Após meses de críticas e pedidos da comunidade, a Microsoft finalmente começou a tratar o menu Iniciar do Windows 11 como um espaço verdadeiramente personalizável. O build 26300.8553, distribuído em 29 de maio de 2026 para o canal Experimental (antigo Dev), introduz um menu Iniciar modular: as seções de “Fixados”, “Recomendados” (agora renomeada para “Recentes” em inglês) e “Todos” ganharam interruptores independentes. Pela primeira vez, é possível desativar apenas a área de recomendação de arquivos sem afetar as listas de atalhos do Explorador de Arquivos ou outras configurações do sistema. O mesmo build também permite escolher entre os tamanhos “Pequeno”, “Grande” e “Automático” para o menu, além de ocultar o nome e a foto do perfil — funcionalidade útil para apresentações e compartilhamento de tela.
O fim do “Recomendados” imposto: seções modulares e independentes
Desde o lançamento do Windows 11, a seção “Recomendados” (ou “Recommended”) do menu Iniciar foi um dos pontos mais controversos da interface. Ela exibia arquivos e aplicativos usados recentemente, e embora houvesse opções para desativar itens individualmente, o processo era confuso e trazia um efeito colateral indesejado: desligar as recomendações também removia as listas de atalhos do Explorador de Arquivos (jump lists). O build 26300.8553 resolve esse problema com uma abordagem limpa: cada uma das três grandes áreas do menu — “Fixados”, “Recomendados” e “Todos” — agora possui um toggle próprio nas configurações. É possível, por exemplo, manter apenas os aplicativos fixados e ocultar completamente as seções de recomendação e lista completa de apps. A Microsoft também alterou o nome em inglês da seção de “Recommended” para “Recent”, indicando uma mudança de foco: não se trata mais de sugestões algorítmicas, mas sim de um histórico recente controlado pelo usuário. A localização para o português brasileiro deve acompanhar essa mudança nos próximos builds.
O que torna essa alteração técnica e prática é a separação definitiva entre o que aparece no menu Iniciar e os dados de uso do sistema. Antes, os controles estavam espalhados por diferentes painéis de configuração (Personalização > Iniciar, Configurações de privacidade, Opções do Explorador). Agora, desligar a seção “Recentes” no Iniciar não interfere nas listas de atalhos do Explorador nem nas recomendações de arquivos em outras partes do sistema. É uma correção de design que alinha o Windows 11 ao que o Windows 10 já oferecia — mas com uma implementação mais moderna e modular.
Redimensionamento manual e ocultação de perfil: ajustes que fazem diferença
Outra reclamação recorrente era a impossibilidade de controlar o tamanho do menu Iniciar. No Windows 11, ele se ajustava automaticamente com base na resolução e no tamanho da tela, sem opção de override. O build Experimental adiciona três modos: “Pequeno”, “Grande” e “Automático” (padrão). O modo “Pequeno” reduz significativamente a altura do menu, mostrando menos itens e ocupando menos espaço vertical — ideal para notebooks com tela de 13 ou 14 polegadas. O modo “Grande” expande o grid de ícones e a área de recomendações. A Microsoft afirma que, mesmo ao conectar um monitor externo, o sistema tentará manter o tamanho escolhido sempre que possível, evitando saltos inesperados de layout.
Há ainda a opção de ocultar o nome do usuário e a foto de perfil que aparecem no topo do menu Iniciar. Esse recurso, embora discreto, atende a uma demanda real de quem realiza apresentações, grava tutoriais ou compartilha a tela em reuniões e não quer expor informações pessoais. A configuração fica na mesma página de personalização do menu Iniciar, centralizada com os demais controles.
Central de configurações do Iniciar redesenhada
Aproveitando a introdução dos toggles modulares, a Microsoft reformulou a página de configurações do menu Iniciar (Configurações > Personalização > Iniciar). Antes, as opções estavam fragmentadas: as permissões de exibição de aplicativos recentes ficavam em um lugar, os controles de pastas do Iniciar em outro, e as opções de recomendação em uma terceira seção. Agora, todos os interruptores relacionados às seções — Fixados, Recentes, Todos — estão agrupados em um único bloco, com descrições claras. A página também exibe os controles de tamanho do menu e a opção de ocultar perfil. O redesign não apenas melhora a usabilidade, mas também sinaliza uma padronização que deve se estender a outras áreas do sistema operacional.
