insureMO Create & Connect debate IA, modernização de legados e transição regulatória em seguros

Evento em São Paulo reúne executivos para debater IA, modernização de legados e o futuro regulatório do setor segurador brasileiro.

Destaques
  • Agentes de IA integrados às APIs de seguros permitem auditoria e rastreabilidade das decisões automatizadas.
  • A Herval Seguradora implementou uma nova seguradora em apenas seis meses com apoio do insureMO.
  • A modernização de sistemas legados é o principal gargalo estratégico para a adoção de IA no setor segurador.

O mercado segurador brasileiro vive um momento de reconfiguração profunda, onde tecnologia e regulação caminham lado a lado para definir o próximo ciclo de crescimento do setor. O insureMO Create & Connect, realizado no Amcham Business Center em São Paulo, reuniu executivos de seguradoras, consultorias e big techs para discutir exatamente esse ponto de inflexão. O evento deixou claro que a Inteligência Artificial (IA) deixou de ser promessa para se tornar uma camada operacional, e que a modernização de sistemas legados é o verdadeiro gargalo — não apenas técnico, mas estratégico.

Agentes de IA como serviços integrados às APIs de seguros

Um dos temas centrais foi a transição da IA da teoria para a operação. Em vez de telas isoladas ou pilotos que nunca chegam à produção, os chamados agentes de IA passam a atuar como serviços integrados diretamente às APIs de cotação, emissão e sinistro. Esses agentes entregam resultados estruturados — com justificativa, grau de confiança e rastro de execução —, permitindo revisão humana, auditoria e segurança de dados. Essa arquitetura resolve um dos maiores dilemas do setor: como escalar inteligência artificial sem perder o controle regulatório e a confiabilidade exigida pelo mercado.

Rafael Rodrigues, general manager Latam do insureMO, destacou que a pergunta em 2026 já não será se a seguradora vai usar IA, mas quantos dos seus pilotos chegaram de fato à produção. “O que separa os dois grupos raramente é o modelo: é ter as funções de negócio disponíveis como APIs governadas, que um agente possa descobrir, chamar e ter o resultado auditado. Sem essa camada, IA em seguros continua sendo demonstração”, afirmou.

A plataforma apresentou ainda dois territórios onde a IA gera resultados mensuráveis: a engenharia de seguros (produto, requisitos, testes e documentação) e a operação de negócio (subscrição, sinistros, processamento direto e detecção de fraudes). Em ambos os casos, os agentes podem ser consumidos de forma isolada ou combinada, sem alterar a jornada do usuário final.

Modernização de legados: o calcanhar de Aquiles das seguradoras

Outro painel que merece destaque abordou a jornada de criação e operacionalização de seguradoras modernas. Éverson da Silva, diretor administrativo e operacional da Herval Seguradora, e Weliton Costa, business development director Latam do insureMO, apresentaram o case de implementação de uma nova seguradora em apenas seis meses. O exemplo mostra que é possível superar a complexidade tecnológica e regulatória com decisões arquiteturais bem definidas desde o início.

Gustavo Pereira, director insurance na NTT DATA, complementou a discussão com reflexões sobre a coexistência de dados desconectados e sistemas legados. Ele apresentou caminhos pragmáticos de transição tecnológica, que passam por estratégias de migração incremental e pela adoção de APIs governadas como backbone da operação. O ponto central é que não se trata de substituir tudo de uma vez, mas de criar camadas de abstração que permitam às seguradoras modernizar sem parar o negócio.

Transição regulatória: do Sandbox ao S3 na prática

A PIN Seguradora trouxe um case exemplar de transição do Sandbox Regulatório da Susep para a licença definitiva S3. Vanessa Porcino, diretora de operações, e Sheila de Carvalho, business development director do insureMO, demonstraram como a infraestrutura digital integrada permitiu escalabilidade técnica e conformidade contínua durante a expansão da operação. Esse tipo de transição é cada vez mais relevante para seguradoras que nasceram digitais e precisam comprovar solvência, governança e capacidade operacional para obter a licença plena.

O compliance regulatório também foi destaque em painel com Aldo Pires (CEO da add), Carlos Radicchi (diretor comercial da Confitec) e Adriano Garcias (sócio da Tecnologia Única). Eles reforçaram o papel da tecnologia como viabilizadora das exigências normativas do ecossistema segurador brasileiro, especialmente no que diz respeito à LGPD, circular Susep e processos de auditoria.

Governança de IA e dados: riscos jurídicos e oportunidades de negócio

No painel focado em IA generativa e governança, Adriano Candido (vice-presidente de negócios da Softtek), Carlos Piacentini (sócio da Vanzin e Penteado Advogados) e Umberto Reis (sócio e diretor da Noorden) analisaram os riscos jurídicos, a proteção de dados e a governança corporativa na implementação de modelos algorítmicos em seguradoras. A discussão evidenciou que o maior risco não está no algoritmo em si, mas na falta de rastreabilidade e explicabilidade das decisões automatizadas.

Na vertente mais técnica, Ronaldo França (business development manager Latam da AWS) e Rodrigo Frahlich (superintendente de arquitetura de TI da HDI Seguros) detalharam como transformar o volume massivo de informações disponíveis em resultados financeiros concretos, utilizando projetos de IA e nuvem. Eles mostraram que a governança de dados não é apenas um requisito regulatório, mas uma alavanca de eficiência e diferenciação competitiva.

O futuro do mercado brasileiro de seguros na visão global

O encerramento do bloco internacional contou com a participação da WTW. Felipe Barranco, diretor de canais e parcerias, junto com Rafael Rodrigues, apresentaram a visão de futuro e as perspectivas para o mercado brasileiro a partir do projeto global de implementação de IA da WTW. O recado foi claro: o Brasil tem condições de acelerar a adoção de tecnologia se resolver o problema dos legados e da governança de APIs.

O evento também trouxe uma pitch session com soluções emergentes e uma apresentação de José Prado, CEO do Insurtech Brasil e advisory board member do ITC Vegas, que ressaltou a relevância da presença das lideranças brasileiras no maior encontro mundial de inovação em seguros. Para o mercado local, o recado é que a modernização não é opcional — é uma questão de sobrevivência em um ambiente regulatório que exige cada vez mais agilidade, transparência e eficiência operacional.

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