Turnstile homenageia Stone Roses com cover inédito e confirma show no Lollapalooza Brasil 2026

A banda norte-americana Turnstile surpreendeu fãs e a crítica musical ao lançar uma versão inédita de “I Wanna Be Adored”, clássico da lendária banda britânica The Stone Roses. A performance foi gravada para a prestigiada série Like A Version do canal australiano triple j, conhecida por revelar reinterpretações que frequentemente se tornam tão icônicas quanto as versões originais. O momento marca não apenas um tributo artístico, mas também uma ponte geracional entre o explosivo hardcore moderno e as raízes do Britpop dos anos 90.

Motivação por trás da homenagem ao clássico do Stone Roses

A escolha da música não foi aleatória. Segundo revelou a guitarrista Meg Mills, a faixa estava há tempos em uma lista de possíveis covers mantida pelo vocalista Brendan Yates. No entanto, foi um evento trágico que catalisou a decisão final: a morte do baixista original do Stone Roses, Gary “Mani” Mounfield, ocorrida no ano passado. Para Mills, que cresceu no Reino Unido, a perda de Mani transformou a gravação em um ato simbólico de reverência. “Com a morte de Mani, pareceu o momento ideal para homenageá-lo”, explicou a guitarrista em entrevista à Kerrang!, destacando o peso cultural da banda de Manchester para toda uma geração.

A linha de baixo icônica que definiu uma era

Meg Mills foi enfática ao destacar o que, para ela, é o coração da canção. “A música tem uma das linhas de baixo mais icônicas de todos os tempos”, afirmou. “Acho que ela é poderosa em sua simplicidade”. Esta observação vai ao cerne do legado do Stone Roses, cujo álbum de estreia homônimo, lançado em 1989, revolucionou a cena alternativa britânica com uma fusão de rock, psicodelia e dance. A linha de baixo de “I Wanna Be Adored”, criada por Mani, é um estudo de minimalismo eficaz, uma melodia hipnótica e repetitiva que constrói a base atmosférica sobre a qual a guitarra e a voz flutuam, tornando-se instantaneamente reconhecível.

A conexão pessoal de Brendan Yates com o clássico

O vocalista Brendan Yates não esconde sua admiração pela obra-prima do Stone Roses. Em declarações sobre a escolha, Yates foi direto: “É uma das minhas músicas favoritas de todos os tempos. É original, simples e simplesmente linda”. Esta declaração revela a influência transversal do som de Manchester, capaz de ressoar com artistas de gêneros aparentemente distantes como o hardcore punk, demonstrando a qualidade atemporal da composição. A versão do Turnstile mantém a essência melancólica e introspectiva da original, enquanto injeta a energia crua e física característica da banda, criando uma releitura que é tanto fiel quanto distintamente sua.

O legado cultural do Stone Roses e do Britpop

A fala de Meg Mills sobre o Stone Roses ser “provavelmente a mais legal de todas as bandas de Manchester” reflete um sentimento amplamente compartilhado. A banda, ao lado de nomes como The Smiths e Happy Mondays, definiu o “Madchester” e pavimentou o caminho para a explosão do Britpop nos anos 90, influenciando gigantes como Oasis e Blur. O fato de uma banda contemporânea como o Turnstile, com raízes no hardcore de Baltimore, buscar inspiração nessa fonte específica fala sobre o alcance duradouro do som e da atitude daquela cena, que transcendeu seu tempo e local de origem para se tornar um marco universal da música alternativa.

Turnstile no line-up do Lollapalooza Brasil 2026

Para os fãs brasileiros, a notícia do tributo vem acompanhada de uma confirmação ainda mais concreta: o Turnstile está oficialmente confirmado no line-up do Lollapalooza Brasil 2026. O festival acontecerá no Autódromo de Interlagos, em São Paulo, entre os dias 20 e 22 de março. A participação da banda reforça a diversidade da programação do evento, que tradicionalmente mescla grandes headliners pop e de rap com bandas consagradas e emergentes do rock e do cenário alternativo global. A apresentação ao vivo será a oportunidade para o público brasileiro testemunhar a energia catártica do grupo, que tem sido aclamado por revigorar o cenário do rock moderno.

A pluralidade musical do Lollapalooza como atração principal

A inclusão do Turnstile em um cartaz que promete abranger do rock ao pop alternativo, rap e música eletrônica é emblemática da filosofia do Lollapalooza. O festival se consolidou no calendário sul-americano justamente por sua capacidade de criar um ecossismo musical plural, onde diferentes tribos e gerações se encontram. A presença da banda, conhecida por shows intensos e pela capacidade de transcender os rótulos de gênero, promete ser um dos momentos de alta energia do evento, atraindo tanto os fãs de hardcore e punk quanto os apreciadores do indie rock e das influências alternativas que permeiam seu som mais recente.

Disponibilidade de ingressos e expectativa para o festival

Os ingressos para o Lollapalooza Brasil 2026, que contará com o Turnstile e diversos outros artistas ainda a serem anunciados, já estão disponíveis para venda através do site oficial da Ticketmaster Brasil. A expectativa é que a confirmação de bandas com o apelo e a crítica positiva do Turnstile aqueça ainda mais a demanda por passes, especialmente considerando a rara oportunidade de ver a banda ao vivo no país. A performance no festival será um teste de como a banda, em ascensão meteórica nos últimos anos, conecta seu som com o grande público de um evento de massa, sem perder a intensidade que conquistou em clubes e turnês independentes.

A gravação do cover de “I Wanna Be Adored” funciona como um prelúdio perfeito para a chegada do Turnstile ao Brasil. Ela não apenas homenageia uma lenda do passado, mas também demonstra a maturidade artística e a bagagem eclética da banda, qualidades que serão postas à prova no palco do Lollapalooza. Este movimento de reverência às raízes, combinado com uma presença confirmada em um dos maiores festivais do continente, posiciona o Turnstile em um momento crucial de sua carreira: o ponto onde o respeito da cena underground encontra o reconhecimento mainstream, sem concessões à sua essência sonora. A jornada do hardcore de Baltimore até o clássico de Manchester e, em seguida, até o Autódromo de Interlagos, é um testemunho do poder da música em construir pontes invisíveis entre eras, gêneros e oceanos.

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