Kane Parsons, o jovem cineasta que emergiu como uma das revelações mais impactantes da indústria do horror contemporâneo, oficializou seu retorno à A24 para comandar a sequência de Backrooms: Um Não-Lugar. A informação, que circula em fontes próximas à produção, indica que o diretor já firmou acordo com o estúdio e que a continuação será seu próximo projeto na agenda. Com o fenômeno de bilheteria que o primeiro filme representou — US$ 360 milhões arrecadados globalmente contra um orçamento enxuto de US$ 10 milhões —, o movimento da A24 em garantir Parsons novamente na direção era questão de tempo.
O acordo e os bastidores da sequência de Backrooms
De acordo com o que foi apurado, Parsons assinou um contrato que coloca a continuação de Backrooms: Um Não-Lugar como prioridade em sua carreira. Osgood Perkins, que atuou como produtor e colaborou em diferentes etapas do original, deve retornar na mesma função. A parceria entre os dois foi um dos pilares do sucesso do longa, e a manutenção dessa dinâmica é vista internamente como um fator crítico para manter a identidade visual e narrativa do universo liminar.
Além do acordo para a sequência, Parsons negocia um contrato de exclusividade de três anos com a A24, que pode render cerca de US$ 65 milhões. No entanto, as tratativas ainda não estão totalmente encaminhadas. Estúdios como Warner Bros., Universal Pictures e Sony Pictures também prepararam ofertas para tentar atrair o jovem diretor. A concorrência reflete o peso que Parsons adquiriu no mercado: seu estilo de found footage com estética analógica, combinado com a exploração de espaços liminares e o terror psicológico baseado na solidão, criou uma fórmula que ressoou fortemente com o público jovem e com a crítica.
O que faz de Kane Parsons um nome tão cobiçado pelos estúdios?
Kane Parsons não é apenas um diretor promissor — ele representa uma nova geração de cineastas que dominam a linguagem da internet e a traduzem para o cinema de forma orgânica. Antes do longa-metragem, ele já havia construído uma base de fãs expressiva com curtas-metragens no YouTube sobre o conceito de Backrooms, um fenômeno de creepypasta que explora a ideia de espaços infinitos e amarelos, sem saída aparente. Essa origem digital fez com que o filme da A24 tivesse uma campanha de marketing praticamente viral, sem depender de grandes investimentos em mídia tradicional.
O sucesso de Backrooms: Um Não-Lugar não se limitou à bilheteria. O filme gerou debates sobre a estética liminar, o uso de câmeras subjetivas e a ausência de jump scares tradicionais como ferramenta de susto. Para o público brasileiro, que consome avidamente esse tipo de conteúdo em plataformas como TikTok e YouTube, o longa se tornou rapidamente um fenômeno cultural, com salas de cinema cheias e memes espalhados por redes sociais. Esse engajamento orgânico é exatamente o tipo de ativo que estúdios como Warner e Universal tentam replicar, mas que poucos conseguem gerar de forma autêntica.
O impacto financeiro e as implicações para a indústria
Com US$ 360 milhões arrecadados no mundo todo, Backrooms: Um Não-Lugar se tornou um dos filmes de terror mais rentáveis dos últimos anos, superando franquias estabelecidas como Sorria e Invocação do Mal em termos de retorno sobre investimento. O orçamento de US$ 10 milhões é ínfimo perto do resultado, e isso coloca pressão sobre a sequência para repetir — ou superar — o feito. A A24, conhecida por dar liberdade criativa a diretores autorais, sabe que o trunfo principal é manter a essência do original, mas também precisa escalar a produção para atrair ainda mais espectadores.
O contrato de exclusividade de US$ 65 milhões, se confirmado, colocaria Parsons em um patamar semelhante ao de Jordan Peele e Ari Aster em termos de valor de mercado. No entanto, a concorrência com os grandes estúdios pode fazer com que a A24 precise ajustar sua oferta ou oferecer bônus atrelados ao desempenho da sequência. Para o público brasileiro, que acompanha de perto as novidades do gênero, a expectativa é que o segundo filme explore ainda mais os aspectos técnicos que tornaram o primeiro tão imersivo, como a fotografia granulada e o design de som minimalista.
Por que a sequência de Backrooms é um teste para o terror independente
A continuação de Backrooms: Um Não-Lugar não é apenas mais um filme de terror — ela representa um experimento sobre como manter a autenticidade de um fenômeno da internet quando a indústria tradicional abraça o conceito. O maior desafio de Kane Parsons será evitar que a sequência se torne uma versão diluída do original, algo que aconteceu com outras franquias que migraram do YouTube para o cinema. A presença de Osgood Perkins como produtor, conhecido por seu trabalho em O Homem do Norte e Gretel & Hansel, sugere que a produção manterá o tom sombrio e contemplativo, mas ainda não há detalhes sobre o roteiro ou o elenco.
Para o mercado brasileiro, o sucesso da sequência pode influenciar diretamente a distribuição de filmes de terror independentes nos cinemas locais. Atualmente, a maioria dos lançamentos do gênero chega ao Brasil com atraso ou direto em plataformas de streaming. Com um fenômeno como Backrooms, há potencial para que a A24 e a distribuidora nacional priorizem uma janela de exibição nos cinemas, aproveitando o público que lotou as salas em 2024. Resta saber se a repetição da fórmula será suficiente ou se Parsons prepara alguma reviravolta narrativa que mantenha o frescor do conceito liminar.

