Banco Central decreta liquidação final do Banco Master Múltiplo após fim do regime especial

O Banco Central (BC) decretou nesta terça-feira, 17 de março de 2026, a liquidação extrajudicial do Banco Master Múltiplo S.A., encerrando definitivamente a última instituição do conglomerado financeiro que ainda operava sob um regime de exceção. A medida marca o capítulo final de um processo que começou em novembro de 2025, quando o banco entrou no Regime de Administração Especial Temporário (Raet) após a liquidação da controladora Master.

Prazo do regime especial expira sem alternativa de recuperação

O Raet, que tinha duração máxima de 120 dias, venceria oficialmente na quarta-feira, 18 de março. O BC justificou a decisão de antecipar a liquidação em um dia com base no relatório apresentado pelo administrador do regime em 12 de março. Segundo o documento, com a decretação da liquidação extrajudicial da Will Financeira em 21 de janeiro de 2026, não existiam mais motivos para manter o regime especial do Banco Master Múltiplo. A instituição havia sido poupada da liquidação inicial em novembro na tentativa de viabilizar a venda do Will Bank, mas essa operação não se concretizou.

Processo de desmonte do conglomerado Master atinge etapa final

Com a decisão desta terça-feira, todas as instituições financeiras do grupo Master foram oficialmente liquidadas. O Banco Master Múltiplo era a última peça ainda sob algum tipo de administração controlada pelo BC. A Will Financeira, outra instituição do conglomerado, já havia sido liquidada em fevereiro, após o fracasso das negociações para sua venda. O processo completo de desmonte do grupo levou aproximadamente quatro meses, desde a intervenção inicial em novembro de 2025 até a liquidação final anunciada agora.

EFB Regimes Especiais assume papel de liquidante pela quarta vez

O Banco Central nomeou a empresa EFB Regimes Especiais de Empresas como liquidante do Banco Master Múltiplo. A companhia e seu sócio, o ex-servidor do BC Eduardo Félix Bianchini, já são responsáveis pela liquidação das demais instituições do conglomerado Master. Esta é a quarta vez que a EFB assume esse papel dentro do mesmo grupo financeiro, demonstrando a especialização da empresa em processos de liquidação extrajudicial de instituições financeiras.

BC mantém bloqueio de bens de controladores e administradores

Em comunicado oficial, o Banco Central afirmou que “continua adotando as medidas cabíveis para apurar as responsabilidades nos termos de suas competências legais”. A autoridade monetária destacou ainda que “a indisponibilidade dos bens dos controladores e dos administradores decorrentes da decretação do Raet é mantida com a decretação da liquidação extrajudicial”. Isso significa que o bloqueio patrimonial determinado durante o regime especial permanece em vigor, agora no contexto do processo de liquidação.

Impacto nos correntistas e credores será definido pelo liquidante

Com a decretação da liquidação extrajudicial, a EFB Regimes Especiais assumirá o controle total dos ativos e passivos do Banco Master Múltiplo. Caberá à empresa identificar todos os credores, avaliar o patrimônio disponível e estabelecer a ordem de pagamento conforme determina a legislação brasileira. Correntistas com valores abaixo do limite garantido pelo Fundo Garantidor de Créditos (FGC) têm suas aplicações protegidas até R$ 250 mil por CPF ou CNPJ.

Regime de Administração Especial Temporário cumpriu seu papel

O Raet foi implementado em 18 de novembro de 2025 como uma medida transitória para avaliar a viabilidade do Banco Master Múltiplo após a liquidação da controladora. Durante os 120 dias de vigência, o administrador nomeado pelo BC analisou as contas da instituição, avaliou possíveis compradores e elaborou o relatório final que embasou a decisão de liquidação. O regime permitiu uma transição ordenada enquanto se buscava uma solução definitiva para a instituição.

Fracasso na venda do Will Bank determinou destino do Master Múltiplo

A tentativa de venda do Will Bank, que era considerada a principal esperança para salvar o Banco Master Múltiplo, não prosperou. Com a liquidação da financeira em fevereiro, desapareceu a justificativa principal para manter o banco sob regime especial. Sem a possibilidade de integrar uma operação maior de venda do conglomerado, a instituição perdeu seu valor estratégico para potenciais investidores, levando inevitavelmente à liquidação.

Processo reflete endurecimento da regulação bancária brasileira

Analistas do setor financeiro interpretam a sequência de liquidações no grupo Master como um sinal do endurecimento da regulação bancária no Brasil. O BC tem demonstrado menor tolerância com instituições que apresentam problemas de governança ou solvência, optando por intervenções rápidas e decisivas. Essa postura se alinha com tendências internacionais de supervisão bancária mais rigorosa pós-crises financeiras globais.

Mercado financeiro reage com estabilidade ao anúncio

Diferentemente de episódios anteriores de intervenção em grandes instituições financeiras, o anúncio da liquidação do Banco Master Múltiplo não causou turbulência significativa nos mercados. A reação moderada se explica pelo fato de que o processo já era esperado pelos agentes econômicos, dada a trajetória do conglomerado nos últimos meses. Além disso, o tamanho relativamente menor da instituição em comparação com outras que passaram por situações similares contribuiu para a estabilidade.

Lições do caso Master influenciarão futuras regulações

Especialistas em direito bancário acreditam que o caso completo do grupo Master fornecerá material importante para aprimoramentos na legislação sobre intervenção e liquidação de instituições financeiras. A sequência de eventos – desde a liquidação da controladora até a extinção final de todas as subsidiárias – oferece um estudo de caso completo sobre os mecanismos atuais de resolução de crises no sistema financeiro nacional.

O desfecho do Banco Master Múltiplo encerra um capítulo significativo na regulação bancária brasileira recente, reforçando a autoridade do Banco Central como supervisor do sistema financeiro e demonstrando os mecanismos disponíveis para lidar com instituições em dificuldades. O processo, embora complexo, seguiu os trâmites legais estabelecidos, com transparência nas comunicações e respeito aos prazos regimentais. A nomeação de uma mesma empresa para liquidar todas as instituições do grupo garantiu continuidade e expertise no processo, enquanto a manutenção do bloqueio de bens dos controladores sinaliza a seriedade com que o BC trata questões de responsabilização. A experiência acumulada neste caso certamente informará futuras ações regulatórias e contribuirá para o fortalecimento contínuo do sistema financeiro brasileiro.

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