Octavio do Holostars revela projetos musicais e planos para 2026

Por Gaming Central - Equipe Editorial de Games

Desde que integrou o elenco da Holostars English, mais especificamente da unidade Armis, a carreira do VTuber Octavio tem sido marcada por uma produção musical intensa e diversificada. Em pouco mais de um ano de atividades, ele já acumula uma série de lançamentos que vão de covers solos e colaborações cruzadas a composições originais, consolidando a música como um pilar central de sua identidade como criador de conteúdo. Esse ritmo acelerado, porém, é apenas um reflexo de uma estratégia deliberada e de uma profunda paixão pelo processo criativo, que ele busca aprofundar a cada novo projeto.

Ao contrário do que a quantidade de material lançado possa sugerir, sua rotina é estruturada com um rigor quase militar, mas projetada para sustentabilidade a longo prazo. Acordando às 4 da manhã e encerrando sua jornada de trabalho ao meio-dia, Octavio reserva a parte mais produtiva do seu dia para o cerne de sua criação: a música. Nesse período, ele se dedica a arranjos, gravações, mixagens e a conclusão de tarefas administrativas, deixando as transmissões ao vivo – cerca de quatro horas diárias – como um momento de conexão direta, mas que ele classifica mais como “fan service” do que como atividade essencial para a sobrevivência de sua marca. Essa abordagem “music-first”, adotada no início do ano, reflete uma maturidade profissional rara, onde a prioridade está no legado artístico e não apenas no volume de conteúdo semanal.

Colaborações além das fronteiras: a lição de “Jane Doe”

Um dos marcos mais significativos dessa fase foi o lançamento de “Jane Doe”, um dueto em abril com a talentosa Enna Alouette, do Nijisanji EN. Projetos envolvendo talents de agências concorrentes tradicionalmente podem esbarrar em complexidades burocráticas, desde permissões de uso de imagem até questões de direitos autorais. No entanto, a experiência de Octavio foi surpreendentemente simples. A barreira mais significativa, conforme ele mesmo admitiu, não foi corporativa, mas pessoal: encontrar a coragem para estender o convite à colega. A receptividade tanto de Enna quanto de sua equipe de gestão eliminou quaisquer obstáculos técnicos, resultando em um processo colaborativo fluido e uma música que ressoou fortemente com as respectivas comunidades. Esse caso serve como um precedente encorajador no cenário de VTubing, demonstrando que a cooperação criativa pode superar estruturas de mercado.

A interação com os fãs em torno de “Jane Doe” também foi transformadora. Ao lançar um desafio de dueto nas redes sociais, Octavio incentivou seus seguidores – carinhosamente chamados de “poppets” – a enviarem suas próprias versões cantando junto. A diretriz era clara: cantem de qualquer jeito, sem medo do julgamento. A resposta foi avassaladora e criativa, com muitos indo além de uma simples repetição da melodia, adicionando harmonias complexas e ad-libs que reinventaram a faixa. Esse movimento não apenas democratizou o processo criativo, mas também fez com que, nas palavras de Octavio, “a música se tornasse deles”, criando um vínculo de coautoria simbólica entre o artista e seu público.

“Cold Blue”: O primeiro grande teste como arranjador

Se as colaborações testam habilidades sociais e de gestão, os trabalhos solo colocam à prova o domínio técnico. “Cold Blue”, lançada oficialmente em maio após uma apresentação inicial em um showcase 3D, representou um divisor de águas para Octavio. Foi sua primeira experiência com uma produção totalmente autoral, da composição à mixagem final. Apesar de ter apenas noções básicas de teoria musical, adquiridas em aulas de piano na infância, ele mergulhou de cabeça na complexa tarefa de produzir um arranjo completo.

O processo junto à equipe de engenharia de áudio da Cover Corp., empresa-mãe da Hololive Production, foi descrito como “nerve-wracking”. A troca de feedbacks e a necessidade de ajustes técnicos incessantes foram um aprendizado intensivo. No entanto, o ambiente respeitoso e construtivo proporcionou a segurança necessária para que ele experimentasse e aprendesse na prática, transformando a ansiedade em conhecimento adquirido.

A concepção do videoclipe de “Cold Blue” seguiu uma lógica igualmente ousada. Consciente de que sua música pop, inspirada em OPM (Original Pop Music, ou música pop de mercado geral), possuía um apelo potencial fora do nicho tradicional de fãs de animes e VTubers – mais acostumados a J-pop, rock e Vocaloid –, ele optou por uma estética deliberadamente não-anime. O resultado foi um vídeo intrigante e misterioso, centrado em um homem com uma televisão no lugar da cabeça e usando um trench coat. A escolha foi uma aposta na universalidade da narrativa visual, buscando atrair ouvintes que apreciam o som, independentemente de seu interesse no universo dos VTubers.

