Estudo revela que ações multiplicaram US$ 1 em US$ 124 mil em 125 anos

Um dólar aplicado no mercado acionário norte-americano em 1900 teria se transformado em mais de 124 mil dólares até o final de 2025, superando com uma diferença colossal qualquer outra classe de ativo tradicional. É o que revela uma análise histórica abrangente conduzida pelo banco suíço UBS, que compilou dados de retorno de investimentos em 35 países ao longo de mais de um século. O estudo, que forma uma das séries temporais mais longas já produzidas sobre o desempenho de ativos financeiros, consolida as ações como o veículo de investimento mais lucrativo da história financeira moderna.

O poder do retorno composto em um século de investimentos

Os números apresentados pelo UBS são impressionantes em sua magnitude. Enquanto um dólar investido em ações dos Estados Unidos há 125 anos se multiplicaria para US$ 124.854, o mesmo valor aplicado em títulos públicos de longo prazo renderia apenas US$ 284 no mesmo período. Aplicações de curto prazo, representadas pelos Treasury bills, teriam elevado o capital para US$ 69. A inflação, por sua vez, teria corroído o poder de compra, fazendo com que o índice de preços equivalente atingisse US$ 38. Esta discrepância monumental ilustra de forma cristalina o efeito exponencial do retorno composto ao longo de décadas, um fenômeno que Albert Einstein teria chamado de “a oitava maravilha do mundo”.

A superioridade das ações não se limitou aos Estados Unidos

Um dos achados mais significativos do relatório é que a primazia das ações como a classe de ativo de melhor desempenho não foi um fenômeno exclusivo do mercado norte-americano. Entre todos os países analisados que possuíam séries históricas completas desde 1900, as ações consistentemente superaram títulos, caixa e inflação. Esta universalidade do resultado reforça uma premissa fundamental do investimento: o capital de risco, representado pela propriedade parcial de empresas por meio de ações, oferece uma recompensa esperada superior no longo prazo. O estudo do UBS transforma essa premissa teórica em evidência empírica irrefutável, baseada em mais de um século de dados de mercados desenvolvidos e emergentes.

A lei do risco e retorno confirmada por dados históricos

“Esse padrão sustenta uma das leis duradouras das finanças, a lei do risco e retorno, e a ideia de que assumir risco deve trazer uma recompensa esperada”, afirma o banco suíço em seu relatório. A volatilidade inerente ao mercado acionário, com suas quedas abruptas e períodos de incerteza, representa o preço que os investidores pagam pelo potencial de retorno superior. O estudo demonstra que, apesar das crises, guerras e recessões que marcaram o século XX e o início do XXI, a tendência de longo prazo das bolsas de valores foi decisivamente ascendente. Esta persistência histórica oferece um poderoso antídoto contra o medo que frequentemente paralisa os investidores durante momentos de turbulência de mercado.

O contraste com a percepção de risco imediato

Apesar da clareza dos dados históricos, a psicologia do investidor muitas vezes opera em direção oposta. A aversão à perda – o fenômeno psicológico que faz com que a dor de uma perda financeira seja sentida com mais intensidade do que o prazer de um ganho equivalente – leva muitos a evitar a volatilidade das ações em favor de ativos percebidos como mais seguros. O estudo do UBS fornece um contexto crucial: enquanto a segurança nominal de títulos e aplicações de curto prazo protege o capital no curto prazo, ela garante sua erosão pelo poder corrosivo da inflação no longo prazo. A verdadeira segurança financeira, segundo os dados, só é alcançada através do crescimento do capital a uma taxa que supere consistentemente a inflação.

Geopolítica versus economia: o que realmente move os mercados

Em um momento de crescente tensão geopolítica global, o estudo do UBS traz insights valiosos sobre como conflitos internacionais afetam os mercados financeiros. A análise do banco, que incluiu uma regressão estatística entre os retornos futuros das ações globais e um índice de ameaça geopolítica, não encontrou relação significativa quando se projeta um mês ou um ano à frente. “Usando uma regressão simples entre retornos futuras das ações globais e um índice de ameaça geopolítica, não encontramos relação, seja olhando um mês ou um ano à frente”, constata o relatório. Esta descoberta desafia a narrativa frequente de que cada crise internacional deve necessariamente precipitar uma crise nos mercados.

