Enquanto a indústria musical pressiona artistas a perseguirem estádios e números cada vez maiores, o duo LANY está fazendo o movimento contrário. Paul Jason Klein e Jake Clifford Goss, a mente e o coração por trás das canções que conquistaram uma geração, escolheram desacelerar. Após o lançamento do álbum Soft, eles preparam um retorno ao Brasil em 2026 que é mais do que uma turnê: é uma declaração de princípios. Em entrevista exclusiva, os músicos revelam por que trocaram grandes arenas pelo palco da Audio, em São Paulo, no dia 11 de março, em um compromisso que prioriza a conexão humana acima de tudo.
A busca por autenticidade define a nova fase do LANY
Para Paul Klein, vocalista e principal compositor da banda, a mudança de rumo não é apenas estratégica, mas existencial. “Eu só estou interessado em ser o Paul Klein como pessoa”, afirma, em uma frase que sintetiza o ethos do projeto atual. O minimalismo que permeia o álbum Soft e a concepção da nova turnê não é, portanto, uma estética de moda, mas uma extensão natural de quem eles são. “Escrevemos direto do coração. É o nosso estilo. É como a gente funciona”, explica Paul, reforçando que a honestidade artística se tornou a bússola inegociável. Esta busca por uma expressão mais crua e pessoal os levou a reavaliar o formato de seus shows, optando por espaços onde a barreira física e emocional entre artista e público seja mínima.
O ritual do cabelo molhado e a promessa de uma experiência imersiva
Um dos símbolos mais marcantes dos shows do LANY é o ritual de Paul Klein subir ao palco com o cabelo molhado. Mais do que um visual cuidadosamente elaborado, trata-se de um gesto de imersão total, um mergulho literal e figurativo no momento da performance. Questionado se o calor característico de São Paulo transforma esse ato em uma necessidade prática ou em parte do espetáculo, ele responde com bom humor: “Talvez um pouco dos dois. Mas nada supera a sensação de estar com o cabelo molhado no palco”. Essa entrega física ganha uma dimensão ainda mais poderosa no contexto íntimo da Audio. Jake Goss, o baterista, convida o público a vivenciar essa proximidade de forma sensorial: “Se você estiver na primeira fila e o Paul balançar o cabelo, você vai sentir a água batendo na pele. Vai ser incrível”. É a promessa de uma experiência que transcende o auditivo para se tornar tátil.
Escolha pela Audio prioriza conexão em detrimento do lucro
A decisão de se apresentar em uma casa de show de capacidade reduzida como a Audio não foi tomada sem consciência das implicações logísticas e financeiras. Paul Klein aborda o assunto com uma transparência rara no meio artístico. “Sendo sincero, a Audio não é tão grande. Acho que vamos até perder dinheiro fazendo este show [risos]. Não sei se conseguiremos trazer toda a estrutura, essa é a verdade nua e crua”, admite. O cálculo, no entanto, para o duo, não é puramente econômico. O que está em jogo é o valor de uma troca genuína. Jake vê a configuração mais enxuta como uma oportunidade: “Vai parecer algo mais íntimo, justamente por ter menos produção. Seremos apenas nós e vocês. Vamos fazer uma festa!”. Para o baterista, a essência do show permanece inalterada: “Sempre quero entregar 100%. Não vejo a hora de levar isso para o Brasil”. A mensagem é clara: a qualidade da experiência coletiva vale mais do que a escala do espetáculo.
Paul Klein revela fascinação pelo público brasileiro sem barreiras
A empolgação com o formato do show na Audio está diretamente ligada à maneira como Paul Klein enxerga a interação com o público. Ele não esconde sua preferência por ambientes que eliminam distâncias. “Eu amo situações sem barricada, onde as pessoas ficam encostadas no palco”, confessa. Esse desejo de proximidade encontra um terreno fértil no Brasil, país com o qual a banda mantém uma relação especial. Paul define os fãs brasileiros de forma carinhosa e definitiva: “nosso tipo favorito de gente”. Em um apelo direto e emocionado, ele completa: “Eu realmente espero que as pessoas apareçam. Nós nos esforçamos muito para trazer esse show até vocês, então significaria muito para nós se vocês comparecessem”. É um convite que vai além da mera divulgação de um evento; é um pedido para compartilhar um momento de vulnerabilidade e verdade artística.
Disco de John Mayer é apontado como obra que parou o mundo para Paul Klein
A conversa também mergulhou nas influências musicais que moldaram os integrantes do LANY, revelando as raízes de sua sensibilidade. Quando instigados a escolher entre ter mais discos ou mais amigos, as respostas foram reveladoras. “Para ser sincero, eu não tenho muitos de nenhum dos dois”, riu Paul, enquanto Jake optou pelo lado humano: “Eu fico com os amigos, mas colocar um disco para tocar é como reencontrar um velho amigo”. Sobre os álbuns fundamentais, as escolhas foram precisas e emocionadas. Paul Klein não hesitou ao citar Continuum, de John Mayer: “Aquele álbum me parou. O mundo parou quando o ouvi. Provavelmente é o disco que mais ouvi na vida”. Já Jake Goss trouxe à tona a doçura atemporal de Golden Hour, de Kacey Musgraves, destacando seu poder de união familiar: “É um disco que minha esposa, minha filha e eu ouvimos juntos. É incrível do começo ao fim”. Essas referências ajudam a entender a busca do LANY por uma música que seja, ao mesmo tempo, profundamente pessoal e universalmente ressonante.
Show na Audio em março de 2026 marca encontro baseado na honestidade
O desembarque do LANY em São Paulo, marcado para 11 de março de 2026 na Audio, com realização da 30e, representa mais do que uma data na agenda. É a materialização de uma filosofia artística que coloca a conexão autêntica no centro do palco. Com ingressos sendo vendidos via EVENTIM, o evento se apresenta como uma rara oportunidade de testemunhar a banda em um contexto despojado, onde cada nuance da performance e cada letra cantada poderão ser sentidas com uma intensidade incomum. A produção minimalista, longe de ser uma limitação, atua como um catalisador para a emoção pura, permitindo que a essência das músicas de Soft e do repertório anterior brilhe sem intermediários.
O objetivo final, nas palavras do próprio Paul Klein, é ambicioso na sua simplicidade: “Espero que o público leve para casa o sentimento de que esse foi o melhor show que já viram na vida”. Não se trata de pirotecnia visual ou de um setlist repleto de hits, mas da crença de que um encontro honesto, íntimo e carregado de entrega pode gerar uma memória indelével. Em um mundo musical muitas vezes dominado pelo excesso, o LANY aposta que menos pode ser, definitivamente, muito mais.

