Gilsons lançam segundo álbum com ijexá e beats após perda de Preta Gil

Os Gilsons, trio composto por José, João e Francisco Gil, disponibilizaram nesta terça-feira (3) seu segundo álbum de estúdio, “Eu Vejo Luz Em Maior Proporção Do Que Eu Vejo A Escuridão”. O trabalho chega como um marco na carreira do grupo, mesclando a raiz da MPB com inovações eletrônicas, e surge em um contexto pessoal marcado pela superação após o falecimento de Preta Gil, figura central na família e incentivadora da banda. O disco já está em todas as plataformas digitais e precede uma turnê mundial com mais de 30 datas, iniciando em Salvador no dia 25 de abril.

A Jornada Pessoal que Moldou as Composições

Em julho de 2025, a família Gil enfrentou a perda de Preta Gil, filha de Gilberto Gil, mãe de Francisco, irmã de José e tia de João, após uma batalha contra o câncer. Em comunicado oficial, os Gilsons revelaram que o processo de criação do álbum foi profundamente influenciado por esse período, servindo como uma forma de atravessar o luto e encontrar esperança. Eles descrevem a música como uma “fagulha” que os impulsiona, resultando em um projeto que não ignora a dor, mas opta por focar na luz mesmo diante da escuridão. Essa abordagem confere ao disco um otimismo denso e realista, ressoando com ouvintes que buscam resiliência em tempos difíceis.

Análise Musical: Do Ijexá à Experimentação Eletrônica

O álbum abre com “Visão”, faixa que estabelece o tom conceitual com seu ijexá, ritmo tradicional da MPB herdado de Gilberto Gil. O verso que dá nome ao trabalho aparece aqui, sintetizando a filosofia de enxergar mais luz do que escuridão. Ao longo das 12 faixas, os Gilsons equilibram violões acústicos e melodias suaves com texturas eletrônicas discretas e beats pulsantes, demonstrando uma evolução sonora sem abandonar suas origens. Essa dualidade é cuidadosamente orquestrada para expandir o universo musical do trio enquanto mantém sua identidade calorosa e introspectiva.

Faixas que Destacam a Inovação Sonora

“Beijo na Boca” emerge como um exemplo claro da nova direção, com produção de José Gil e Iuri Rio Branco, incorporando elementos rítmicos reminiscentes de Carlinhos Brown. Já “Zumbido” aposta em guitarras mais agressivas e andamentos acelerados, enquanto “Se a Vida Pede”, em parceria com a gambiana Sona Jobarteh, funde influências africanas com a sensibilidade brasileira. Antes do lançamento completo, o grupo adiantou o single duplo “Minha Flor” e “Bem me Quer”, este último com participação de Narcizinho do Olodum, e o primeiro com Caetano Veloso e seus filhos Moreno e Tom Veloso, criando uma atmosfera intimista que prenunciava a diversidade do disco.

Colaborações que Enriquecem o Projeto

Além das participações já mencionadas, o álbum conta com a faixa “Vai Chover”, composta em parceria com Arnaldo Antunes, que também divide os vocais. A cantora Julia Mestre reaparece após o single “Índia” (2020) em “Nó Na Cuca”, reforçando a rede de artistas que dialogam com a cena musical contemporânea. Essas colaborações não são meros featuring, mas integrações orgânicas que ampliam o contexto sonoro dos Gilsons, conectando gerações e estilos dentro da música brasileira.

Turnê Mundial “Eu Vejo Luz” Leva o Disco aos Palcos

Para celebrar o lançamento, os Gilsons embarcam em 2024 na turnê “Eu Vejo Luz”, com apresentações agendadas no Brasil e no exterior. A estreia será em Salvador, na Concha Acústica, no dia 25 de abril, seguida por datas em capitais como São Paulo, Rio de Janeiro, e cidades internacionais ainda a serem divulgadas. Os ingressos já estão à venda, e a setlist promete mesclar as novas músicas com sucessos do álbum de estreia “Pra Gente Acordar” (2022), oferecendo uma experiência imersiva que reflete a jornada emocional do grupo.

Impacto na Cena Musical Brasileira

O disco dos Gilsons chega em um momento de renovação da MPB, onde artistas jovens revisitam tradições com olhar moderno. A capacidade do trio de incorporar eletrônica sem perder a essência acústica posiciona-os como ponte entre o legado de Gilberto Gil e as demandas do mercado atual. Críticos destacam que “Eu Vejo Luz Em Maior Proporção Do Que Eu Vejo A Escuridão” pode influenciar uma nova leva de músicos a explorar temas profundos com acessibilidade sonora, potencializando o gênero em plataformas digitais.

Com produção impecável e letras que convidam à reflexão, os Gilsons não apenas lançam um álbum, mas oferecem um manifesto de esperança para um público que busca significado na música. A turnê mundial, aliada à recepção positiva nas redes sociais, sugere que este trabalho tem tudo para se tornar um marco na discografia do grupo, solidificando seu lugar na vanguarda da música brasileira contemporânea. Ao encerrar, o disco deixa a mensagem sutil de que, mesmo nas horas mais escuras, a arte pode ser um farol—ensinamento que Preta Gil certamente aplaudiria.

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