Djo revela os cinco álbuns que definiram sua trajetória musical e artística

Em uma passagem recente pelo Brasil para se apresentar no Lollapalooza, Joe Keery, mundialmente conhecido por interpretar Steve Harrington em Stranger Things, ofereceu um mergulho íntimo nas influências que moldaram seu projeto musical, Djo. Em entrevista nos bastidores do festival, o artista foi além da superfície e listou, com detalhes pessoais, cinco discos fundamentais que, em suas próprias palavras, mudaram sua vida. A seleção, que vai do disco norueguês ao hard rock clássico, desenha um mapa sonoro tão versátil e intrigante quanto a própria transição de Keery de ator para músico consagrado.

A descoberta do groove disco e eletrônico com Todd Terje

O ponto de partida na lista de Djo é o álbum de estreia do produtor norueguês Todd Terje, It’s Album Time, lançado em 2014. Keery destacou a capacidade do disco em fundir a essência dançante da música disco com a precisão da eletrônica contemporânea, além de incorporar nuances instrumentais da surf music. Para o músico, este trabalho representa mais do que uma coleção de faixas; é uma masterclass em produção alegre e sofisticada que expandiu sua percepção sobre como ritmo, atmosfera e humor podem ser entrelaçados em uma obra coesa. A escolha sinaliza uma influência clara na abordagem textural e nas camadas sintéticas presentes em suas próprias composições como Djo.

O divisor de águas do pop psicodélico com Tame Impala

Em seguida, Keery citou Currents, de Tame Impala, lançado em 2015, como um marco. Ele enfatizou como Kevin Parker, o cérebro por trás do projeto, redefiniu o indie e o pop psicodélico ao trocar o protagonismo das guitarras distorcidas por um universo expansivo de sintetizadores, baixos groovantes e batidas meticulosas. Djo descreveu o álbum como uma experiência transformadora que legitimou a exploração de paisagens sonoras mais densas e emocionalmente complexas dentro do mainstream. A influência de Currents é perceptível na maneira como Keery equilibra melodias cativantes com arranjos experimentais e uma produção impecável em seus trabalhos solo.

A energia crua e o indie rock seminal de The Strokes

A terceira escolha recai sobre Room on Fire, o segundo álbum de estúdio do The Strokes, de 2003. Keery apontou para a energia contida, os riffs de guitarra cortantes e a atitude despojada do disco como elementos fundamentais para sua formação. Em um contraponto à produção polida de seus outros favoritos, este trabalho representa a importância da crueza, da urgência e da economia musical. Para Djo, Room on Fire é um lembrete do poder do songwriting direto e da química de uma banda, aspectos que ele busca capturar mesmo em seu processo de criação mais individual e centrado no estúdio.

O impacto visceral do hard rock clássico do AC/DC

Talvez a declaração mais enfática tenha sido reservada para Back in Black do AC/DC, lançado em 1980. Keery não mediu palavras: “Quando eu ouvi aquele álbum pela primeira vez, aquilo me destruiu”. A afirmação captura o impacto físico e emocional que o hard rock no seu estado mais puro pode causar. Ele destacou a simplicidade poderosa dos riffs, a batida implacável e a atitude inabalável da banda como uma força primordial na música. Esta escolha revela a base de rock que sustenta o projeto Djo, muitas vezes sublimada por camadas eletrônicas, mas sempre presente como uma espinha dorsal energética.

A surpresa sentimental do jazz natalino de Vince Guaraldi

A lista teve uma guinada surpreendente e sentimental com a inclusão de A Charlie Brown Christmas, a trilha sonora de Vince Guaraldi para o especial de TV dos Peanuts, original de 1965. Keery explicou que este disco transcende a temática natalina, representando para ele um porto seguro de calor, nostalgia e beleza melódica atemporal. O jazz intimista de Guaraldi, com seus pianos delicados e levadas descontraídas, introduziu Djo a um universo de sofisticação harmônica e emoção pura, demonstrando que a música transformadora pode vir das fontes mais inesperadas. Esta influência fala de uma busca por autenticidade e um toque humano que ele aspira incorporar em seu som.

Ao cruzar a linha do tempo e dos gêneros, dos sintetizadores futuristas de Tame Impala aos riffs atemporais do AC/DC, a lista de Joe Keery como Djo não é apenas uma coleção de preferências. É um retrato autêntico de um artista em constante evolução, que absorve o passado para construir um futuro sonoro único. Cada álbum, em sua singularidade, contribuiu para a tessitura complexa de sua identidade musical, provando que as influências mais poderosas são aquelas que nos “destroem” e nos reconstroem de novas formas.

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