Bradesco e Caixa transformam mainframe em plataforma de dados e IA

Grandes bancos brasileiros transformam o mainframe em plataforma estratégica de dados e inteligência artificial.

Por Tech Central - Redação Técnica de Tecnologia
Bradesco e Caixa integram mainframe a ecossistemas híbridos com IA e dados em tempo real.
Destaques
  • O Bradesco integrou o mainframe a uma arquitetura híbrida com nuvem, APIs e canais digitais.
  • A Caixa mantém o mainframe como infraestrutura essencial para segurança e programas sociais.
  • Ambos os bancos investem em IA, automação e preparação para o cenário quantum safe.

O mainframe, longe de ser uma relíquia dos tempos do cartão perfurado, está vivendo uma segunda juventude dentro do sistema financeiro brasileiro. No Bradesco e na Caixa Econômica Federal, as plataformas mainframe deixaram de ser ilhas monolíticas de processamento para se transformar em componentes ativos de ecossistemas híbridos, alavancados por inteligência artificial, dados em tempo real e arquiteturas modernas de cloud. Essa evolução não é uma substituição, mas uma reinvenção profunda que mantém a confiabilidade inegociável dos sistemas críticos enquanto habilita novos modelos operacionais.

O mainframe como plataforma estratégica no Bradesco

No Bradesco, o mainframe sempre foi o core transacional, responsável por processar o altíssimo volume de operações de contas, cartões e transferências com consistência, integridade e disponibilidade absolutas. Esse papel fundamental permanece: globalmente, segundo dados da IBM, os mainframes ainda processam quase 70% das cargas de trabalho de produção de TI em 28 setores e mais de 70 países, como destaca Daniel Falbi, Tech CIO do banco. O que mudou radicalmente foi a arquitetura. O Bradesco saiu de um ambiente centralizado e monolítico para um modelo híbrido, integrado à nuvem, com APIs e canais digitais. O mainframe deixou de ser uma estrutura isolada e passou a atuar como um componente dinâmico dentro de um ecossistema muito mais amplo, orientado à inovação contínua.

Hoje, o mainframe não apenas sustenta o core do banco, mas habilita novos workloads e acelera iniciativas digitais. Ele opera como plataforma base para aplicações críticas, elemento central da arquitetura híbrida e golden source de dados corporativos. Também garante a alta confiabilidade exigida em transações de cartões e transferências financeiras, sustentando processos de maior risco operacional, como conciliações e liquidações financeiras. O banco está escalando o uso de inteligência artificial nas operações, na observabilidade de sistemas, no desenvolvimento e na segurança, com avanço consistente em AIOps para automação, integração com plataformas de analytics e observabilidade pautada no impacto real de negócio.

Modernização em três frentes: tecnológica, de software e operacional

Falbi avalia que a modernização do mainframe no Bradesco é um processo contínuo e estruturado, focado em gerar valor full stack. O banco não está substituindo o mainframe, mas o transformando em uma plataforma moderna e preparada para sustentar inovação com baixo risco. A estratégia é incremental, orientada a dados reais e opera em três grandes frentes.

Na modernização tecnológica, o banco realiza upgrades constantes de hardware que entregam ganhos significativos de eficiência energética e sustentabilidade, além de consolidar o parque físico com forte redução de footprint. Em software e desenvolvimento, o foco é reduzir a dependência de fornecedores específicos, integrando a plataforma com ferramentas modernas como Git, IDEs de mercado e evoluindo para o uso em escala de CI/CD com pipelines avançados. Já na modernização operacional, o destaque é o provisionamento sob demanda de ambientes e a automação em escala, com operações orientadas a dados, telemetria em tempo real e maior integração aos ecossistemas cloud.

A inteligência artificial tem sido decisiva nessa jornada, sendo aplicada diretamente na análise de impacto, priorização de aplicações, refatoração assistida e explicação de códigos legados, acelerando todo o ciclo de engenharia. Para o futuro, Daniel Falbi ressalta que o mainframe continuará operando como a base para a continuidade dos negócios, mantendo alta disponibilidade e atuando como backbone transacional para sistemas críticos. A diferença fundamental é seu novo posicionamento como uma plataforma moderna de arquitetura distribuída, operando de forma transparente ao usuário final enquanto se conecta massivamente a cloud, dados e inteligência artificial.

Por que o mainframe continua sendo essencial nos bancos?

O mainframe mantém seu papel central no sistema bancário porque oferece níveis de confiabilidade, segurança e desempenho que poucas plataformas conseguem igualar. Ele responde por grande parte das transações financeiras globais devido à sua capacidade de processar altíssimos volumes com consistência e integridade, características inegociáveis para operações críticas como transferências, cartões e liquidações financeiras. Com a modernização, ele deixou de ser uma ilha isolada e se tornou um componente integrado a arquiteturas híbridas, nuvem, APIs e inteligência artificial, mantendo sua essência de confiabilidade enquanto se adapta às demandas digitais.

A Caixa Econômica Federal e a modernização contínua

Na Caixa Econômica Federal, o mainframe mantém papel central há décadas, sendo a base para processamento de contas, transações e serviços financeiros críticos. A operação está alinhada ao padrão global, com o mainframe respondendo por grande parte das transações financeiras devido à alta confiabilidade exigida no setor. Além das operações tradicionais, o mainframe sustenta programas sociais e grandes volumes sazonais, funcionando como a principal infraestrutura tecnológica do banco. Mesmo com o avanço digital, o mainframe permanece essencial por sua segurança, desempenho e disponibilidade.

A Caixa detalhou que a tendência não é substituição, mas uma modernização contínua do mainframe, com integração a arquiteturas híbridas, nuvem, APIs e inteligência artificial. Apesar do desafio na formação de especialistas, iniciativas de capacitação e automação vêm mitigando esse cenário. Assim, o mainframe segue estratégico, evoluindo de um modelo isolado para um ecossistema integrado, mantendo-se como núcleo confiável das operações bancárias e base para inovação.

Segurança e o horizonte quantum safe

Com a visão de um ambiente mais inteligente e eficiente, com IA atuando como camada transversal, operações amplamente automatizadas e observabilidade orientada ao negócio, a segurança continuará sendo resiliente por design. As operações futuras avançarão em criptografia e prontidão para o cenário quantum safe, com segurança integrada desde a concepção, evolução para modelos de detecção EDR e microsegmentação, sempre alinhados aos mais rigorosos padrões globais de compliance. O mainframe consolida sua transição para uma infraestrutura pronta para sustentar novos workloads e impulsionar a próxima geração de profissionais de tecnologia, tanto no Bradesco quanto na Caixa.

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Redação Técnica de Tecnologia
Equipe editorial da Tech Central, dedicada à cobertura técnica de assuntos na Overcentral.