Torex Gold apresenta estratégia de expansão e rentabilidade no Mining Forum Americas 2026

Mineradora apresenta plano integrado de automação, IoT e análise preditiva para aumentar produtividade e reduzir custos.

Torex Gold apresenta estratégia de expansão e rentabilidade no Mining Forum Americas
Destaques
  • A empresa usa modelagem 3D e redes neurais para simular cenários de lavra com margem de erro inferior a 5%.
  • A automação de frota elevou a disponibilidade mecânica dos equipamentos em 12%.
  • Clusters de GPUs reduziram o tempo de processamento de modelos de subsuperfície de semanas para horas.

A Torex Gold apresentou no Mining Forum Americas 2026 uma visão integrada de crescimento que vai além da simples ampliação de reservas: a empresa está construindo um ecossistema operacional onde hardware de ponta, sensoriamento distribuído e análise preditiva se combinam para extrair o máximo de rentabilidade de cada tonelada processada. Em um setor historicamente conservador, a abordagem da mineradora representa um movimento estratégico que antecipa as exigências de eficiência e sustentabilidade que dominarão a próxima década.

Estratégia de expansão: além das fronteiras geológicas

O plano de expansão anunciado pela Torex Gold não se limita a novas jazidas. A companhia detalhou investimentos em tecnologias de exploração que reduzem o ciclo de descoberta e aumentam a precisão na delimitação de corpos minerais. O uso de modelagem geológica em 3D, alimentada por redes neurais treinadas em dados históricos de perfuração, permite simular cenários de lavra com margem de erro inferior a 5%. Na prática, isso significa que cada real aplicado em pesquisa mineral tem retorno mais previsível, algo essencial em um ambiente de custos crescentes.

Outro pilar é a automação de processos de perfuração e desmonte. Sensores instalados nas britadeiras e nos caminhões fora-de-estrada transmitem em tempo real parâmetros como vibração, consumo de combustível e desgaste de pneus para um centro de controle remoto. Com isso, a Torex consegue ajustar a operação em minutos, evitando paradas não programadas e prolongando a vida útil dos equipamentos. A iniciativa já resultou em aumento de 12% na disponibilidade mecânica da frota, segundo dados apresentados no fórum.

Rentabilidade impulsionada por hardware especializado

A rentabilidade no setor mineral depende cada vez mais da capacidade de processar volumes enormes de dados geofísicos e geoquímicos. A Torex Gold instalou clusters de GPUs dedicados à inversão sísmica e à tomografia elétrica, reduzindo o tempo de processamento de modelos de subsuperfície de semanas para horas. Em uma jazida complexa como a do projeto Media Luna, essa aceleração permite que decisões de lavra sejam tomadas com base em mapas de teor atualizados diariamente, e não mensalmente.

Além do processamento, a empresa investiu em uma rede privada de IoT baseada em protocolos LoRaWAN e em gateways com capacidade de edge computing. Cada ponto de coleta — de analisadores de minério a medidores de nível de caixa d’água — processa localmente os dados antes de enviá-los para a nuvem. Isso reduz a latência para alarmes críticos e diminui a dependência de links de satélite de alto custo. O resultado é um ambiente operacional onde a manutenção preditiva substitui a corretiva, e o desperdício de insumos é minimizado.

Automação de veículos e equipamentos de superfície

A Torex Gold também apresentou avanços na condução autônoma de veículos pesados. Caminhões basculantes equipados com sistemas de navegação por GPS diferencial e sensores LiDAR já operam em rotas fixas dentro da mina a céu aberto, com supervisão remota. Os benefícios são diretos:

  • Redução de 40% no consumo de diesel por tonelada transportada, graças à otimização de aceleração e frenagem.
  • Eliminação de acidentes envolvendo colisões com outros veículos ou com o talude da mina.
  • Operação ininterrupta em turnos de 24 horas, sem necessidade de troca de motoristas.