Expansão para novos mercados: “String Theology” em mandarim

A ambição de Octavio não se limita a gêneros musicais, mas também a fronteiras linguísticas. Após sua estreia oficial na plataforma chinesa Bilibili, ele recebeu a oportunidade de desenvolver um projeto próprio para atingir o público local. O que começou como uma ideia modesta – talvez um novo cenário para suas lives – rapidamente evoluiu para algo muito maior: uma versão em mandarim de “String Theology”, uma de suas músicas originais.

A localização foi facilitada por uma tradução que já vinha com um guia vocal, permitindo que ele aprendesse a pronúncia e a entonação corretas. O processo de gravação, no entanto, exigiu paciência e inúmeras retomadas, com muitas frases sendo editadas e montadas para formar takes completos. A insegurança com sua pronúncia foi tão grande que ele insistiu em fazer a mixagem final ele mesmo, para evitar o constrangimento de um engenheiro de som externo ouvir as takes brutas.

O projeto, que inicialmente teria um videoclipe simples, ganhou escopo quando a equipe da Bilibili se ofereceu para produzir uma animação mais elaborada. A resposta do público local ao lançamento final foi extremamente positiva, validando o esforço e demonstrando o valor de investir em conteúdos genuinamente adaptados para mercados específicos, indo além da simples transmissão de conteúdo em outra língua.

O equilíbrio criativo: jogos, variedade e a busca pelo próximo título

Embora a música seja o foco principal, Octavio mantém um cronograma regular de transmissões de variedade e games, que ele vê como momentos essenciais de relaxamento e interação com sua comunidade. Atualmente imerso em Resident Evil: Requiem, ele já traça planos para o que jogar em seguida. Na mira está o aguardado PRAGMATA, mas, como um desvio bem-humorado, ele também pretende explorar Tomodachi Life: Living the Dream. A atração pelo título da Nintendo não está na jogabilidade em si, mas na possibilidade lúdica de recriar seus colegas do Holostars como personagens dentro do jogo, gerando situações cômicas e personalizadas para o entretenimento das lives.

O horizonte de 2024: O ano da música original e projetos colaborativos

Se o passado recente foi de estabelecimento, o presente e o futuro imediato são de aceleração criativa. Octavio declarou 2024 como “o ano da Música Original”, comprometendo-se a lançar material composto e produzido integralmente por ele, do instrumental à mixagem. Um dos projetos mais concretos nessa frente é uma música original em colaboração com seus colegas de Holostars, Ruze e Altare. A composição, criada literalmente “do zero todas as madrugadas às 4h”, já está concluída na sua parte instrumental, aguardando apenas as gravações vocais dos parceiros para a fase final de produção.

Um detalhe curioso desse processo foi a inclusão da comunidade em decisões específicas sobre a música durante uma live especial, uma prática que fortalece o sentimento de pertencimento dos fãs ao projeto final. O tema da canção, revelado como sendo sobre “saudade” ou “anseio” – um sentimento que Octavio considera sua especialidade –, promete se conectar emocionalmente com sua audiência. Paralelamente a essas empreitadas autorais, ele mantém o ambicioso plano de lançar uma música cover a cada duas ou três semanas, mantendo um fluxo constante de conteúdo musical diversificado.

A expectativa para 2026 e além: um segredo gigante e mais colaborações

Quando questionado sobre suas perspectivas para os próximos anos, Octavio não esconde sua empolgação, mas também não pode revelar detalhes. Para 2026, ele anunciou que há um “PROJETO REALMENTE GIGANTE E ENORME” em andamento, sobre o qual está proibido de falar por enquanto. A frustração por não poder compartilhar a novidade é evidente, mas a confiança de que seus fãs irão adorar o resultado final é absoluta. Para além desse mistério, sua visão para 2027 e o restante de sua trareira é clara: continuar buscando colaborações com artistas incríveis, como a experiência positiva com Enna Alouette demonstrou ser possível, e continuar lançando músicas únicas que desafiem expectativas e explorem novos horizontes sonoros.

A trajetória de Octavio ilustra a evolução de um VTuber que rapidamente transcendeu a figura do simples “streamer” para se afirmar como um produtor musical sério e estratégico. Sua abordagem metódica, sua coragem em experimentar fora do nicho e sua habilidade em envolver sua comunidade no processo criativo sugerem que, independentemente do “projeto gigante” de 2026, o caminho que está sendo construído agora já é, por si só, uma história de sucesso em constante desenvolvimento.

Compartilhar este artigo
Equipe Editorial de Games
Equipe de especialistas da Overcentral dedicada à análise técnica e cobertura jornalística da indústria de games. Unimos anos de experiência no mercado e rigor editorial para entregar informações precisas sobre hardware, lançamentos e tendências globais.