A Supermassive Games, estúdio britânico conhecido por títulos como Until Dawn, The Quarry e pela série Dark Pictures Anthology, anunciou sua terceira demissão em massa em menos de dois anos. A notícia, divulgada no início desta semana, acendeu um alerta sobre a saúde financeira do desenvolvedor e os desdobramentos de uma reestruturação que já vinha sendo costurada desde 2024. O movimento ocorre em um momento particularmente delicado: o estúdio está finalizando Little Nightmares III, aguardado para 2025, e também mantém outros projetos não anunciados em desenvolvimento.
O histórico de cortes na Supermassive Games
A onda de demissões começou em meados de 2024, quando o estúdio demitiu cerca de 90 funcionários, alegando necessidade de “realinhar suas operações” após o lançamento de The Devil in Me. Na época, a empresa afirmou que a reestruturação era pontual e que os projetos em andamento não seriam afetados. Menos de um ano depois, em fevereiro de 2025, nova leva de cortes atingiu aproximadamente 30 pessoas, desta vez ligada à reavaliação do portfólio de jogos e à redução de custos operacionais.
O anúncio desta terça-feira (11) representa a terceira rodada de demissões, e o número exato de profissionais dispensados ainda não foi confirmado oficialmente. Fontes internas indicam que o corte pode atingir entre 40 e 60 postos de trabalho, concentrados nas áreas de arte, design e produção. A repetição dos cortes levanta dúvidas sobre a sustentabilidade do modelo de negócios da Supermassive, que depende fortemente de contratos com publishers e de uma agenda de lançamentos anual.
Impacto nos projetos em desenvolvimento
O principal título na linha de produção do estúdio é Little Nightmares III, uma parceria com a Bandai Namco. Apesar das demissões, a Supermassive garantiu que o cronograma do jogo não será alterado. No entanto, a rotatividade de profissionais pode comprometer a qualidade final, especialmente em um gênero que exige direção de arte refinada e animação precisa. Outros projetos, como uma potencial quarta temporada de Dark Pictures e um título original ainda não revelado, podem estar em compasso de espera.
Por que a Supermassive Games continua demitindo?
A resposta está em uma combinação de fatores macro e microeconômicos. Do lado macro, a indústria de games vive um período de contração pós-pandemia, com estúdios de todos os portes reduzindo equipes para se adaptar a um mercado mais enxuto. A Supermassive, especificamente, enfrenta desafios estruturais: seu modelo de lançamentos episódicos e de baixo orçamento (Dark Pictures Anthology) não gerou o retorno esperado, enquanto títulos maiores como The Quarry tiveram custos de produção elevados e vendas abaixo das projeções.
Além disso, o estúdio opera majoritariamente sob contratos de work-for-hire, o que significa que depende de publishers para financiar cada jogo. Quando um contrato não é renovado ou um projeto é cancelado, a equipe ociosa acaba being desligada. Essa vulnerabilidade estrutural torna a Supermassive especialmente sensível a oscilações no mercado.
Comparação com outras demissões recentes
O caso da Supermassive não é isolado. Estúdios como a Behaviour Interactive (Dead by Daylight), a CD Projekt Red e até mesmo gigantes como a Electronic Arts passaram por cortes nos últimos dois anos. A diferença é que a Supermassive, por ter uma equipe relativamente pequena (cerca de 300 funcionários antes dos cortes), sente o impacto de forma mais proporcional. Cada demissão representa uma perda significativa de expertise, especialmente em áreas como captura de movimento e roteiro, nas quais o estúdio é referência.
O que esperar para o futuro do estúdio
A Supermassive ainda detém um capital de marca considerável. Until Dawn é um clássico cult, e The Quarry foi bem recebido pela crítica. Little Nightmares III carrega a expectativa de fãs da franquia original, desenvolvida pela Tarsier Studios. Se o jogo for um sucesso comercial, pode dar fôlego financeiro para o estúdio. Por outro lado, a repetição dos cortes pode dificultar a contratação de talentos no futuro, já que a instabilidade é um fator de repulsa para profissionais do setor.
Outro ponto é a possibilidade de aquisição. Nos bastidores, especula-se que a Supermassive pode ser comprada por um grupo maior, como a Embracer Group ou a Tencent, o que estabilizaria sua operação. Até lá, cada novo anúncio de demissão será um sinal de que a indústria de games segue em um processo doloroso de ajuste, onde até mesmo estúdios com catálogo renomado precisam se reinventar para sobreviver.
