Após um fevereiro marcado por mais um recorde histórico do Ibovespa, que fechou em 191.490 pontos, o mercado financeiro brasileiro entra em março com expectativas otimistas, impulsionadas pelo início do ciclo de cortes da taxa Selic. Nesse cenário favorável, um levantamento do InfoMoney com as principais corretoras do país revela as ações mais indicadas para o mês. Itaú (ITUB4) e Axia Energia (AXIA3) lideram o ranking, cada uma com oito recomendações, seguidos por Vale (VALE3), com sete indicações, Localiza (RENT3), com seis, e Cyrela (CYRE3), com cinco.
Análise detalhada das ações mais recomendadas para março
O cenário econômico atual combina juros em trajetória de queda, conforme sinalizado pelo Banco Central, com um fluxo consistente de recursos estrangeiros para a bolsa brasileira. “Não falta dinheiro gringo para empurrar os ativos brasileiros”, destaca a Empiricus. Esse ambiente beneficia especialmente os setores cíclicos, que dependem da economia doméstica, e explica a forte presença dessas empresas nas carteiras recomendadas. A ausência da Petrobras (PETR4) do topo do ranking, apesar de suas quatro recomendações, continua a chamar atenção dos analistas.
Itaú Unibanco mantém desempenho sólido e é a mais indicada
O Itaú Unibanco (ITUB4) foi a ação mais recomendada, com oito indicações, após valorizar 3,26% em fevereiro. A Ágora Investimentos avalia que 2025 foi “bastante positivo” para o banco, que registrou um crescimento “robusto” da sua carteira de crédito. A corretora projeta um lucro líquido médio de R$ 51,1 bilhões para a instituição em 2026, cerca de 3% acima da expectativa do próprio mercado. “A performance equilibrada dos últimos trimestres, com expansão consistente da carteira, controle de despesas e inadimplência sob controle, sustenta nossa visão construtiva para as ações”, afirmam os analistas da Ágora. A resiliência do banco em diferentes ciclos econômicos e sua capacidade de gerar lucros consistentes são os principais pilares da recomendação.
Axia Energia apresenta resultados acima das expectativas
A Axia Energia (AXIA3) dividiu a liderança, também com oito recomendações, após uma valorização expressiva de 13,65% no último mês. O Andbank destacou os resultados “sólidos” do quarto trimestre de 2025, com receita líquida de R$ 9,91 bilhões e um Ebitda ajustado de R$ 5,3 bilhões, superando as projeções do mercado. “O trimestre confirma a consolidação de resultados sustentáveis após a transformação operacional e estratégica da empresa”, avaliou o banco. A transformação pela qual a empresa passou, focando em eficiência e rentabilidade, parece estar gerando frutos tangíveis, atraindo a atenção dos investidores.
Vale se beneficia de eficiência operacional e perspectiva de commodities
A Vale (VALE3), com sete indicações, valorizou-se 4,20% em fevereiro. A Terra Investimentos aponta que a mineradora conseguiu reduzir “significativamente” seus custos de produção, o que “evidencia sua eficiência operacional e fortalece suas margens de lucro”. Além da disciplina de custos, a corretora destaca a expectativa de recuperação dos preços do minério de ferro no mercado internacional, o que “posiciona a Vale como uma oportunidade de investimento”. A combinação de uma operação mais enxuta com um cenário potencialmente mais favorável para o preço da sua principal commodity sustenta o otimismo.
Setores cíclicos ganham destaque com a flexibilização monetária
O início do ciclo de cortes da taxa básica de juros (Selic) é o principal catalisador para as ações de setores sensíveis ao crédito e ao consumo. Empresas dos segmentos de financeiro, energia, locação de veículos e construção civil, que compõem a lista das mais recomendadas, são as que tendem a se beneficiar diretamente de um ambiente de juros mais baixos e de uma economia mais aquecida.
Localiza é apontada como beneficiária direta da queda da Selic
A Localiza (RENT3), com seis recomendações e alta de 6,42% em fevereiro, teve seus resultados do último trimestre classificados como “de alta qualidade” pelo BTG Pactual, principalmente devido às margens superiores ao esperado. O banco reiterou sua recomendação de compra, argumentando que a ação, negociada a 13 vezes o lucro projetado para 2026 (P/L 2026), “deve se beneficiar do ciclo de flexibilização (monetária) em curso e do aumento dos fluxos estrangeiros para as ações brasileiras”. A empresa é vista como uma das principais apostas para capturar o aumento da demanda por locação e gestão de frotas em um cenário de crédito mais barato.
Cyrela tem valuation considerado atraente pelo Santander
A Cyrela (CYRE3), com cinco indicações e valorização de 3,09% no último mês, é outra empresa do setor cíclico que aparece entre as mais recomendadas. O Santander estabeleceu um preço-alvo de R$ 43 para o fim de 2026, um potencial de alta significativo em relação aos atuais R$ 30. O banco fundamenta sua análise no portfólio “diferenciado” de projetos da construtora, na sua exposição crescente ao programa Minha Casa Minha Vida e no valuation “atraente” apresentado pelas ações. A retomada do setor imobiliário, impulsionada pela queda dos juros, é o pano de fundo para essa recomendação.
Metodologia do levantamento e fontes das recomendações
O ranking das ações mais indicadas para março foi compilado pelo InfoMoney com base nas carteiras recomendadas e relatórios de uma seleção das principais corretoras e bancos de investimento atuantes no Brasil. As instituições consultadas incluem Santander, XP Investimentos, BTG Pactual, Empiricus, Terra Investimentos, Andbank, Ativa Investimentos, Ágora Investimentos, Genial Investimentos e BB Investimentos. Os dados de retorno foram calculados com base nas cotações de fevereiro, fornecidos pela Economatica. A análise leva em consideração não apenas o número de indicações, mas também os fundamentos específicos de cada empresa e o cenário macroeconômico vigente.
O contexto macroeconômico como pano de fundo decisivo
A unanimidade em torno de ações como Itaú e Axia não é casual. Ela reflete uma convergência de análises sobre quais empresas estão melhor posicionadas para um período de juros em queda e crescimento econômico. O ciclo de flexibilização monetária deve reduzir o custo de captação para os bancos, aumentar o apetite por crédito por parte de pessoas e empresas, e aquecer setores como consumo e construção civil. Paralelamente, o fluxo de investimentos estrangeiros para a Bolsa brasileira, atraído pelo diferencial de juros e pelo valuation ainda considerado atrativo, fornece um impulso adicional de liquidez e valorização para os ativos locais.
Para o investidor, esse cenário oferece oportunidades, mas também exige atenção. A alta concentração de recomendações em poucos papéis indica um consenso forte do mercado, o que pode significar menor divergência de opiniões e, consequentemente, menor margem para surpresas positivas caso todas as expectativas já estejam precificadas. A diversificação da carteira, alinhada ao perfil de risco e ao horizonte de investimento de cada pessoa, continua sendo um princípio fundamental. A leitura atenta dos relatórios e a compreensão dos motivos específicos que levam cada analista a recomendar uma ação são etapas cruciais antes de qualquer decisão de investimento, transformando dados e rankings em estratégia.

