Pela primeira vez desde o início do monitoramento em janeiro de 2025, a Itaúsa (ITSA4) conquistou uma posição no seletivo ranking das dez ações com maior volume financeiro negociado na B3. A holding de investimentos do Itaú ocupou a décima colocação no levantamento de fevereiro realizado pelo DataWise+, solução de dados da bolsa brasileira. A entrada da companhia no top 10 destaca um movimento de crescente interesse do mercado por um papel que funciona como uma janela para um dos maiores conglomerados financeiros e industriais do país.
Vale, Itaú e Petrobras lideram volume financeiro na bolsa em fevereiro
O ranking geral, que considera o volume financeiro total (preço multiplicado pela quantidade de ações negociadas), manteve as gigantes brasileiras em posições de destaque. A Vale (VALE3) reafirmou sua liderança, seguida de perto pela Petrobras (PETR4) e pelo Itaú Unibanco (ITUB4). O Banco do Brasil (BBAS3) e o Bradesco (BBDC4) completaram as cinco primeiras posições, demonstrando a força do setor de commodities e do sistema financeiro na movimentação do mercado de capitais nacional. A própria B3 (B3SA3), operadora da bolsa, figurou na sexta posição, um indicador da atividade do mercado como um todo.
Itaúsa se consolida entre os ativos de maior liquidez do mercado
A ascensão da Itaúsa para a décima posição do ranking principal não é um evento isolado, mas sim o reflexo de uma trajetória de aumento no interesse dos investidores. Como holding, a ITSA4 oferece exposição a um portfólio diversificado que inclui participações majoritárias no Itaú Unibanco, em empresas do setor de saúde como a Dexco e a Duratex, e em outros negócios estratégicos. Sua entrada no top 10 sinaliza que os investidores estão buscando não apenas os ativos purificados dos bancos, mas também a estrutura de holding como uma forma de acessar um conjunto de empresas com gestão reconhecida.
Análise por perfil de investidor revela preferências distintas no mercado
O DataWise+ da B3 oferece um recorte detalhado que vai além do ranking geral, segmentando as ações mais negociadas por categoria de investidor. Essa análise revela estratégias e focos marcadamente diferentes entre pessoas físicas, jurídicas, fundos, investidores estrangeiros e instituições financeiras.
Pessoas físicas apostam em varejo, seguros e indústria
No universo das pessoas físicas, o apetite por ações de crescimento e dividendos fica evidente. Além dos pesados da bolsa como Vale e Petrobras, figuram entre as preferidas a Magazine Luiza (MGLU3), a BB Seguridade (BBSE3), a Embraer (EMBJ3) e a WEG (WEGE3). Esta seleção mostra uma busca por setores cíclicos como varejo e aviação, combinada com apostas em empresas industriais de tecnologia consolidada e em companhias pagadoras de proventos estáveis, como as seguradoras.
Pessoas jurídicas e fundos têm estratégias focadas em setores específicos
As pessoas jurídicas demonstraram um perfil de negociação mais concentrado em nomes específicos. A MBRF (MBRF3), a Recrusul (RCSL4), a Rede D’Or (RDOR3), a Totvs (TOTS3) e a Sabesp (SBSP3) apareceram entre suas preferências, indicando movimentos estratégicos em setores como siderurgia, saúde, tecnologia e saneamento. Já os fundos de investimento mantiveram forte atuação nos grandes líquidos, mas também deram destaque a ativos como a AES Brasil (ENEV3), a Axia Energia (AXIA3) e o BTG Pactual (BPAC11), mostrando uma busca por valor e oportunidades no setor de energia e em bancos de investimento.
Investidores estrangeiros mantêm foco em blue chips e finanças
Os investidores não residentes, um dos principais players em termos de volume, confirmaram sua predileção pelos ativos mais líquidos e com maior governança corporativa. Seu ranking é dominado por Vale, Itaú Unibanco, Petrobras e Banco do Brasil. A entrada da Itaúsa (ITSA4) em décimo lugar nesta categoria específica é particularmente significativa, sugerindo que o interesse internacional pela holding também foi um dos motores para sua ascensão no ranking geral. As instituições financeiras, por sua vez, operaram um mix semelhante, com forte presença de bancos e seguradoras em suas negociações.
Mercado de FIIs, ETFs e BDRs também apresenta líderes de volume
O relatório do DataWise+ também mapeou os ativos mais negociados em outras classes importantes. Nos Fundos de Investimento Imobiliário (FIIs), o TRXF11 liderou o volume, seguido por XPML11 e KNCR11, refletindo a busca por renda passiva lastreada em imóveis. No segmento de ETFs (fundos de índice), o BOVA11, que replica o Ibovespa, e o SMAL11, focado em small caps, foram os mais negociados, mostrando a preferência por exposição ampla ao mercado ou a nichos de crescimento.
BDRs de gigantes globais atraem capital no mercado brasileiro
Os Brazilian Depositary Receipts (BDRs), que representam ações de empresas estrangeiras negociadas no Brasil, tiveram como destaque os papéis de gigantes da tecnologia global. O BDR da Mercado Livre (MELI34) liderou o volume, seguido pelos da Aura Minerals (AURA33) e da Rooxo (ROXO34). BDRs de empresas como Nvidia (NVDC34), Tesla (TSLA34) e Amazon (AMZO34) também figuraram no top 10, evidenciando o desejo dos investidores locais de diversificar seus portfólios com exposição a líderes mundiais de setores inovadores sem sair da bolsa brasileira.
A consolidação da Itaúsa entre as ações mais negociadas da B3 é um marco que vai além de um simples número em um ranking. Ela simboliza a maturidade de um ativo que encapsula a força de um conglomerado brasileiro e sua atratividade para diferentes perfis de investidor, do pequeno poupador às grandes instituições internacionais. Em um mercado cada vez mais segmentado e analítico, dados como os fornecidos pelo DataWise+ não apenas registram quem lidera em volume, mas desvendam as narrativas e estratégias que estão moldando os fluxos de capital e definindo os próximos movimentos do investidor brasileiro.

