Microsoft confirma que extensões próprias causam lentidão no Windows 11

Empresa reconhece que extensões como Clipchamp e Copilot provocam atraso incômodo no menu de contexto do sistema.

A Microsoft admitiu que extensões próprias com carregamento tardio causam lentidão no menu de contexto do Windows 11.
Destaques
  • A Microsoft revelou que extensões como Clipchamp e Copilot causam atraso no menu de contexto do Windows 11.
  • Tali Roth, responsável pelo Windows Shell, confirmou que o carregamento tardio das extensões é o culpado.
  • A empresa testa submenu 'Gerenciar arquivos' e promete personalização, mas sem data para lançamento estável.

Se você usa Windows 11 e sente aquele pequeno travamento ao clicar com o botão direito — um atraso quase imperceptível, mas que incomoda —, a Microsoft finalmente revelou o motivo. A empresa reconheceu que as próprias extensões que ela adiciona ao sistema operacional são as responsáveis pela lentidão no menu de contexto. O problema, que afeta usuários desde o lançamento do sistema, foi detalhado por Tali Roth, responsável pelo produto Windows Shell, em uma postagem que circulou no início de junho de 2026.

Por que extensões da própria Microsoft causam lentidão no Windows 11

O culpado, segundo Roth, é o mecanismo de carregamento tardio de extensões (lazy loading). Quando você abre o menu de contexto, o Windows exibe imediatamente uma versão inicial, mas itens como “Editar com Clipchamp”, “Editar com Bloco de Notas”, “Perguntar ao Copilot” e “Editar com Paint” são carregados depois. Em máquinas com hardware mais modesto, esse processo pode levar alguns segundos, e o menu inteiro se expande após o carregamento, deslocando a posição do cursor. O resultado é duplamente frustrante: o menu é lento e, pior ainda, induz ao clique errado em uma opção que não era a desejada.

Roth afirmou textualmente: “É causado pelas extensões com carregamento tardio, e estamos trabalhando nisso.” A declaração veio um dia após Marcus Ash, também da Microsoft, ter delineado planos para tornar o menu “mais rápido, mais simples e personalizável”.

Uma ironia incômoda: a Microsoft limpou a casa para depois sujá-la sozinha

A situação tem uma camada extra de constrangimento. Ao reformular o menu de contexto no Windows 11, a Microsoft decidiu ocultar todas as extensões de terceiros atrás do item “Mostrar mais opções”, criando uma camada adicional. A ideia era oferecer um menu limpo e rápido. Só que, aos poucos, a própria empresa começou a preencher esse menu limpo com suas próprias extensões — Copilot, Clipchamp, Bloco de Notas, Paint —, e pior: elas aparecem para qualquer tipo de arquivo, independentemente de serem executáveis, imagens ou documentos de texto. O usuário não tem um meio oficial de removê-las; precisa apelar para edição de registro ou ferramentas de terceiros. Depois de cinco anos de reclamações, a conclusão a que a Microsoft chegou é que as próprias extensões que ela impôs são a causa da lentidão.

O que está sendo feito: submenu “Gerenciar arquivos”, menus divididos e personalização

Apesar da ironia, a Microsoft já apresenta soluções em estágio de teste. Em versões preview do Windows 11, está sendo experimentado um submenu chamado “Gerenciar arquivos”, que agrupa operações de baixa frequência como “Compactar em ZIP”, “Copiar caminho” e “Definir como plano de fundo da área de trabalho”. Testes de imprensa indicam que a área vertical ocupada pelo menu principal foi reduzida em mais de 25%. Itens de provedores de nuvem, como “Manter sempre neste dispositivo” e “Liberar espaço”, também foram movidos para submenus específicos de cada serviço (OneDrive, por exemplo).

Outra novidade em desenvolvimento pela equipe WinUI é o menu de contexto dividido (split context menu). Cada linha do menu teria duas zonas: um clique à esquerda executa a ação padrão; um clique na seta à direita abre um submenu com ações relacionadas ao mesmo aplicativo. Isso reduz a duplicação de entradas e dá mais agilidade.

Além disso, Marcus Ash prometeu para o futuro próximo uma funcionalidade de personalização do menu de contexto, permitindo que o usuário adicione ou remova itens diretamente — algo que até hoje só era possível com ferramentas de terceiros ou via registro do sistema.

Linha do tempo: de 2021 a 2026, o caminho até o reconhecimento do problema

DataEvento
Outubro de 2021Windows 11 é lançado com menu de contexto de duas camadas; extensões de terceiros são relegadas a “Mostrar mais opções”.
Maio de 2025Microsoft adiciona “Perguntar ao Copilot” ao menu; extensões próprias se acumulam (Clipchamp, Bloco de Notas, Paint), exibidas para todos os tipos de arquivo.
Novembro de 2025Testes com submenu “Gerenciar arquivos” em builds preview; redução de 25% na área ocupada.
Março de 2026Microsoft anuncia plano de melhoria de qualidade K2, com foco em desempenho, confiabilidade e UI.
3 de junho de 2026Marcus Ash delineia metas para um menu “mais rápido, simples e personalizável”.
4 de junho de 2026Tali Roth confirma que extensões próprias com carregamento tardio são a causa da lentidão.

O veredito: reconhecimento é bom, mas entrega é melhor

O recado da Microsoft é claro: a direção técnica está endereçada. O problema foi diagnosticado, as soluções estão em preview e há um compromisso público de melhoria. Isso representa uma mudança de postura em relação aos anos anteriores, quando a empresa parecia ignorar as reclamações. No entanto, para o usuário final, o que importa é quando essas correções chegarão à versão estável do Windows 11. O submenu “Gerenciar arquivos” ainda não saiu do canal Insider. A personalização do menu não tem data de lançamento. E a promessa de tornar o Windows 11 “mais rápido” já foi feita antes, em março, com o plano K2, e em abril, quando Satya Nadella falou em “reconquistar os fãs”. Agora, com a causa finalmente identificada e assumida, a Microsoft precisa mostrar que consegue converter diagnóstico em correção em um prazo que faça jus a cinco anos de expectativa. Caso contrário, o reconhecimento será apenas mais uma página na longa história de promessas do ecossistema Windows.

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