Seguradoras exigem backups testados para cobertura cibernética

Mercado de seguros cibernéticos endurece critérios: backups testados e criptografados são a nova moeda de confiança.

Seguradoras exigem backups testados para cobertura cibernética
Destaques
  • Seguradoras exigem backups testados como prova de resiliência para emitir apólices.
  • 35% das organizações criptografam dados armazenados; 39% criptografam dados em trânsito.
  • Uma pesquisa de 2025 apontou que 26,5% das empresas que pagaram resgate nunca recuperaram dados.

O cenário de ameaças cibernéticas mudou a forma como o mercado de seguros avalia o risco. Hoje, as seguradoras enxergam backups íntegros e testados como prova essencial de resiliência cibernética — e como fator decisivo para a elegibilidade de cobertura. Sem evidências concretas de que uma empresa consegue se recuperar rapidamente após um ataque, o custo do seguro sobe ou a apólice simplesmente não é emitida.

Ao avaliar a prontidão cibernética de uma organização, as subscritoras não querem saber apenas de firewalls e autenticação de múltiplos fatores (MFA). Elas exigem comprovação de que a empresa sobrevive a um incidente com o mínimo de dano. É exatamente nesse ponto que os backups entram como peça central: uma estratégia confiável e testada separa uma interrupção breve de um prejuízo milionário.

Por que seguradoras exigem backups testados para cobertura cibernética?

A resposta é simples: a capacidade de recuperação define o tamanho do prejuízo que a seguradora vai pagar. Backup sem teste é apenas uma promessa. Seguradoras precisam de garantias mensuráveis de que os dados podem ser restaurados dentro do prazo esperado e com integridade total. É por isso que a regra 3-2-1 continua sendo a base de qualquer estratégia séria de proteção de dados.

A regra 3-2-1 é uma das práticas mais simples e eficazes para construir essa resiliência. Ela recomenda manter três cópias dos dados, armazenadas em dois tipos de mídia diferentes, sendo uma cópia criptografada e offline ou fora do local (offsite). Autoridades de cibersegurança dos EUA, como CISA e NIST, endossam essa abordagem porque ela limita drasticamente a perda de dados em caso de incidente. A criptografia adiciona uma camada extra: mesmo que a mídia seja perdida ou roubada, as informações permanecem ilegíveis para terceiros não autorizados. Uma pesquisa anual com decisores de TI apontou que 35% das organizações criptografam dados armazenados e 39% criptografam dados em trânsito, reforçando a importância da proteção em todas as camadas.

O setor de seguros cibernéticos está mais rigoroso

Esse foco ampliado em resiliência não é coincidência. Há poucos anos, o mercado de seguros cibernéticos estava abalado por perdas massivas com ransomware. Os prêmios dispararam, as coberturas se estreitaram e algumas seguradoras saíram do mercado. O ataque à Colonial Pipeline em 2021, no qual um resgate de US$ 4,4 milhões foi pago em poucas horas, evidenciou o quanto a infraestrutura dos EUA estava exposta.

Os números mostram a dimensão do problema: os prêmios globais de seguros cibernéticos dobraram entre 2017 e 2020, e dobraram novamente até 2022. Em 2023, cerca de uma em cada cinco seguradoras havia eliminado totalmente a cobertura para ransomware. Desde então, o mercado esfriou levemente, com queda de cerca de 6% nos prêmios nos últimos três trimestres de 2024. A mensagem das subscritoras, porém, continua clara: cobertura depende de prova de preparação.

O que as seguradoras esperam da sua estratégia de backup

Hoje, as seguradoras esperam evidências detalhadas de que os clientes conseguem responder de forma eficaz quando um ataque ocorre. Isso inclui documentação de planos de resposta a incidentes, implementação de MFA e testes de vulnerabilidade. Mas backups íntegros e testados frequentemente determinam se uma empresa consegue obter cobertura — ou pagar por ela.

