 considera um lucro estimado de R$ 6 bilhões em 2027 e múltiplo de 12,2 vezes o P/L. O Itaú também simulou outros cenários, que mostram tanto oportunidades quanto riscos.

CenárioLucro Líquido (R$)Múltiplo P/LPreço estimado (US$)
Base (alvo atual)6 bilhões12,2x27
Otimista moderado6 bilhões13x29
Otimista ampliado7,1 bilhões13x33
Negativo6 bilhões7x15

No cenário otimista ampliado, o potencial de valorização chega a 53% em relação ao preço-alvo original de US$ 22, enquanto no negativo a queda seria de aproximadamente 30%. Com a cotação atual em US$ 28,15, a ação já supera o alvo base, mas ainda há espaço para ganhos caso a empresa atinja os patamares mais altos de lucro e múltiplo.

O que esperar daqui para frente?

O movimento recente mostra como o humor do mercado pode atropelar projeções fundamentadas. Para investidores, o caso da XP ilustra a importância de acompanhar tanto as teses de valuation quanto os ventos do cenário macroeconômico e eleitoral. Se a empresa conseguir capturar a retomada do apetite dos investidores de varejo e melhorar sua eficiência, ainda há espaço para valorização adicional. Por outro lado, um cenário negativo com contração de múltiplos pode levar a uma desvalorização significativa.

Compartilhar este artigo
Canal oficial de conteúdo do portal Overcentral. A Equipe Central produz notícias, guias e análises com foco em credibilidade e relevância, garantindo que você receba o melhor conteúdo editorial diariamente.