O mercado de seguros de vida individual no Brasil passou por uma transformação significativa na última década, impulsionado pela tecnologia e pela diversificação de produtos. No centro dessa mudança, a Gorilla Life, fundada por Ricardo Teixeira, defende que o verdadeiro motor para expandir o setor não é apenas a digitalização, mas sim uma abordagem de consultoria financeira que coloca o corretor como um conselheiro de longo prazo, e não um mero vendedor de apólices.
Da venda de colchões à proteção financeira: a trajetória de Ricardo Teixeira
Ricardo Teixeira chegou ao mercado de seguros em 2017, após uma carreira comercial que incluiu a venda de vacinas, cursos de inglês e colchões. O que começou como um atrativo puramente financeiro se transformou em uma descoberta: o trabalho de proteção financeira era mais nobre do que imaginava. Atuou como consultor entre 2017 e 2019, estruturou operações em corretoras de investimentos e, em 2021, tornou-se representante de seguros da MetLife. Em 2023, fundou a Gorilla Life, que hoje comercializou mais de 8 mil apólices e acumula R$ 10 bilhões em capital segurado sob gestão, com uma equipe de mais de 50 profissionais. A meta é atingir 10 mil apólices até meados de 2027.
Consultoria financeira como diferencial competitivo
Para Teixeira, a forma tradicional de vender seguro de vida está errada. “A principal maneira de conversar sobre isso é não falando sobre seguro a princípio. É conversando sobre as prioridades da vida da pessoa, seus projetos, sonhos e como funciona o comportamento financeiro dela”, afirma. Essa abordagem consultiva exige um relacionamento contínuo, em que o profissional acompanha a evolução do cliente — nascimento de filhos, mudança de escola, de cidade, de profissão — e revisa o capital segurado conforme a renda, o patrimônio e a composição familiar mudam.
O problema, segundo o executivo, surge quando a venda termina na contratação da apólice. “Um profissional mal treinado acaba vendendo para pegar a comissão do imediato e não pensa no longo prazo.” Para combater essa prática, a Gorilla Life criou a Gorilla Expert, uma escola voltada à formação de profissionais que atuam com seguro de vida, desde a construção do mercado potencial até a manutenção do relacionamento com o segurado.
O que diferencia um corretor de seguros de um consultor de proteção financeira?
Na prática, a regulamentação trata ambos como corretores de seguros. Mas, para Teixeira, a atuação em vida individual está muito mais próxima de uma consultoria de proteção financeira. Enquanto o corretor tradicional é associado ao seguro de automóvel, o consultor financeiro entende as necessidades de longo prazo do cliente e recomenda coberturas que realmente façam sentido. Essa distinção é crucial para que o consumidor não contrate um produto inadequado no momento em que mais precisar.
Investimento pesado na formação de novos profissionais
A Gorilla Life recruta profissionais em transição de carreira e investe pesadamente na formação inicial. Dependendo do perfil, a empresa pode desembolsar mais de R$ 200 mil por profissional, somando bolsa de transição e recursos para o processo de formação. O modelo não prende o corretor; a permanência é consequência das condições oferecidas. A empresa também desenvolveu seu próprio CRM e utiliza inteligência artificial em processos internos, enquanto as redes sociais servem como canal de recrutamento e divulgação da carreira.
Tecnologia que amplia, não substitui, o papel humano
Teixeira reconhece que a digitalização facilita a contratação — em poucos cliques o consumidor pode acessar diversas cotações. No entanto, ele acredita que a tecnologia torna o corretor ainda mais fundamental. “Assim como você precisa ir ao médico para saber qual remédio tomar, o corretor se torna ainda mais fundamental para que você não contrate um produto errado, que não vai fazer sentido na hora em que mais precisar.” A inteligência artificial e o CRM da Gorilla Life automatizam tarefas operacionais, liberando o profissional para o atendimento consultivo.
O longo caminho para expandir o seguro de vida no Brasil
Para Teixeira, o setor ainda está no início. “Eu acho que a gente nem começou. Temos um longo caminho pela frente, um trabalho bandeirante mesmo, de criar estrada para construir essa consciência.” O próximo ciclo de crescimento dependerá de duas frentes: ampliar a consciência financeira da população e preparar profissionais qualificados para atender esse consumidor. A Gorilla Life aposta que, combinando consultoria financeira com tecnologia, é possível transformar a percepção do seguro de vida de um custo necessário para um pilar estratégico do planejamento financeiro pessoal.

