O Ibovespa ignorou a pressão do payroll americano e garantiu a segunda maior valorização semanal do ano, acumulando alta de 5,40%. O índice fechou praticamente estável nesta sexta-feira (4), aos 185.147,15 pontos, sustentado pelo fluxo de capital estrangeiro e pelo chamado “trade eleitoral”, que continua movimentando a bolsa brasileira.
A sessão foi marcada por volatilidade, oscilando entre 183.251,93 e 186.544,81 pontos, em um dia em que os dados de emprego nos EUA vieram muito acima do esperado. O setembro começou com saldo positivo de capital externo na B3: nos dois primeiros pregões do mês, a entrada líquida somou R$ 2,2 bilhões, mostrando a atratividade do mercado local mesmo em um cenário global adverso.
“Esse movimento evidencia a capacidade do mercado local de sustentar ganhos, mesmo diante de um cenário global desafiador e com o período eleitoral no radar dos investidores”, afirma Rebecca Nossig, estrategista de ações da Nomad.
Payroll fortalece apostas de juros altos nos EUA
O principal evento do dia foi o payroll americano, que registrou a criação de 162 mil vagas de trabalho em agosto, quase três vezes as 56 mil esperadas pelo mercado. A taxa de desemprego se manteve em 4,1%, reforçando a percepção de que a economia americana segue aquecida.
O número fortaleceu as apostas de uma possível alta de juros pelo Federal Reserve já em setembro. No fim da tarde, os contratos futuros indicavam probabilidade de cerca de 58% para um aumento de 0,25 ponto percentual.
“O forte aquecimento do mercado de trabalho americano reacendeu o temor de que o Federal Reserve precisará manter as taxas de juros em patamares restritivos por um período prolongado, impactando diretamente o apetite ao risco internacional”, afirma Rebecca.
O dólar comercial refletiu esse movimento, subindo cerca de 0,50%, para R$ 5,13, acompanhando a elevação das expectativas de juros mais altos nos Estados Unidos.
Vale sustenta o índice enquanto Petrobras cai
Mesmo com a pressão externa, alguns papéis impediram uma queda mais forte do Ibovespa. A Vale (VALE3) avançou 0,22%, impulsionada pela alta de 1,04% dos futuros do minério de ferro negociados em Dalian.
Rebecca destaca a mineradora entre os suportes da sessão. “Como destaque temos as ações da Vale, papel de grande peso no índice, que registraram altas consistentes acompanhando o avanço do minério de ferro no exterior.”
Na direção contrária, a Petrobras (PETR4) caiu 0,95%, enquanto PETR3 recuou 1,08%, mesmo com o Brent fechando em alta de 0,8%, a US$ 96,28 por barril.
Destaques do pregão: Minerva e Ultrapar no azul
Entre as maiores altas do Ibovespa, Minerva (BEEF3) disparou 4,22%, enquanto Ultrapar (UGPA3) ganhou 2,66% após o UBS BB elevar seu preço-alvo para a ação.
Na ponta negativa, MBRF (MBRF3) recuou 3,70%. As ações da Petrobras (PETR3 e PETR4) também terminaram no vermelho, enquanto Vale (VALE3) ficou entre os papéis que ajudaram a equilibrar o índice.
Wall Street fecha no vermelho com temor de aperto monetário
As bolsas americanas encerraram a sexta-feira no vermelho, pressionadas pelo payroll forte que reforçou as apostas de uma política monetária mais dura pelo Fed.
| Índice | Variação | Pontuação |
|---|---|---|
| Dow Jones | -0,51% | 53.413,60 pontos |
| S&P 500 | -0,38% | 7.718,41 pontos |
| Nasdaq | -0,29% | 26.506,99 pontos |
Mesmo com a pressão desta sexta-feira, o Ibovespa encerrou a semana com valorização de 5,40%, desempenho inferior apenas ao avanço de 8,53% registrado na semana encerrada em 23 de janeiro. A última cotação do índice, referente ao pregão de quinta-feira (3), foi de 185.188,13 pontos, com queda de 0,01%.
O mercado brasileiro segue em compasso de espera, equilibrando o fluxo externo positivo com as incertezas eleitorais e a perspectiva de juros globais mais altos. A capacidade de sustentar ganhos em meio a esse cenário mostra a resiliência da bolsa, mas a volatilidade deve continuar nos próximos pregões, especialmente com a proximidade do duplo feriado nos Estados Unidos na próxima semana.