Quando os choques geopolíticos realmente importam

Isso não significa, contudo, que conflitos internacionais sejam irrelevantes para os investidores. O banco reconhece que grandes choques geopolíticos estiveram associados a alguns dos piores episódios da história das bolsas globais, particularmente quando tais eventos desencadearam impactos econômicos amplos e duradouros. Entre os exemplos citados estão a Primeira Guerra Mundial, a Segunda Guerra Mundial e o choque do petróleo de 1973-74 – eventos que estiveram ligados a três dos seis piores períodos para os mercados acionários desde 1900. O padrão que emerge é claro: a geopolítica importa principalmente quando transcende o campo diplomático e militar e se transforma em um fator econômico substantivo.

O peso decisivo dos fatores econômicos internos

A análise histórica do UBS indica que crises econômicas internas tiveram um papel ainda mais decisivo do que conflitos internacionais para explicar as grandes quedas de mercado. “O risco econômico tem sido historicamente ainda mais importante para os investidores”, afirma o estudo. Três dos quatro maiores mercados de baixa em tempos de paz foram provocados predominantemente por fatores econômicos, como crises bancárias, bolhas de ativos ou recessões profundas. Até mesmo a queda de 1973-74, que começou com um choque geopolítico (o embargo do petróleo pelos países árabes), acabou se transformando em uma crise econômica mais ampla caracterizada por estagflação – a combinação tóxica de estagnação econômica com inflação elevada.

A resiliência dos mercados frente ao “ruído” geopolítico

A conclusão prática do estudo é que, na maioria dos casos, “os investidores estariam corretos em ignorar o ruído da geopolítica”. Esta perspectiva é particularmente relevante no contexto atual, onde a instantaneidade da informação e a amplificação midiática podem criar a impressão de que cada tensão internacional representa uma ameaça existencial para os mercados. Os dados históricos sugerem que os fundamentos econômicos – crescimento corporativo, produtividade, inovação tecnológica e políticas monetárias – exercem uma influência muito mais determinante sobre os retornos de longo prazo do que eventos geopolíticos isolados, a menos que esses eventos alterem fundamentalmente a trajetória econômica global.

Implicações para a estratégia de investimento contemporânea

As descobertas do estudo do UBS possuem implicações profundas para investidores individuais e institucionais em 2026. Em primeiro lugar, reforçam a importância crucial do horizonte de tempo no planejamento de investimentos. A superioridade das ações só se manifesta plenamente ao longo de décadas, não de anos ou mesmo de uma única década. Em segundo lugar, os dados destacam a necessidade de diferenciar entre volatilidade (flutuações de preço de curto prazo) e risco permanente (perda permanente de capital). A história mostra que, para investidores com paciência e disciplina, a primeira é frequentemente uma oportunidade disfarçada, enquanto a segunda é rara para carteiras diversificadas mantidas por períodos prolongados.

A diversificação como mitigador de risco, não como limitador de retorno

Um equívoco comum entre investidores é a crença de que a diversificação necessariamente reduz os retornos esperados. O estudo do UBS, ao abranger 35 mercados diferentes, oferece uma perspectiva mais matizada. Enquanto as ações como classe de ativo superaram consistentemente outras alternativas, a diversificação geográfica e setorial dentro do universo acionário tem sido historicamente uma ferramenta eficaz para reduzir a volatilidade sem necessariamente sacrificar retornos de longo prazo. Esta abordagem é particularmente valiosa em um mundo onde diferentes economias e setores frequentemente seguem ciclos desalinhados, oferecendo oportunidades de rebalanceamento estratégico.

A psicologia do investidor como obstáculo principal

Talvez o maior desafio identificado indiretamente pelo estudo não seja de natureza financeira, mas psicológica. Os dados de 125 anos demonstram claramente que uma estratégia simples de investimento contínuo em ações teria gerado riqueza extraordinária. No entanto, a experiência histórica mostra que poucos investidores conseguem manter tal disciplina através de múltiplas crises, guerras e ciclos econômicos. A tendência humana de vender durante pânico e comprar durante euforia – o oposto do que a estratégia de longo prazo exigiria – continua sendo o maior obstáculo entre os investidores e os retornos potencialmente disponíveis no mercado acionário.

Os números apresentados pelo UBS contam uma história de extraordinária resiliência e crescimento. Eles revelam que, apesar das incontáveis crises que marcaram os últimos 125 anos – desde guerras mundiais até pandemias, desde depressões econômicas até choques geopolíticos – a capacidade humana de inovar, produzir e criar valor econômico prevaleceu de forma decisiva. Para o investidor contemporâneo, esta perspectiva histórica oferece não apenas uma bússola para navegar a incerteza presente, mas também um lembrete poderoso: o maior risco, evidenciado por mais de um século de dados, pode não ser a volatilidade temporária das ações, mas sim a certeza erosionadora de não participar do crescimento econômico de longo prazo que elas representam.

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