NASA mantém Starliner e confirma aposentadoria da Dragon

Com a aposentadoria da Dragon, NASA aposta na Starliner da Boeing, cujo custo por missão é mais que o dobro, gerando riscos de monopólio.

NASA mantém Starliner e confirma aposentadoria da Dragon
Destaques
  • O custo por missão da Starliner é US$ 791,5 milhões, mais que o dobro dos US$ 328,7 milhões da Dragon.
  • O incidente da Starliner em 2024 recebeu classificação 'Falha Classe A', mesma dos desastres do Challenger e Columbia.
  • Após a aposentadoria da Dragon, a Boeing será o único fornecedor de transporte tripulado para a ISS.

A NASA confirmou que manterá a cápsula CST-100 Starliner da Boeing como plataforma de transporte de astronautas e carga para a Estação Espacial Internacional (ISS), enquanto a SpaceX reafirma a aposentadoria da Dragon até 2030. A decisão, tomada dois anos após o conturbado voo inaugural da Starliner, reflete a falta de alternativas viáveis para a agência espacial norte-americana.

Por que a NASA insiste na Starliner?

O motivo central é a escassez de opções. A SpaceX, fornecedora da Crew Dragon, deixou claro que não pretende estender a vida útil da cápsula além do limite homologado de dez anos. Com isso, a NASA passará a depender exclusivamente da Boeing para acesso à ISS a partir de 2030, o que levanta preocupações sobre um monopólio de transporte orbital tripulado. A agência, mesmo ciente dos riscos envolvidos, optou por injetar mais recursos financeiros no projeto da Starliner.

Na segunda-feira, 28 de setembro de 2026, a Boeing e a NASA apresentaram um plano conjunto que prevê ao menos dois novos lançamentos além dos quatro já agendados. O primeiro voo, não tripulado e exclusivamente de carga, está programado entre dezembro de 2026 e janeiro de 2027 e servirá para testar as correções de segurança. Caso aprovado, três missões tripuladas serão realizadas posteriormente.

Os custos elevados da aposta na Boeing

A NASA vai desembolsar um adicional de US$ 359 milhões (cerca de R$ 1,86 bilhão na cotação de 30 de setembro de 2026), elevando o orçamento total do programa Starliner para US$ 4,749 bilhões (aproximadamente R$ 24,57 bilhões). Isso resulta em um custo médio de US$ 791,5 milhões por missão. Em comparação, a SpaceX recebeu US$ 4,93 bilhões para desenvolver a Dragon, mas em troca de 15 missões, o que reduz o custo unitário para US$ 328,7 milhões.

ProgramaInvestimento totalMissões contratadasCusto por missão
Boeing StarlinerUS$ 4,749 bilhões (~R$ 24,57 bilhões)6 (incluindo as adicionais)US$ 791,5 milhões (~R$ 4,1 bilhões)
SpaceX Crew DragonUS$ 4,93 bilhões (~R$ 25,5 bilhões)15US$ 328,7 milhões (~R$ 1,7 bilhão)

A diferença gritante se deve em parte às exigências de segurança da NASA, que limita a capacidade de cada voo a quatro astronautas, embora a Dragon possa transportar até seis. A burocracia e os atrasos da Boeing também pesaram no orçamento.

Os problemas técnicos da Starliner e as correções

O voo inaugural tripulado de 2024 foi um dos momentos mais críticos da história recente da exploração espacial. Problemas nos propulsores e no sistema de acoplagem quase resultaram em uma tragédia. A NASA classificou o incidente como uma “Falha Classe A”, mesma designação dos desastres do Challenger e do Columbia. Os astronautas Butch Wilmore e Suni Williams conseguiram acoplar a cápsula à ISS manualmente, evitando o pior.

O relatório da agência listou 61 recomendações de modificações que a Boeing deve implementar. Algumas já serão aplicadas na missão Starliner-1; a Starliner-2, primeira tripulada após o incidente, está prevista para 2028. A NASA adotou tolerância zero para novos erros, dada a quantidade de dinheiro público gasto e o risco corrido.

O risco de monopólio e a dependência americana

Com a saída da Dragon de cena, a Boeing se tornará a única fornecedora de transporte tripulado para a ISS – excluindo as cápsulas Soyuz, da Rússia. A Agência Espacial Europeia (ESA) também não possui veículo próprio e depende das empresas americanas. Esse cenário preocupa especialistas, pois a falta de concorrência pode elevar custos e reduzir a confiabilidade.

A SpaceX tem a Starship como sucessora natural da Dragon. A nave já realizou seu primeiro teste orbital bem-sucedido e tecnicamente poderia se acoplar à ISS, à semelhança dos antigos ônibus espaciais. Contudo, o cronograma de desenvolvimento da Starship é incerto, marcado pelo chamado “Elon Time” – atrasos recorrentes que dificultam previsões precisas.

Enquanto isso, a NASA terá que torcer para que a Starliner funcione corretamente. Caso contrário, restará a opção de alugar voos da Rússia, que certamente cobraria valores ainda mais altos. A aposta na Boeing, apesar de todos os perrengues, é a única saída viável a curto prazo para manter o acesso americano à ISS até que uma nova plataforma surja.

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