Queda de 21% no preço do café acelera consumo no Brasil

Com queda de 21% no preço, consumo de café cresce 4,65% no segundo quadrimestre de 2026, aponta Abic.

Queda de 21% no preço do café acelera consumo no Brasil
Destaques
  • O preço do café tradicional caiu 21,22% em agosto de 2026, passando de R$ 62,83 para R$ 49,50 o quilo.
  • As vendas de café cresceram 4,65% no segundo quadrimestre de 2026, quase o dobro do ritmo do primeiro quadrimestre.
  • A safra brasileira de 2026 superou expectativas, aumentando a oferta de grãos e derrubando os preços no mercado.

Os brasileiros estão redescobrindo o prazer de encher a xícara sem pesar tanto no orçamento. Depois de uma escalada de preços que afastou parte dos consumidores, o café voltou a registrar alta consistente nas vendas do varejo. O principal motor desse movimento é a queda expressiva no valor do produto: o café tradicional e extraforte ficou 21,22% mais barato em agosto de 2026 na comparação com o mesmo mês do ano anterior, passando de R$ 62,83 para R$ 49,50 o quilo. O café solúvel também recuou 19,31% no período.

Consumo de café acelera com queda de preços no Brasil

Os números do varejo confirmam a retomada. Segundo dados da Associação Brasileira da Indústria do Café (Abic), as vendas de café cresceram 4,65% no acumulado do segundo quadrimestre de 2026, entre maio e agosto — praticamente o dobro do ritmo observado no primeiro quadrimestre, quando a alta foi de 2,44%. No período mais recente, foram comercializadas cerca de 7 milhões de sacas.

Entre janeiro e agosto, o volume total de vendas chegou a aproximadamente 13,5 milhões de sacas, um incremento de 2,29% sobre o mesmo intervalo de 2025. A tendência de recuperação ganhou força justamente quando os preços começaram a cair de forma mais acentuada a partir de meados do ano.

De R$ 62,83 a R$ 49,50: o impacto da redução no bolso do consumidor

A queda de 21,22% no preço do café tradicional e extraforte não é apenas um número frio. Representa uma economia de mais de R$ 13 por quilo para quem compra o produto com frequência. Considerando que o brasileiro consome, em média, 6 quilos de café por ano, o alívio no orçamento familiar é significativo e ajuda a explicar a aceleração nas compras.

Tipo de caféPreço médio ago/2025Preço médio ago/2026Variação
Tradicional / extraforteR$ 62,83/kgR$ 49,50/kg-21,22%
Solúvel-19,31%

A indústria, por sua vez, repassou a redução dos custos da matéria-prima ao consumidor final de maneira ágil, e a resposta veio na forma de uma demanda aquecida. A queda nas cotações do café arábica e do conilon (robusta) foi determinante — ambos os grãos tiveram alívio com a perspectiva de uma safra robusta.

Por que o consumo aumentou agora? Mais que preço: clima e safra

O presidente da Abic, Pavel Cardoso, aponta uma combinação de fatores além da redução de preços. As temperaturas mais amenas do outono e inverno estimulam naturalmente a procura pela bebida quente. Mas o grande diferencial este ano foi a disponibilidade de grãos. Desde o fim de maio, a oferta de café arábica e canéfora (conilon/robusta) passou de um cenário classificado como “seletivo” para a normalidade, indicando maior volume de matéria-prima para a indústria processar e distribuir.

A safra brasileira de 2026 caminha para superar as expectativas iniciais, o que derrubou os preços no mercado físico e nos contratos futuros. Com margens mais confortáveis, os torrefadores e fabricantes de solúvel puderam competir por espaço nas gôndolas com ofertas mais agressivas.

Qual a diferença entre café arábica e conilon? O arábica é mais suave e aromático, preferido para cafés gourmet e especiais; o conilon (ou robusta) tem mais cafeína e corpo, sendo usado em blends e cafés solúveis. A queda nos dois segmentos beneficiou tanto o mercado de grãos nobres quanto o de produtos mais acessíveis.

O que esperar dos preços do café até o fim de 2026

A indústria mantém cautela para os próximos meses. A principal variável que pode reverter o cenário de preços baixos é a evolução do fenômeno El Niño, que pode afetar a florada e o desenvolvimento dos cafezais. Segundo a Abic, uma eventual pressão sobre os grãos poderia levar a novos ajustes no último quadrimestre.

Por ora, porém, a expectativa é de estabilidade. Com maior oferta de matéria-prima e preços acomodados, o setor aposta que o consumo seguirá em trajetória de crescimento até dezembro. A normalização do abastecimento desde maio reforça essa avaliação: tanto o café arábica quanto o conilon estão disponíveis em volumes que não se via desde o início do ciclo de alta, o que deve manter o mercado competitivo e o consumidor brasileiro com a xícara cheia.

Compartilhar este artigo
Canal oficial de conteúdo do portal Overcentral. A Equipe Central produz notícias, guias e análises com foco em credibilidade e relevância, garantindo que você receba o melhor conteúdo editorial diariamente.