O mercado de seguros residenciais brasileiro acaba de ganhar um diagnóstico inédito sobre a qualidade dos serviços prestados pelas seguradoras, e o resultado é uma boa notícia para os consumidores. A primeira edição da Pesquisa para Melhoria Contínua do Mercado de Seguros (PMC) voltada ao segmento residencial revelou que as coberturas básicas recebem 93% de avaliação positiva no seguro residencial, com 46% das respostas classificando o item como “excelente” e 47% como “bom”. Realizado pelo Sindicato dos Corretores de Seguros do Estado de São Paulo (Sincor-SP), o levantamento ouviu 1.216 corretores entre pessoas físicas e jurídicas, que registraram 5.287 avaliações sobre 28 seguradoras.
Pontos fortes: coberturas básicas e acessórias lideram percepção positiva
O estudo avaliou oito aspectos do seguro residencial sob a ótica dos corretores, e os números mostram um mercado maduro em itens fundamentais. As coberturas básicas, que incluem proteção contra incêndio, queda de raio e explosão, não receberam nenhuma avaliação negativa — um feito raro em pesquisas de satisfação. Apenas 7% dos participantes classificaram o serviço como “regular”, enquanto o restante se dividiu entre “bom” e “excelente”. Para o economista Francisco Galiza, responsável técnico pelo estudo, o resultado é consistente: “As seguradoras não estão errando nesse aspecto”.
As coberturas acessórias, que abrangem itens como roubo, furto qualificado e danos elétricos, também se saíram muito bem, com 92% de avaliações positivas. A agilidade nas cotações, um ponto crítico para quem precisa oferecer orçamentos rápidos aos clientes, recebeu 88% de percepção favorável, sendo 39% classificadas como “excelente”. O comissionamento, tema sensível na relação corretor-seguradora, foi aprovado por 89% dos participantes.
Assistência e aplicativos: o calcanhar de Aquiles das seguradoras
Nem todos os indicadores, porém, brilharam. A qualidade da assistência e dos aplicativos concentrou as maiores proporções de avaliações “regular” ou “ruim”. Na assistência, 24% dos corretores deram nota “regular” e 5% “ruim”, totalizando 29% de insatisfação. Os aplicativos, ferramenta cada vez mais central na relação com o segurado, somaram 28% de avaliações negativas, com 23% regulares e 5% ruins. Esse dado é particularmente relevante em um cenário onde a transformação digital pressiona as seguradoras a oferecerem apps funcionais, intuitivos e estáveis — algo que ainda parece um desafio para o setor.
A rapidez no pagamento das indenizações, outro termômetro importante, ficou em patamar intermediário: 80% de avaliações positivas, 18% médias e 2% ruins. O resultado difere do observado na edição anterior da PMC, voltada ao seguro de automóveis, onde a liquidação de sinistros foi o pior critério. Isso sugere que, no residencial, as seguradoras conseguem processar indenizações com mais fluidez, mas ainda há espaço para melhorias.
Como funciona a pesquisa PMC Residencial
Diferente de pesquisas de opinião pública, a PMC opera de forma confidencial. Cada corretor avalia as seguradoras com que trabalha regularmente, sem que os resultados individuais sejam divulgados. Na média, cada profissional avaliou 4,3 companhias. As seguradoras mais citadas foram Porto, com 84,2% das menções; Allianz, 67,8%; Tokio Marine, 65,7%; Bradesco Seguros, 51,8%; e HDI, 47,9%. Esses percentuais, no entanto, refletem apenas a frequência de uso, não a qualidade do serviço — cada empresa recebeu um relatório reservado com seus pontos fortes e oportunidades de melhoria.
O que esperar: ciclo de melhoria contínua
O presidente do Sincor-SP, Boris Ber, acredita que a entrega desses relatórios pode catalisar mudanças reais. “Com certeza, vamos ver uma melhora nos produtos e na nossa vida como corretores de seguros”, afirmou. A expectativa é que o levantamento seja repetido anualmente, ampliado para outros segmentos, e que o mercado use os dados como ferramenta de direcionamento — assim como ocorreu na edição Auto, onde, segundo Galiza, as seguradoras incorporaram as críticas em melhorias futuras.
Para o corretor e também consumidor final, o recado é claro: as coberturas básicas do seguro residencial brasileiro estão em um patamar sólido, mas a experiência digital e a qualidade da assistência ainda carecem de atenção. Com o ciclo de feedback instaurado, o próximo ano deve trazer avanços justamente nos pontos que hoje concentram as ressalvas.