Busca no Windows ganha suporte a substring: mudança sutil, impacto real
O mesmo build Experimental também inclui uma melhoria no mecanismo de busca do Windows: agora é possível localizar arquivos digitando apenas parte do nome, sem precisar usar curingas (*codecodecodecode). Por exemplo, um arquivo chamado “MeetingNotesApril.docx” poderá ser encontrado ao digitar “april” ou “notes”, algo que antes exigia o uso de *april*codecodecodecode ou uma indexação específica. O recurso é particularmente útil para quem adota o padrão de nomenclatura concatenada (PascalCase ou camelCase) ou para arquivos com nomes longos e compostos. A Microsoft implementou o reconhecimento automático de limites de palavras dentro de strings, sem necessidade de configuração adicional. Essa funcionalidade também está disponível no canal Beta (build 26220.8544), indicando que deve chegar mais rapidamente ao público estável.
Canal Beta recebe spinners unificados e ajustes de impressão
No mesmo dia 29 de maio, o canal Beta recebeu o build 26220.8544, que não inclui as mudanças no menu Iniciar, mas traz duas melhorias relevantes. A primeira é a unificação dos spinners (animação de carregamento) exibidos durante inicialização, logon, reinicialização, desligamento e aplicação de atualizações. Antes, cada tela usava um design diferente — alguns com pontos girando, outros com círculos concêntricos. Agora, todas passam a usar um único formato de anel (donut) com a mesma paleta de cores e velocidade de rotação. O texto de status também foi padronizado: “Reiniciando”, “Aplicando atualizações”, “Bem-vindo” seguem a mesma tipografia e posicionamento. A mudança é cosmética, mas melhora a consistência visual do sistema.
A segunda novidade no Beta é um interruptor na página de impressoras (Configurações > Bluetooth e dispositivos > Impressoras e scanners) chamado “Usar o Windows Ready Print para instalar impressoras por padrão”. Esse controle está ligado à estratégia da Microsoft de eliminar gradualmente os drivers de impressora de terceiros (fornecidos pelos fabricantes) e adotar o protocolo IPP (Internet Printing Protocol) como padrão. Quando ativado (padrão), novas impressoras serão configuradas usando o driver genérico do Windows, que se comunica via IPP, dispensando a instalação de software proprietário. Se o usuário desativar o toggle, o sistema volta a buscar o driver tradicional do fabricante. É uma medida que visa simplificar a configuração de impressoras e reduzir problemas de compatibilidade e segurança associados a drivers legados.
| Funcionalidade | Build Experimental 26300.8553 | Build Beta 26220.8544 |
|---|---|---|
| Seções modulares no Iniciar | Sim | Não |
| Redimensionamento do Iniciar | Sim | Não |
| Ocultação de perfil no Iniciar | Sim | Não |
| Busca por substring | Sim | Sim |
| Spinners unificados | Não | Sim |
| Toggle Windows Ready Print | Não | Sim |
| Correções no PC Reset | Sim | Não |
Ambos os builds foram distribuídos em 29 de maio de 2026. Experimental corresponde ao antigo canal Dev; Beta é o canal intermediário.
Um passo na direção certa — mas ainda é preview
As mudanças no menu Iniciar são parte de uma iniciativa maior de melhoria de qualidade anunciada pela equipe Windows + Devices da Microsoft em março de 2026. Em 15 de maio, o blog oficial do Windows Insider já havia antecipado o foco em personalização da barra de tarefas e do menu Iniciar. A primeira leva trouxe opções de posicionamento (topo, laterais) e modo compacto para a barra de tarefas. Agora, com o build Experimental, o menu Iniciar recebeu sua segunda rodada de refinamentos. É um movimento que corrige atrasos históricos — muitas dessas capacidades existiam no Windows 10 e foram removidas na versão 11.
No entanto, é importante lembrar que o build 26300.8553 está no canal Experimental, o mais instável e sujeito a mudanças radicais. As funcionalidades descritas podem ser alteradas, cortadas ou adiadas antes de chegar ao canal Release Preview e, eventualmente, à versão estável. O caminho típico envolve pelo menos alguns meses de testes nos canais Beta e Release Preview. Ainda assim, a direção é clara: a Microsoft está devolvendo ao usuário o controle sobre seu próprio sistema operacional. O que falta saber é quanto tempo levará para que essas opções simples — mas fundamentais — estejam disponíveis para todos.

