Um cenário onde a tecnologia antigravitacional transformou Nova York em uma cidade flutuante durante os anos 1930 serve como pano de fundo para Aether & Iron, o próximo RPG narrativo da Seismic Squirrel que promete combinar visual novel, batalhas táticas com veículos personalizáveis e um sistema de escolhas com consequências profundas. Com lançamento previsto para 31 de março, o jogo já chama atenção pela estética decopunk e pela promessa de um mundo reativo onde cada decisão do jogador ecoa na narrativa.
Inspirações históricas e a construção de um mundo divergente
Pablo Ariznabarreta, Business Development Manager da Ark One Studios, explica que Aether & Iron possui uma identidade marcante que evoca inspirações queridas, mas se constrói a partir de um marco histórico divergente: a descoberta do Éter. “Mergulhar em um mundo de fantasia fortemente enraizado em um momento histórico específico nos permite revisitar uma visão de mundo com uma sensação de familiaridade, admiração e encantamento”, afirma. O jogo se passa em uma Nova York alternativa dos anos 1930, período marcado por crise econômica, desigualdade crescente e fascínio pelo progresso industrial pós-Primeira Guerra Mundial.
Art Déco como resposta a um mundo caótico
A estética Art Déco, central no visual do jogo, nasceu precisamente desse contexto: otimismo tecnológico misturado com desejo por ordem e glamour. “A Déco pretendia evocar ordem visual em um mundo caótico, buscando impor harmonia visual a um mundo fragmentado”, detalha Ariznabarreta. Nesse universo, a tecnologia antigravitacional ampliou a distância social entre vencedores e perdedores, criando uma sociedade de glamour superficial, mas autoritária e implacável.
“A cidade se lembra”: o sistema de escolhas com consequências imediatas
Uma das frases definidoras de Aether & Iron é “A cidade se lembra”, conceito que encapsula como as escolhas do jogador funcionam. “Este não é um jogo em que as decisões apenas mudam uma linha de diálogo ou alteram o final em um epílogo distante. As consequências são sistêmicas e imediatas. O mundo reage — e continua reagindo”, explica o desenvolvedor. Muitas escolhas têm impacto direto em como os companheiros reagem à protagonista Gia, uma contrabandista que constrói sua reputação nesse ambiente hostil.
Relações dinâmicas que afetam a jogabilidade
A evolução dos relacionamentos não é apenas narrativa — afeta diretamente a eficácia no jogo. “Um companheiro que confia em você pode se comportar de maneira diferente de um que se sente em conflito ou ressentido”, revela Ariznabarreta. Em casos específicos, uma escolha importante pode alterar fundamentalmente a funcionalidade e o conjunto de habilidades de um personagem, modificando seu papel na equipe de forma que reflita o caminho escolhido pelo jogador.
Carros personalizáveis no centro da jogabilidade tática
Os veículos não são apenas meio de transporte em Aether & Iron — são elementos centrais da jogabilidade e da narrativa. “Uma das ideias centrais do jogo era oferecer uma experiência original, com carros em batalhas táticas”, conta Ariznabarreta. Houve comunicação estreita entre as equipes de Narrativa e Game Design para integrar mecânicas de tática e batalha com o leque de ações que pilotos e seus carros podem realizar.
Customização que vai além da estética
Os carros são personalizáveis não apenas visualmente, mas também em termos de habilidades. “O valor que trazem para sua equipe deriva de seus pontos fortes e fracos”, explica o desenvolvedor. Essa customização profunda permite que os jogadores adaptem suas estratégias de combate conforme avançam na narrativa e enfrentam desafios diferentes.
Retrofuturismo com identidade própria: decopunk versus distopia
Embora BioShock e Fallout sejam referências óbvias no retrofuturismo dos games, Aether & Iron aborda o gênero de um ângulo diferente. “Em vez de se concentrar na decadência pós-apocalíptica ou no colapso distópico, convidamos os jogadores a explorar uma Nova York da década de 1930 que se expandiu para cima em vez de para os lados”, descreve Ariznabarreta. A base visual combina arquitetura Art Déco, design industrial do início do século XX, cinema noir e cultura do jazz com ficção científica especulativa.
Ambientes 2D pintados à mão com veículos 3D estilizados
Visualmente, o jogo une ambientes 2D pintados à mão que capturam clima e atmosfera com modelos de veículos 3D estilizados. “A estética não é apenas decoração. Ela reforça os temas de risco, mobilidade e hierarquia social”, afirma o desenvolvedor. O resultado é um mundo que parece ambicioso e elegante na superfície, mas instável por baixo, retratando uma cidade construída sobre ambição e divisões de classe.
Desafios de localização: preservar humor e nuances culturais
Lucrecia Gallegos, Head de Equipes de Localização da Ark One Studios, detalha o meticuloso processo de adaptar Aether & Iron para outros idiomas. “Desde o início, a equipe de narrativa comunicou claramente sua visão criativa e nos forneceu extenso material de referência”, relata. A equipe realizou discussões internas aprofundadas para avaliar como adaptar conceitos originais, expressões de época, personalidades com nuances sutis e humor culturalmente específico.
Colaboração constante com desenvolvedores
“Trabalhamos em estreita comunicação não apenas com a equipe de narrativa, mas também com os desenvolvedores. O apoio deles durante a implementação e a abertura ao feedback garantiram que nossas escolhas linguísticas funcionassem adequadamente no jogo”, explica Gallegos. Essa colaboração envolveu constante troca de informações para garantir consistência e imersão em todos os idiomas.
Reimaginar conceitos únicos para diferentes culturas
Os termos que exigiram maior reimaginação foram aqueles exclusivos da história original de Aether & Iron. “Muitos desses conceitos não tinham equivalentes diretos, então primeiro precisamos desenvolver uma compreensão profunda de seu significado, função e propósito narrativo”, conta Gallegos. A equipe de narrativa foi fundamental, fornecendo explicações detalhadas e guiando a lógica por trás de cada invenção.
Criar novas palavras para preservar a experiência
“Trabalhamos arduamente para criar equivalentes que ressoassem em cada cultura. Em alguns casos, isso significou cunhar novas palavras ou expressões — assim como a equipe de narrativa fez ao desenvolver o material original”, revela Gallegos. Para acrônimos, por exemplo, muitas vezes foi necessário reinventá-los completamente para que a versão localizada preservasse tanto o significado das palavras componentes quanto a relevância narrativa do termo original.
Aether & Iron se apresenta como uma ambiciosa fusão de gêneros que promete entregar não apenas uma narrativa envolvente, mas um mundo verdadeiramente reativo onde cada escolha importa. Com sua estética única que reinterpreta os anos 1930 através de uma lente retrofuturista e seu sistema de consequências que promete fazer da cidade uma personagem viva, o jogo da Seismic Squirrel aposta na ideia de que as melhores histórias são aquelas que os jogadores ajudam a escrever com suas próprias decisões, criando experiências únicas que vão além das convenções estabelecidas dos RPGs narrativos.