Em termos práticos, a exigência se traduz em quatro pilares: testes periódicos de restauração, isolamento dos repositórios de backup em relação à rede principal, criptografia dos dados em repouso e em trânsito e autenticação de múltiplos fatores nos sistemas de backup. Esses controles dão às subscritoras confiança de que a empresa não sofrerá uma perda total, o que afeta diretamente o risco de indenização e o preço da apólice.

Na pesquisa anual da Apricorn com decisores de TI, 46% dos respondentes disseram que uma política robusta de backup é o fator mais importante para atender aos requisitos de seguro cibernético, ante 28% no ano anterior. Esse salto reflete o quanto as seguradoras agora veem os backups como medida de resiliência operacional e financeira.

Quando os backups falham, a recuperação também falha

Infelizmente, nem todas as estratégias de backup são iguais. Metade dos decisores de TI precisou restaurar dados a partir de backups no último ano. Desses, 25% recuperaram apenas parte dos dados e 8% não conseguiram recuperar nada. Os invasores sabem disso — por isso 89% das organizações tiveram seus repositórios de backup sob ataque em 2025.

Cenário de restauraçãoPercentual de empresas
Precisaram restaurar dados de backup50%
Recuperaram apenas parte dos dados25%
Não conseguiram recuperar nada8%

Backups mal projetados ou não testados não apenas atrasam a recuperação. Eles podem invalidar a cobertura ou elevar os prêmios. As seguradoras cada vez mais exigem testes regulares de backup e controles de isolamento para confirmar a recuperabilidade, além de criptografia e até autenticação de múltiplos fatores nos sistemas de backup — tudo para garantir que a empresa não fique refém de um ataque de ransomware.

A lógica financeira da resiliência

Para as seguradoras, os backups são uma consideração atuarial tanto quanto técnica. Cada minuto de indisponibilidade aumenta as possíveis indenizações, então um processo de recuperação comprovado pode reduzir drasticamente a exposição financeira. Para as empresas, isso se traduz em poder de negociação: companhias que conseguem demonstrar resiliência frequentemente se qualificam para melhores condições e prêmios menores.

Por outro lado, estratégias de backup fracas ou desatualizadas deixam as empresas pagando mais por menos cobertura. Pior: pagar um resgate não garante sucesso. Uma pesquisa de 2025 revelou que 26,5% das empresas que pagaram invasores nunca recuperaram seus dados. Só essa estatística já justifica a autossuficiência por meio de backups robustos.

O cenário brasileiro e o futuro da resiliência

No Brasil, o movimento é o mesmo. Com o aumento dos ataques de ransomware a empresas de todos os portes, as seguradoras locais estão adotando critérios mais rígidos na subscrição de apólices cibernéticas. A exigência por backups testados e isolados já é uma realidade nas negociações de contratos, principalmente em setores críticos como finanças, saúde e infraestrutura.

Seguradoras cibernéticas não são apenas absorvedoras de risco; são auditoras de risco. Elas querem ver prova mensurável de que os segurados conseguem se recuperar, não apenas se manter seguros. Um sistema de backup em camadas, que inclua cópias fora do local e offline, testes rotineiros para verificar a recuperabilidade e criptografia para proteger dados sensíveis, fornece a prova que elas precisam ver. Isso demonstra diligência, limita perdas e reforça a credibilidade da empresa em discussões de renovação.

Os ciberataques continuarão a evoluir, mas a recuperação é uma área em que as empresas podem se manter à frente. O melhor momento para testar seus backups é agora, não depois de um ataque. Aos olhos tanto das subscritoras quanto dos invasores, uma cópia verificada e offline dos seus dados pode ser o ativo mais valioso que você tem.

Compartilhar este artigo
Canal oficial de conteúdo do portal Overcentral. A Equipe Central produz notícias, guias e análises com foco em credibilidade e relevância, garantindo que você receba o melhor conteúdo editorial diariamente.