A Escola de Negócios e Seguros (ENS) e a Câmara de Comércio Brasil-Canadá (CCBC) formalizaram um Memorando de Entendimento (MOU) para lançar a Experiência Imersiva em Seguros e Tecnologia, programa que ocorrerá entre 6 e 11 de setembro, em Toronto, Canadá. O acordo estabelece a participação de um representante diplomático brasileiro no país ainda a ser definido, além do diretor executivo da CCBC, Khalil Leopoldo, e do conselheiro financeiro canadense Michael Kennedy, membro da diretoria da entidade. A iniciativa busca aproximar os participantes do ecossistema segurador e tecnológico canadense, combinando conteúdo técnico, visitas institucionais e prospecção de negócios.
ENS e CCBC criam ponte entre Brasil e Canadá no setor de seguros
A parceria vai além de um simples intercâmbio acadêmico. Ronny Martins, gerente de Produtos responsável pelas parcerias internacionais da ENS, explicou que o acordo com a CCBC insere uma camada estratégica à imersão. “Queremos que os participantes tenham contato não apenas com o mercado de seguros, mas também com o ambiente institucional e de negócios. A participação da CCBC e de representantes com essa experiência vai agregar positivamente ao programa, além de ampliar o repertório que estamos buscando proporcionar”, afirmou. A presença de um diplomata brasileiro no Canadá durante o treinamento reforça o caráter institucional da missão, algo raro em programas de curta duração voltados ao setor.
Como funciona a Experiência Imersiva em Seguros e Tecnologia
O programa foi estruturado pela ENS em parceria com o Chartered Institute of Marketing Management of Ontario (CIMMO), o Toronto Business College e a Brain Work Business Consulting. A turma terá 28 alunos, e a grade combina aulas teóricas, estudos de caso e visitas técnicas a instituições canadenses relevantes. Entre os locais confirmados estão a Financial Services Regulatory Authority (FSRA), que regula o setor financeiro em Ontário, e o MaRS Discovery District, um dos maiores centros de inovação urbana do mundo, localizado em Toronto. Essa diversidade de ambientes permite que os profissionais brasileiros compreendam desde a regulação prudencial até o ecossistema de startups e insurtechs que operam no Canadá.
Para o mercado segurador brasileiro, o momento é particularmente relevante. O Canadá possui um dos sistemas de regulação financeira mais maduros do mundo, com a FSRA atuando de forma integrada na supervisão de seguros, pensões e serviços financeiros. A imersão oferece uma oportunidade de benchmark direto, algo que guias de mercado ou relatórios setoriais não conseguem entregar com a mesma profundidade. A combinação com o MaRS Discovery District, por sua vez, conecta os participantes a um hub que já acelerou centenas de startups de tecnologia, incluindo empresas de insurech e fintech.
O que esperar da programação e dos resultados práticos
A imersão de seis dias foi desenhada para equilibrar teoria e prática. Os estudos de caso trarão situações reais do mercado canadense, abordando desde a subscrição de riscos até a distribuição digital de apólices. As visitas técnicas permitirão que os alunos vejam de perto como as instituições reguladoras e os centros de inovação operam no dia a dia. Para o profissional brasileiro, isso significa acesso a um modelo de mercado que combina estabilidade regulatória com incentivos à inovação, algo que pode servir de referência para adaptações no ambiente doméstico.
Outro ponto relevante é o networking institucional. A presença de Khalil Leopoldo e Michael Kennedy na coordenação do programa abre portas para contatos com executivos de seguradoras canadenses, consultores financeiros e representantes governamentais. Em um setor onde as relações pessoais e institucionais são determinantes para negócios internacionais, essa exposição pode gerar parcerias duradouras. O memorando assinado entre ENS e CCBC não é apenas um protocolo de intenções; ele estabelece um canal formal de cooperação que pode se desdobrar em novos programas de intercâmbio, pesquisa conjunta e até mesmo acordos comerciais entre empresas brasileiras e canadenses.
Por que o Canadá é um destino estratégico para profissionais de seguros brasileiros
O Canadá tem se consolidado como um laboratório para inovações em seguros, especialmente em áreas como telemática, análise preditiva e seguros paramétricos. A FSRA, por exemplo, adota uma abordagem de supervisão baseada em riscos que influencia diretamente como as seguradoras desenvolvem produtos e gerenciam capital. Para um profissional brasileiro, entender esse modelo pode trazer insights sobre como melhorar a eficiência operacional e a conformidade regulatória no Brasil, onde o mercado segurador ainda enfrenta desafios de digitalização e simplificação de processos.
Além disso, Toronto abriga uma comunidade vibrante de insurtechs e fintechs, muitas das quais já desenvolveram soluções de distribuição digital, subscrição automatizada e gestão de sinistros com uso de inteligência artificial. A visita ao MaRS Discovery District não é apenas um passeio institucional; é uma imersão em um ecossistema que gerou empresas como a League Inc. e a PolicyMe, que estão redesenhando a relação do consumidor com seguros de vida e saúde. Para os 28 participantes brasileiros, esse é um aprendizado que pode ser aplicado diretamente em suas organizações, seja na criação de novos produtos, seja na adaptação de processos internos.
Cronograma e próximos passos
A Experiência Imersiva em Seguros e Tecnologia está marcada para ocorrer entre os dias 6 e 11 de setembro. As inscrições são geridas pela ENS, e a seleção dos 28 participantes levará em conta o perfil profissional e o interesse estratégico de cada candidato. A parceria com a CCBC também prevê a realização de eventos preparatórios online antes da viagem, para alinhar expectativas e fornecer contexto sobre o mercado canadense. Após o retorno, os participantes deverão apresentar relatórios e propostas de aplicação dos conhecimentos adquiridos, criando um ciclo de aprendizado que ultrapassa a duração do programa.
Do ponto de vista de mercado, a iniciativa chega em um momento em que o setor segurador brasileiro busca se reposicionar pós-pandemia, com foco em inovação, experiência do cliente e eficiência operacional. Ter um grupo de profissionais expostos diretamente ao ecossistema canadense pode acelerar a adoção de boas práticas e tecnologias que ainda são incipientes no Brasil. A expectativa é que a imersão se torne um programa recorrente, ampliando o número de participantes e aprofundando a cooperação entre os dois países.
