A That’s No Moon, estúdio formado por veteranos de Infinity Ward e Naughty Dog, demitiu 14 funcionários durante o desenvolvimento de Crossfire, seu aguardado jogo de tiro com cobertura. Os cortes foram revelados por meio de posts no LinkedIn de profissionais afetados, que começaram a surgir na última sexta-feira e se multiplicaram desde então.
That’s No Moon e o projeto Crossfire
Fundado em meados de 2021 com um investimento de US$ 100 milhões da publicadora sul-coreana Smilegate, o estúdio foi anunciado com ambição de criar uma nova IP de peso. Em junho deste ano, durante o Summer Game Fest, a That’s No Moon finalmente revelou Crossfire — um cover shooter que, segundo apresentações feitas à imprensa na época, evolui o gênero com mecânicas de posicionamento e progressão vertical. O time é composto por ex-desenvolvedores de franquias como The Last of Us e Call of Duty, o que gerou expectativa elevada no mercado.
Os relatos das demissões
Uma artista de ambiente associada escreveu no LinkedIn: “Infelizmente, no meu primeiro emprego na indústria de games, fui atingida por demissões na That’s No Moon”. Um artista técnico procedural complementou, mencionando ter sido pego de surpresa por “layoffs inesperados”. Já um artista de conceito de ambiente sênior afirmou ter sido “um dos catorze afetados”, número confirmado por uma produtora do time.
A produtora, em tom de gratidão, disse: “Sou incrivelmente grata pelas pessoas com quem trabalhei na TNM. Os profissionais de lá estão entre os mais talentosos, motivados e persistentes que já tive o prazer de ter ao lado. Aprendi muito, cresci muito e pude fazer um trabalho pelo qual realmente me importava.”
O momento da Smilegate
A publicadora Smilegate, que também sustenta a franquia Crossfire (o maior jogo de tiro do mundo em receita), passou por uma reestruturação nos últimos anos. Em início de 2024, a empresa fechou seu estúdio em Barcelona. Depois, no fim do mesmo ano, anunciou um acordo de investimento estratégico para se tornar sócia da Absurd Ventures, o estúdio transmídia fundado por Dan Houser, ex-Rockstar. A movimentação sugere que a Smilegate está realinhando seus recursos, o que pode ter impacto direto no financiamento de projetos como o da That’s No Moon.
Até o momento, a That’s No Moon não se pronunciou oficialmente sobre as demissões. O ocorrido levanta questões sobre a sustentabilidade de estúdios AAA independentes que dependem de grandes investidores em um cenário de consolidação e cortes recorrentes na indústria. Para o público brasileiro, que acompanha de perto as movimentações das grandes publicadoras asiáticas no Ocidente, o caso serve como alerta sobre os riscos mesmo para times com currículo de peso.
