Hell Let Loose Vietnam marca a primeira grande guinada da série ao deixar os campos da Segunda Guerra Mundial para mergulhar na densa e sufocante selva vietnamita. Desenvolvido pela Expression Games em parceria com a Team 17, o jogo mantém a premissa de combate tático em larga escala com 50 jogadores por partida, mas troca os tanques Tiger e os fuzis M1 Garand pelos M16, AK-47 e o rugido dos helicópteros Huey. A transição não é apenas estética: Hell Let Loose Vietnam impõe um novo ritmo de jogo, onde a visibilidade reduzida e a cobertura vegetal transformam cada passo em uma aposta contra o fogo inimigo.
O que é Hell Let Loose Vietnam e como funciona?
Hell Let Loose Vietnam é um jogo de tiro tático multiplayer focado em realismo e trabalho em equipe. Cada partida coloca dois times — Estados Unidos e Exército Norte-Vietnamita (NVA) — em mapas abertos com objetivos que mudam conforme o avanço. Diferente de shooters arcade, a mecânica de morte única (respawn por ondas) e a necessidade constante de reposicionamento tornam cada decisão crítica. O sistema de esquadrões com comandante, líderes de pelotão e funções especializadas (atirador, médico, engenheiro) exige comunicação por voz e coordenação para construir postos de escuta, túneis e puntos de surgimento. A grande novidade aqui é a ambientação: a selva vietnamita é densa, escura e cheia de armadilhas visuais, o que eleva a tensão e dificulta a localização de inimigos.
Imersão brutal: a selva como campo de batalha
A primeira coisa que se nota ao carregar uma partida é o peso da vegetação. A câmera quase encosta nas folhas, e o som do mato se movendo denuncia passos — tanto seus quanto do oponente. Diferente dos campos abertos da Europa, aqui você raramente vê o inimigo antes de receber o primeiro tiro. Em várias ocasiões, mesmo com experiência em jogos como Rising Storm 2: Vietnam, é fácil perder a noção de onde vem o ataque. O jogo exige que você use o terreno baixo, se mova devagar e confie no som e na intuição. Os postos de escuta e os túneis do NVA são ferramentas essenciais para criar rotas de flanco e manter pressão sobre o objetivo. Construí-los, porém, exige que um engenheiro ou líder de esquadrão gaste suprimentos e tempo — e aí mora um dos problemas recorrentes.
Problemas técnicos e comportamento da comunidade
Apesar da ambientação competente, Hell Let Loose Vietnam sofre com bugs que comprometem a imersão. Em algumas partidas, jogadores do NVA relatam impossibilidade de construir túneis, mecânica central para a facção. Em uma ocasião, um dos soldados caiu através do túnel e ficou preso debaixo do mapa. Além disso, a presença de trapaceiros em quase todas as partidas testadas é alarmante — algo que o sistema anti-cheat ainda não conseguiu conter efetivamente. Outro ponto crítico é o comportamento dos jogadores: muitos priorizam a taxa de eliminações (K/D ratio) em vez de avançar ou defender os objetivos. É comum ver esquadrões inteiros atirando de longe sem jamais pisar no ponto de captura, o que alonga partidas e frustra quem tenta jogar de forma tática. Esse desalinhamento entre expectativa e realidade é um obstáculo que o título herda do irmão mais velho, Hell Let Loose original, mas que aqui ganha contornos mais graves por conta da vegetação que favorece o “spray and pray”.
Helicópteros, veículos e a guerra mecanizada
O arsenal de veículos inclui jipes, caminhões de transporte e helicópteros Huey para os EUA, enquanto o NVA conta com caminhões e lanchas de assalto. Os helicópteros, novidade na série, adicionam uma camada estratégica: servem para transportar tropas rapidamente, mas são extremamente vulneráveis a fogo de RPG e metralhadoras. O som das pás cortando o ar e a visão da selva do alto são de arrepiar, mas a implementação ainda é básica — sem sistemas de aviônica ou físicas avançadas. No geral, os veículos cumprem seu papel tático sem inovar, e a experiência de dirigi-los é funcional, mas não excepcional.
Vale a pena? Um veredito honesto
Hell Let Loose Vietnam é um jogo que acerta na ambientação e na proposta de combate realista na selva, mas tropeça em execução. A nota 7/10 é justa: é um título que você joga intensamente por um fim de semana com amigos, depois volta a cada poucos meses para ver se os patches corrigiram os bugs e se a comunidade melhorou o comportamento. Para quem já é fã de Hell Let Loose, a mudança de cenário oferece um respiro, mas não espere a mesma maturidade do jogo original, que ainda mantém uma base de jogadores maior. Se você busca uma experiência tática na Guerra do Vietnã e está disposto a relevar instabilidade técnica, vale o mergulho. Mas se prefere um shooter polido e com matchmaking consistente, talvez seja melhor esperar por atualizações mais robustas ou por uma promoção mais agressiva no preço — que atualmente gira em torno de R$ 149,90 nas lojas brasileiras.

