O Windows 11 acaba de ganhar uma funcionalidade que promete aliviar a cabeça de quem não quer modelos de inteligência artificial ocupando espaço no SSD sem permissão. Em uma build recente do canal Insider Experimental, uma página oculta de gerenciamento de componentes de IA permite remover o modelo Phi Silica com um único clique — um movimento sutil, mas que aponta para uma mudança real na postura da Microsoft. Até agora, os modelos de IA do Copilot+ PC eram instalados automaticamente via Windows Update e não havia qualquer opção oficial para se livrar deles.
A página oculta que permite desinstalar Phi Silica
A build 26300.8553 do Windows 11 Insider Experimental esconde uma interface que não aparece na navegação normal do aplicativo Configurações. Para acessá-la, é necessário executar o comando ms-settings:ai-componentscodecodecodecodecode — um URI direto que revela uma tela dedicada ao gerenciamento dos modelos de inteligência artificial instalados no sistema. A página exibe, para cada componente, o editor, a versão, o tamanho em disco, o volume de dados utilizados e o consumo total de armazenamento.
No momento, apenas um modelo pode ser removido: o Phi Silica, um small language model (SLM) que a Microsoft otimizou para rodar exclusivamente na NPU (unidade de processamento neural) dos Copilot+ PCs. Com aproximadamente 2,59 GB, o Phi Silica é responsável por tarefas locais como sumarização de texto e geração de conteúdo, funcionando nos bastidores de recursos como Recall e Cocreator. Ao lado dele, o botão “Desinstalar” está disponível e, após a remoção, o espaço é recuperado mediante reinicialização do sistema.
Os demais componentes — relacionados a geração, processamento e conversão de imagens — ainda não possuem o botão de remoção. A Microsoft parece ter começado pelo modelo mais volumoso e central, deixando claro que a liberdade ainda é parcial.
O problema da instalação forçada de modelos de IA
A novidade chega em meio a um histórico recente de críticas sobre instalação automática de modelos de IA sem o consentimento do usuário. Em maio, por exemplo, descobriu-se que o Google Chrome baixava o modelo Gemini Nano de cerca de 4 GB sem aviso prévio; mesmo que o arquivo fosse deletado manualmente, o navegador o recarregava sozinho. O caso gerou forte reação e pressionou o Google a adicionar uma opção de desativação.
No ecossistema Windows, a situação não era diferente. Desde o lançamento dos Copilot+ PCs, modelos como o Phi Silica são entregues por meio do Windows Update. Em maio, a atualização KB5096568 para dispositivos com processadores Qualcomm trouxe uma nova versão do Phi Silica com aproximadamente 1,1 GB de download. Estima-se que o conjunto completo de modelos de IA instalados em um Copilot+ PC pode ocupar entre 5 e 6 GB — um volume difícil de ignorar em SSDs de 256 GB, que já precisam acomodar cerca de 30 GB só do sistema operacional.
Testes internos de insiders indicam que, ao remover todos os componentes de IA dispensáveis, é possível liberar aproximadamente 5 GB de espaço. Para quem lida com o limite apertado de armazenamento, a diferença é sensível.
A Microsoft começa a ceder: de Copilot a modelos de IA
O movimento atual não é isolado. Ao longo de 2025, a Microsoft demonstrou uma disposição gradual de recuar na estratégia de “empurrar” o Copilot para todos os usuários. Em janeiro de 2026 (no calendário da build), uma política de grupo permitiu que insiders removessem o aplicativo Copilot propriamente dito. Em abril, a mesma possibilidade foi estendida a todos os usuários, que passaram a poder desinstalar o Copilot como qualquer outro aplicativo comum nas Configurações.
O novo painel de componentes de IA segue essa mesma linha. Embora ainda seja uma funcionalidade oculta e restrita ao Phi Silica, o gesto sinaliza que a Microsoft reconhece o desgaste causado pela instalação não solicitada de modelos que consomem recursos e espaço. Vale notar que a legislação europeia (Digital Markets Act) pressiona pela possibilidade de remoção de softwares pré-instalados, o que pode estar acelerando essa decisão.
Adoção real do Copilot: números que explicam a guinada
Por trás da mudança de postura, há também dados de mercado. O Microsoft 365 Copilot, na versão paga, atingiu 15 milhões de assentos no início de 2026 — um crescimento de 160% em relação ao ano anterior. Porém, quando comparado ao total de usuários comerciais do Microsoft 365, que gira em torno de 450 milhões, a taxa de adoção é de apenas 3,3%. Pesquisas indicam que, mesmo nas organizações que adquiriram licenças, apenas cerca de 36% dos usuários realmente utilizam o Copilot no dia a dia.
O cenário é claro: a grande maioria dos usuários não quer ou não precisa da IA integrada. Instalar modelos automaticamente nesse contexto gera mais rejeição do que valor. A Microsoft parece ter percebido que o caminho não é empurrar, mas dar o controle de volta ao dono da máquina.
Como desinstalar modelos de IA no Windows 11 (se você tiver a build certa)
Quem estiver rodando o Windows 11 Insider Experimental build 26300.8553 pode acessar a página oculta de gerenciamento de componentes de IA com o comando ms-settings:ai-componentscodecodecodecodecode. Lá, o modelo Phi Silica aparece listado com um botão “Desinstalar”. Basta clicar, confirmar a ação e reiniciar o sistema para recuperar os cerca de 2,59 GB ocupados. Para os demais modelos, ainda não há opção de remoção. A funcionalidade deve chegar a versões estáveis nos próximos meses, mas ainda não há confirmação oficial de cronograma ou de ampliação da lista de componentes removíveis.
O que significa ter o controle sobre a IA no próprio PC
Um botão de desinstalação pode parecer uma mudança trivial, mas carrega um princípio fundamental: o usuário deve decidir o que roda em seu hardware. Durante anos, fabricantes de sistemas operacionais trataram componentes de inteligência artificial como extensões inseparáveis do SO, instalados de forma opaca. A Microsoft, ao oferecer — ainda que de forma tímida e experimental — a possibilidade de remover o Phi Silica, reconhece que uma máquina pessoal não é um laboratório corporativo. O PC é do usuário, e o espaço nele também.

