A Capcom acaba de registrar o maior faturamento e o maior lucro operacional de sua história, impulsionada por um início de ano fiscal absolutamente avassalador. A desenvolvedora japonesa divulgou seus resultados financeiros mais recentes, e os números confirmam o que muitos já esperavam: a empresa vive um dos momentos mais dourados de suas quatro décadas de existência. O grande motor desse crescimento foi o lançamento de Resident Evil Requiem, que em pouco mais de um mês nas lojas já se consolidou como o título mais vendido do período.
59 milhões de jogos vendidos em um ano fiscal
Os dados divulgados pela Capcom mostram que, no último ano fiscal, a empresa vendeu mais de 59 milhões de unidades de jogos eletrônicos. Esse número representa um salto de 12% em relação ao exercício anterior e coloca a companhia em um patamar nunca antes alcançado. O recorde não se limita apenas às vendas brutas: a receita operacional também atingiu o maior nível histórico, confirmando que a estratégia de negócios da empresa está no caminho certo.
Grande parte desse sucesso pode ser atribuída ao desempenho impressionante de Resident Evil Requiem. Lançado no final de fevereiro, o game vendeu 6,9 milhões de cópias em pouco mais de um mês. É um número que impressiona não apenas pela velocidade, mas também pelo contexto: o título sequer teve tempo de completar um ciclo completo de vendas no período analisado.

A franquia Resident Evil domina o topo da lista
Quando se observa o ranking dos jogos mais vendidos da Capcom no ano fiscal, fica evidente que a série Resident Evil continua sendo o carro-chefe da empresa. O domínio é absoluto. Confira os números dos principais títulos que compuseram o resultado da companhia:
- Resident Evil Requiem: 6,9 milhões de unidades
- Resident Evil 4: 3,7 milhões de unidades
- Resident Evil Village: 3,6 milhões de unidades
- Resident Evil 3: 3,4 milhões de unidades
- Resident Evil 2: 2,9 milhões de unidades
- Devil May Cry 5: 2,7 milhões de unidades
- Resident Evil 7: 2,6 milhões de unidades
- Street Fighter 6: 2 milhões de unidades
- Resident Evil 6: 1,8 milhões de unidades
- Resident Evil 5: 1,7 milhões de unidades
- Monster Hunter Rise: 1,5 milhões de unidades
- Monster Hunter Rise Sunbreak: 1,4 milhões de unidades
- Monster Hunter Wilds: 1,3 milhões de unidades
Dos treze títulos listados, nada menos que oito pertencem à franquia Resident Evil. Isso demonstra não apenas a força da marca, mas também a capacidade da Capcom de manter títulos antigos vendendo em volumes impressionantes. Resident Evil 4, lançado originalmente em 2005, ainda vendeu 3,7 milhões de cópias no último ano fiscal. Isso é um testemunho do trabalho contínuo de remasterizações, relançamentos e do apelo duradouro da série.
O catálogo antigo responde por 93% das vendas
Um dado que merece atenção especial é que 93% das vendas de jogos da Capcom no período vieram de títulos do catálogo que não são novidades. Isso significa que a empresa depende muito pouco de lançamentos recentes para sustentar seu faturamento. É um modelo de negócio que poucas desenvolvedoras conseguem replicar com tanto sucesso: jogos que continuam vendendo milhões de cópias anos após seu lançamento original.
Essa estratégia é fortemente apoiada pela digitalização das vendas. A Capcom tem investido pesado em canais digitais, promoções sazonais e pacotes completos de franquias, o que mantém o interesse do público mesmo em títulos mais antigos. A empresa já deixou claro que o futuro é quase exclusivamente digital, e os resultados financeiros mostram que o caminho escolhido está gerando frutos.

Outros lançamentos que ajudaram a impulsionar o resultado
Além de Resident Evil Requiem, a Capcom teve um ano de 2026 repleto de lançamentos de peso. Monster Hunter Stories 3: Twisted Reflection e Pragmata foram outros destaques do período. Pragmata, inclusive, não aparece na lista de vendas do ano fiscal por ter sido lançado fora da janela analisada, mas já acumula mais de 2 milhões de cópias vendidas em apenas 16 dias. É um início promissor para uma franquia nova, o que sugere que a Capcom ainda tem muito potencial de crescimento com suas IPs mais recentes.
Monster Hunter Rise e sua expansão Sunbreak também contribuíram de forma significativa, com 1,5 milhão e 1,4 milhão de unidades, respectivamente. Já Street Fighter 6, que completa a tríade de grandes franquias da empresa, vendeu 2 milhões de cópias no período, reafirmando a relevância dos jogos de luta no portfólio da companhia.
Perspectivas para o futuro: crescimento de 10% em 2027
A Capcom não pretende desacelerar. A empresa já comunicou ao mercado que espera um crescimento adicional de 10% nas vendas de jogos para o próximo exercício fiscal, que se encerra em 2027. Isso significa que a companhia projeta vender mais de 65 milhões de unidades no período, um número que pareceria improvável há poucos anos, mas que agora parece perfeitamente alcançável diante do momento vivido.
O sucesso da Capcom não é fruto do acaso. A empresa construiu um catálogo sólido, com franquias que atravessam gerações de consoles e continuam relevantes. A aposta em lançamentos de qualidade, combinada com uma estratégia digital agressiva e uma gestão eficiente de suas propriedades intelectuais, criou um ciclo virtuoso que poucas concorrentes conseguem igualar. Resident Evil Requiem pode ter sido o grande destaque do momento, mas a história de crescimento da Capcom é construída há décadas.
