Ibovespa fecha em queda de 0,91% com Vale e juros no radar

Ibovespa cai 0,91% com Vale em baixa e juros globais em alta, em meio à cautela antes das decisões do Fed e do Copom.

Destaques
  • O Ibovespa caiu 0,91% aos 185.500,88 pontos, pressionado pela desvalorização da Vale e pela alta dos juros globais.
  • A Vale (VALE3) liderou as perdas com queda de 3,48%, enquanto o minério de ferro recuou no mercado internacional.
  • O rendimento do Treasury de dez anos rompeu a marca de 5% pela primeira vez desde 2023, ampliando a aversão ao risco.

O Ibovespa iniciou a semana no vermelho, registrando uma queda de 0,91% aos 185.500,88 pontos, pressionado por um combo de fatores que inclui a forte desvalorização das ações da Vale (VALE3), a disparada dos juros globais e o clima de cautela que antecedeu as decisões de política monetária do Federal Reserve (Fed) e do Copom. O principal índice da bolsa brasileira oscilou entre uma mínima de 183.813,36 pontos e uma máxima de 187.320,96 pontos, movimentando um volume financeiro de aproximadamente R$ 24,5 bilhões em um pregão marcado pela aversão ao risco vinda do exterior.

A sessão combinou a alta do petróleo, que reacendeu temores inflacionários, com o avanço dos rendimentos dos títulos públicos americanos e a pressão sobre gigantes de tecnologia e inteligência artificial em Wall Street. No cenário doméstico, as pesquisas eleitorais continuaram a influenciar os preços de alguns ativos, mas não foram suficientes para reverter a tendência negativa imposta pelo ambiente internacional.

O analista de investimentos Fernando Bresciani, do Andbank, observou que o mercado opera de forma defensiva, com o DI de curto prazo caindo e o de longo prazo subindo levemente, enquanto o dólar se valoriza. Segundo ele, a tendência é de cautela elevada até quarta-feira, quando Fed e Copom anunciam suas respectivas decisões, sendo que os comunicados serão cruciais para sinalizar os próximos passos dos bancos centrais, mais do que as decisões em si.

Vale (VALE3) desaba e lidera as perdas do Ibovespa

A Vale (VALE3) foi o principal peso negativo do pregão, com uma queda expressiva de 3,48%, em um dia de recuo dos contratos futuros do minério de ferro no mercado internacional. O movimento negativo se espalhou pelo setor financeiro, com os grandes bancos também fechando no vermelho: o Banco do Brasil (BBAS3) caiu 1,65%, o Bradesco (BBDC4) perdeu 1,40%, o Itaú Unibanco (ITUB4) recuou 0,89% e o Santander (SANB11) cedeu 0,82%.

Já a Petrobras (PETR4) terminou o dia com uma leve baixa de 0,16%, mesmo com a valorização do petróleo Brent, que chegou a se aproximar dos US$ 110 por barril durante a tarde, fechando a US$ 105,68. Bresciani explica que o petróleo volta a subir com novos ataques envolvendo o Irã e a perspectiva de que um acordo de paz não aconteça no curto prazo, movimento que reacende as preocupações com inflação e juros ao redor do mundo.

O analista de investimentos Luca Girardi, da Nomad, reforçou o peso do cenário externo sobre os ativos brasileiros. Ele destaca que a conjuntura internacional é o principal motor da movimentação do dólar, especialmente após o rendimento do Treasury de dez anos romper a marca de 5% pela primeira vez desde 2023. Esse movimento amplia a atratividade relativa da moeda americana, pressionando commodities e bolsas emergentes.

O dólar comercial fechou em alta de 0,43%, cotado a R$ 5,147. Além do fortalecimento da moeda lá fora, a piora das tensões no Oriente Médio elevou a aversão ao risco geral. No cenário doméstico, o Boletim Focus trouxe uma nova redução na projeção do IPCA para 2026, de 5% para 4,90%, um número que ainda permanece acima do teto da meta de inflação.

IA e juros americanos derrubam Wall Street

A aversão ao risco não foi exclusividade do Brasil. Nos Estados Unidos, as bolsas também fecharam em queda, com destaque para o setor de tecnologia. Empresas ligadas à inteligência artificial e semicondutores sofreram fortes perdas após executivos do setor defenderem publicamente uma desaceleração no desenvolvimento de modelos mais avançados por questões de segurança.

As ações de Nvidia, Micron, Broadcom e AMD recuaram de forma expressiva, puxando o índice de semicondutores da Filadélfia para uma queda de quase 6%. O índice Dow Jones fechou em baixa de 0,29% (52.421,20 pontos), o S&P 500 caiu 0,48% (7.619,98 pontos) e o Nasdaq registrou perda de 0,56% (26.186,41 pontos).

Girardi ressalta que empresas de tecnologia, naturalmente mais sensíveis à elevação do custo de capital, foram impactadas pelas declarações do CEO da Anthropic, que defendeu a desaceleração do desenvolvimento de modelos de fronteira como uma medida de segurança, gerando incerteza sobre o ritmo de investimento no setor.

A combinação de petróleo elevado, preocupações com os rumos da inteligência artificial e juros americanos em patamares elevados deixou os mercados globais defensivos na véspera da chamada Super Quarta. O Ibovespa, que havia fechado a sexta-feira (11) aos 187.206,89 pontos, reflete um cenário de curto prazo desafiador, onde a busca por proteção e a incerteza sobre os próximos passos da política monetária global devem seguir pautando os negócios.

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