Para as operações subterrâneas, a empresa testa veículos elétricos com baterias de estado sólido, que eliminam a emissão de particulados e reduzem a necessidade de ventilação forçada. A expectativa é que a frota elétrica represente 60% das operações até 2028, cortando custos com diesel e manutenção de motores a combustão.

O papel da análise de dados na tomada de decisões

A camada de software é tão crítica quanto o hardware. A Torex Gold desenvolveu um data lake corporativo que consolida dados de sensores, sistemas de gestão de manutenção (CMMS) e planos de lavra. Sobre essa base, modelos de machine learning correlacionam variáveis como dureza do minério, taxa de moagem e consumo de energia para prever o desempenho da planta de beneficiamento. Em vez de reagir a desvios, a equipe de operações recebe recomendações proativas — como ajustar a abertura do britador ou alterar a rota de alimentação do moinho SAG — antes que a produtividade caia.

Um dos indicadores mais impactantes é o OEE (Overall Equipment Effectiveness) da frota, que subiu de 72% para 85% em dois anos após a implementação do sistema. Cada ponto percentual de OEE representa milhões de dólares em receita adicional, dado o volume de minério processado. A companhia também utiliza dashboards em tempo real acessíveis via tablets e celulares pelos supervisores de campo, que podem visualizar a alocação de equipamentos e o cumprimento do plano de lavra a cada hora.

TecnologiaFunção principalImpacto operacional
Sensores LoRaWANMonitoramento de vibração, temperatura e nível de óleoRedução de 30% em paradas corretivas
Clusters de GPU (NVIDIA A100)Processamento de dados sísmicos e geofísicosAceleração de 12 semanas para 2 horas
Caminhões autônomosTransporte de minério em mina a céu abertoQueda de 40% no consumo de combustível
Edge computingProcessamento local de alarmes críticosLatência reduzida de 2 segundos para 50 ms
ML para previsão de teorModelagem de teores em tempo realPrecisão de 95% na estimativa de head grade

Perspectivas para o mercado brasileiro de mineração

O modelo apresentado pela Torex Gold no Mining Forum Americas 2026 oferece um roteiro concreto para mineradoras brasileiras que buscam aumentar a rentabilidade sem necessariamente abrir novas minas. O Brasil possui um parque de equipamentos envelhecido e alta dependência de mão de obra especializada em regiões remotas. Soluções como sensoriamento remoto, veículos autônomos e análise preditiva podem ser adaptadas para realidades como as de Carajás ou do Quadrilátero Ferrífero, desde que haja investimento inicial em infraestrutura de conectividade — algo que empresas como Vale e Samarco já vêm testando em pequena escala.

Outro ponto relevante é o custo da energia. A automação e a eletrificação dos equipamentos dependem de uma rede elétrica estável e de tarifas competitivas. Regiões mineradoras com acesso a hidrelétricas ou parques eólicos, como o Norte do país, levam vantagem nesse quesito. A Torex, que opera no México onde os preços de energia são mais altos, mostrou que a economia de combustível com veículos elétricos compensa o investimento em baterias e estações de recarga em menos de dois anos.

O Mining Forum Americas 2026 consolidou a percepção de que a mineração do futuro será tão dependente de engenheiros de dados e especialistas em redes quanto de geólogos e metalurgistas. A Torex Gold, ao apresentar resultados mensuráveis de aumento de produtividade e redução de custos, não apenas demonstrou a viabilidade técnica da transformação digital no setor, mas também construiu um argumento financeiro sólido para que outras empresas sigam o mesmo caminho. A rentabilidade sustentável, nesse novo paradigma, não é fruto de sorte geológica, mas de decisões baseadas em dados e executadas por hardware inteligente.

Compartilhar este artigo
Canal oficial de conteúdo do portal Overcentral. A Equipe Central produz notícias, guias e análises com foco em credibilidade e relevância, garantindo que você receba o melhor conteúdo editorial diariamente.