Tether tem US$89mi presos no EQIBank e cobra R$1,6 bi do Banco Master

Tether tem US$89mi presos no EQIBank e cobra R$1,6 bi do Banco

A Tether, maior emissora de stablecoins do mercado, enfrenta mais um capítulo delicado em sua relação com instituições financeiras. Desta vez, o problema envolve o EQIBank, banco parceiro que teve US$ 89 milhões apreendidos pelo governo dos Estados Unidos. O montante estava vinculado à Capstone, uma fintech domiciliada na República Dominicana que atuava como intermediária entre o EQIBank e o sistema financeiro americano. A apreensão, ocorrida nesta sexta-feira (25), coloca em risco a liquidez do banco e levanta dúvidas sobre a real exposição da Tether a instituições terceirizadas. Ao mesmo tempo, a empresa segue em uma disputa judicial bilionária no Brasil contra o Banco Master, de Daniel Vorcaro, na qual cobra o equivalente a R$ 1,6 bilhão.

Confisco bilionário nos EUA coloca EQIBank em risco de liquidação

Documentos judiciais obtidos pela imprensa especializada indicam que o governo norte-americano apreendeu US$ 79 milhões em contas do Wells Fargo e em carteiras de USDT ligadas à Capstone. A empresa é acusada de operar com dinheiro ilegal e servia como ponte para movimentações financeiras do EQIBank. O banco, por sua vez, entrou com um pedido de devolução de US$ 89 milhões, valor que considera ter sido bloqueado — a diferença de US$ 10 milhões ainda não foi explicada oficialmente.

A situação é crítica: cerca de 80% do patrimônio da Capstone está retido nas mãos do governo americano, sem qualquer previsão de liberação. Como o EQIBank dependia dessa fintech para parte de suas operações, o risco de uma liquidação forçada do banco tornou-se real. O mercado de criptomoedas, que já acompanha com atenção os movimentos da Tether, vê neste episódio mais um sinal de fragilidade no modelo de custódia terceirizada adotado pela empresa.

Exposição da Tether ao EQIBank: o que se sabe

Procurada pela imprensa, a Tether minimizou o impacto, afirmando que menos de 1% de suas reservas totais está alocado no EQIBank. A empresa, no entanto, não revelou o valor exato em dólares. Estimativas de mercado apontam que a participação da emissora do USDT no banco gira em torno de US$ 64 milhões. Ainda que a cifra represente uma fração pequena diante do volume total de ativos da Tether (que ultrapassa US$ 100 bilhões em reservas), o incidente expõe a dependência de intermediários financeiros tradicionais e reforça o debate sobre a transparência das stablecoins.

Disputa no Brasil: Banco Master e a cobrança de R$ 1,6 bilhão

Enquanto o caso do EQIBank se desenrola nos Estados Unidos, a Tether mantém uma ação judicial no Brasil contra o Banco Master. A empresa alega ter transferido US$ 300 milhões por meio de uma instituição alemã para o banco brasileiro e agora busca reaver o montante, convertido em R$ 1,6 bilhão. O processo, que corre em segredo de justiça, coloca a Tether em uma posição incômoda: ao mesmo tempo que lida com a apreensão de recursos nos EUA, precisa cobrar judicialmente um banco no maior mercado da América Latina.

O Banco Master, controlado por Daniel Vorcaro, nega as acusações e sustenta que as transações ocorreram dentro da normalidade. O caso ilustra como a intermediação bancária tradicional ainda é um calcanhar de Aquiles para empresas cripto, mesmo para a maior emissora de stablecoins do mundo.

Comparativo de exposições e riscos

InstituiçãoValor envolvidoStatusImpacto direto na Tether
EQIBank (via Capstone)US$ 89 milhões (apreendidos) / US$ 79 milhões (confiscados oficialmente)Sob investigação dos EUA, risco de liquidaçãoMenos de 1% das reservas, estimado em US$ 64 milhões
Banco Master (Brasil)R$ 1,6 bilhão (equivalente a US$ 300 milhões)Disputa judicial em andamentoImpacto financeiro direto se não recuperado

A crise de confiança no modelo de custódia terceirizada

Os dois episódios — a apreensão nos EUA e a cobrança no Brasil — têm um denominador comum: a dependência de bancos e fintechs terceiros para a guarda de recursos. No caso do EQIBank, a Capstone atuava como intermediária entre a stablecoin e o sistema bancário americano; quando a fintech foi alvo de sanções, o banco parceiro e, por consequência, a Tether sentiram o efeito em cascata. No Brasil, a situação é semelhante: uma transferência internacional passou por uma instituição alemã até chegar ao Banco Master, e agora o dinheiro está travado em uma disputa legal.

Para um investidor brasileiro que utiliza USDT para trading ou remessas, esses casos levantam questões práticas: qual a real segurança dos fundos quando intermediários financeiros convencionais são envolvidos? A Tether afirma que mantém uma diversificação de bancos parceiros, mas episódios como o do EQIBank mostram que o risco de contraparte nunca é zero — e que, no fim, a exposição acaba sendo maior do que o divulgado, especialmente quando valores em USDT são congelados junto com contas bancárias tradicionais.

O mercado acompanha de perto o desenrolar das investigações. Se o EQIBank entrar em processo de liquidação, a Tether terá que explicar de forma mais detalhada como pretende resgatar os US$ 64 milhões estimados. A situação também coloca pressão sobre a empresa para que aumente a transparência de suas reservas, algo que reguladores e concorrentes vêm exigindo há anos. Enquanto isso, o caso brasileiro segue na Justiça, e ambos os fronts podem definir, nos próximos meses, o futuro da confiança na maior stablecoin do planeta.

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